quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

5 fatos que marcaram 2009 (na minha vida, obviamente).



Crise econômica? Morte do Michael Jackson? A Fazenda? Putaria no Planalto?

Eita... Se é isso que procura, você pegou a retrospectiva errada. Por aqui aparecerão apenas pequenas desimportâncias que tornaram o ano de 2009 único, ímpar, diferente de todos os outros 23 anos que já vivi. Uma singela narrativa dos fatos que mudaram meu ponto de vista, que trouxeram algum aprendizado, alguma lição, e que me fizeram evoluir, crescer e amadurecer de alguma forma. Esses são os 5 fatos que marcaram o ano de 2009 para mim.


5 - Mudança de Trabalho.

Em meados de julho, meu então patrão, Vinícius, me chamou em um canto da loja e, munido de desculpas esfarrapadas, disse que meus serviços estavam sendo dispensados. Eu estava insatisfeito com o "Inferninho do Doce" há um bom tempo, é verdade, o que não impediu que a notícia me causasse um baque; já trabalhava lá há mais de um ano, era completamente acostumado com o ambiente, com minhas funções, com os clientes e com a amizade com meus companheiros de trabalho. Mas, assim que a primeira impressão passou e quando percebi que estava finalmente livre de um trabalho que estava até mesmo me causando infelicidade, fui domado por um sentimento de alívio inenarrável. Tive meus meses de descanso merecidos - até um pouco mais do que devia, já que por volta de outubro me sentia até mesmo entediado com tanto tempo vago - e aproveitei para me empenhar mais na faculdade, já que no primeiro semestre tinha que dividir o tempo de preparar os trabalhos com minhas obrigações no Inferninho do Doce.

Até que, no fim de outubro, meu telefone tocou e, surpreendentemente, fui chamado para fazer uma entrevista num escritório de contabilidade onde havia deixado currículo há anos atrás. Em novembro, comecei um período de experiência, onde fui auxiliado por uma amiga minha de longa data, que também trabalha lá. Mesmo rodeado por números, uma das coisas que eu mais odeio no planeta Terra, posso dizer que o ambiente de trabalho é ótimo, que eu, Talize e Leandro temos nos dado muito bem e que os patrões têm me tratado com muito respeito. Por tudo isso, espero conseguir domar os malditos números para permanecer neste emprego por um bom tempo.


4 - Léo.

Todo ano, de alguma forma, um determinado número de pessoas passa a fazer parte da sua vida. Nem sempre são pessoas que acrescentam alguma coisa, que mudam sua rotina ou que fazem você pensar de uma forma diferente. Ás vezes são só presenças efêmeras, que você nem terá chance de conhecer direito. Mas esse ano, em especial, eu fui agraciado com um nova amizade que foi, sem qualquer sombra de dúvidas, o precursor das maiores risadas e dos momentos mais descontraídos e felizes do ano.

Foi meio por acaso que conhecemos o Léo. Estávamos no Fulana de Tal, vendo uma amiga nossa e sua banda tocarem, quando, por falta de opção, ele sentou-se à nossa mesa, com um grupo de amigos. Nesta mesma noite conhecemos também a Jojo e a Cecília e foi uma das noites mais divertidas do ano, com certeza. Então, o Léo fez aparições periódicas, tipo estrela de cinema. Achávamos ele de vez em quando em algum boteco ou em algum show das Fulanas, até que o obrigamos a deixar tal displicência de lado e marcar um almoço na casa dele - almoço que ele vinha prometendo meses a fio.

Aquele domingo foi, sem sombra de dúvidas, o dia mais engraçado e divertido do ano inteiro. Sentados na escada do Jambalaia - o conjunto habitacional onde ele mora -, precisamos nos conter para não descê-la rolando de tanto rir. Voltei para casa aquele dia com o maxilar doendo de tantas risadas - e com a certeza de que ter o Léo por perto seria uma ótima ideia.

Mas não pensem que o Léo está aqui nessa lista por ser um palhaço. Mesmo porque de palhaço ele não tem nada: seu humor é no ponto, natural, sem exageros. Sua presença aqui se justifica pela pessoa maravilhosa que ele é, daquele tipo que você se sente bem só de estar perto, que traz boas vibrações, que te faz bem. Obrigado pelas risadas, pelos conselhos, pela companhia e por ter tornado o ano cinza de 2009 um pouquinho mais colorido, bicha. =)


3- Santa Dorotéia.

Como colocar em apenas um post tudo o que essa faculdade representa para mim neste momento da minha vida? Tudo que posso dizer é que cada dia ali dentro foi um dia de crescimento íntimo, de evolução intelectual, de aperfeiçoamento no meu modo de pensar. Mesmo as aulas que não acrescentavam nada, que pareciam estar ali só pra contar no currículo - me absterei de citar nomes - foram importantes, me fizeram criar disciplina e aprender a estudar.

Mas as coisas na Santa Dorotéia não fariam o mesmo sentido se não fosse 3 pessoas em especial: uma quase-neurótica, uma patricinha nervosa, uma nerd viciada em filmes europeus e um gay mal-humorado. Podia ser o cast de um sitcom americano, mas o nosso grupo é constituído assim. E que perrengue a gente passa pra conseguir manter unido um grupo tão heterogêneo de cabeças pensantes, com opiniões próprias e personalidades explosivas! Quantas foram as vezes que brigamos, discutimos, mandamos - entre os dentes e baixinho, pra que a outra pessoa não ouvisse - o outro tomar naquele lugar... Quantas discrepâncias de opiniões durante os trabalhos, quanta raiva temporária por atrasos e faltas e, principalmente, quantas calorias adquiridas com o salgado mais massudo do mundo no Quinta's Café.

Mas, na minha opinião, é graças a todas essas diferenças que o nosso grupo de amizade vai se tornando mais forte a cada dia que passa. E eu queria que vocês três, meninas, soubessem que amo vocês demais da conta, cada uma de um jeitinho diferente, mas com muita sinceridade. E saibam também que essa faculdade não teria graça alguma se não estivéssemos juntos, deferindo críticas mortais a tudo e todos, rindo mais de nós mesmos do que de tudo mais e compartilhando essa fase maravilhosa de nossas vidas.

E me sinto honrado de ser, como Carol disse, "a cola que mantém o nosso grupo unido". E continuarei mantendo, não importa o que aconteça, até que tenhamos nosso diploma nas mãos e possamos não mais ter que "nos aturar", rs. Amo vocês, meninas, e obrigado por tudo.



2- Tião.

Esse é um assunto que já foi discutido, argumentado, narrado e romanceado à exaustão, mas é impossível narrar os acontecimentos de 2009 sem passar pelo mês de junho. Contudo prometo que essa é a última vez que falo do assunto.

Eu não posso nem tentar negar que o mês de junho e, principalmente, o dia 28, foi um dos perídos mais felizes da minha vida. Aquele tipo de felicidade que fica estampado na cara, que as pessoas veem, comentam, sabem que você está bem, sabem que você tem alguém - ou, que pelo menos, pensa ter. E quando penso em Tião hoje em dia, é dessa felicidade que tento me lembrar, desses momentos que ele me proporcionou, desses estado que até agora ninguém conseguiu despertar novamente. E não há motivos para eu associar a sua imagem ao que veio depois, porque ninguém teve culpa da dor que foi causada ou dos meses que passei com um vazio que não cabia em mim. Se fui usado, foi porque permiti; se fui enganado, foi porque enganei a mim mesmo primeiro; e se ele foi sincero, como diz ser, é sinal de que não era pra ter sido mesmo.

De tudo isso, levo pra 2010 um aprendizado que eu não poderia ter de outra forma. Precisamos mesmo, às vezes, tomar tombos, rolar escada abaixo, sangrar e sangrar por meses a fio. E então, quando as feridas começam a cicatrizar, quando você respira fundo, olha pra trás e vê o quanto cresceu e amadureceu com esse tombo, você se sente renovado, pronto para o que vier.

Você, Tião, foi o meu maior tombo. Mas eu aprendi muito com as cicatrizes que você deixou, pode ter certeza. Obrigado por tudo.


1- Diego.

Eu não gosto de encarar a vida como algo circular, que tem reinícios periódicos e que nos leva quando bem entende a um ponto por onde já passamos. Por isso não gosto de aniversários ou de ano-novo. Afinal, no dia 1º de janeiro eu me sinto exatamente o mesmo que eu era no dia 31 de dezembro. Não há recomeço; não há mudanças bruscas que caracterizem esse movimento circular de estar novamente em algum lugar que você já esteve. (um monte de baboseira que eu disse, mas, se você esforçar-se, pode encontrar algum sentido, rs.)

Entretanto, em 2009, eu fui pego de surpresa por uma dessas reviravoltas da vida e, depois de algum tempo meio afastado do Diego, o tal movimento circular no qual não acredito nos forçou a retomar a amizade que sempre tivemos. E hoje eu posso dizer sem qualquer sombra de dúvidas que ele foi a pessoa mais importante do ano pra mim. Não que tenha ocorrido uma eleição para tal posto ou que eu esteja medindo algo tão imensurável quanto o amor pelas pessoas, mas tudo que passei não teria tido o mesmo sentido se eu não tivesse tido você ao meu lado.

E o processo foi longo, mas natural. Tivemos que acostumarmo-nos um com o outro novamente e, você, principalmente, teve que acostumar-se com um pequeno novo detalhe. Confesso que sempre achei que você seria o mais inflexível em relação a isso, mas você mostrou-se compreensível e disposto a aprender a conviver dessa forma. Sei que fez isso por amor a mim, e isso só fez crescer a admiração que sempre tive por você. E assim que transpomos as primeiras dificuldades causadas por essa nova situação, criamos novos laços, mais fortes que todos os outros que nossa amizade já conhecera.



Passamos por muitas coisas esse ano, compartilhamos mais tristeza, solidão e depressão do que momentos felizes. Mas, em meio a tudo isso, encontramos juntos motivos pra sorrir, dividimos o tédio irmamente e, principalmente, não deixamos o outro desistir. Eu não sei como teria sido sem você e fico feliz de não ter que imaginar isso, porque você esteve aqui cada vez que precisei e me ajudou a seguir em frente nessa porcaria de ano que tivemos.

E eu sei bem que um dia você se vai de novo. Faz parte de você ser assim e nada nem ninguém vai mudar isso. Mas, mesmo quando estivermos distantes novamente, eu me lembrarei que sobrevivi ao ano de 2009 porque você esteve comigo. E serei grato por isso para sempre.

sábado, 28 de novembro de 2009

música e divagações: "Sou", por Marcelo Camelo.

Essa é a segunda edição do "Musica e Divagações", uma coluna do meu humilde bloguinho que eu gostei muito de fazer pela espontaneidade com que as palavras saem com um trilha-sonora de fundo. Mas fiquei realmente em dúvida sobre qual álbum escolher desta vez, até perceber que eu PRECISAVA escrever sobre o primeiro álbum solo do Marcelo Camelo. O porquê dessa escolha? Bem, vamos apertar o Play e aí a gente conversa...



Faixa 1: Téo e a Gaivota

"todo amor encontra sempre a solidão."

Okay, eu sei que falar d
este cd já virou assunto obsoleto, velho e ultrapassado, afinal, esse álbum é de meados do ano passado. Mas houve uma injustiça tamanha do recebimento de algumas pessoas para com essa obra. Os fãs alvoroçados do Los Hermanos não conseguiram entender muito bem a proposta do Camelo para sua carreira a solo e o que eu li de besteira por aí sobre esse álbum não está no gibi.

Confesso que meu primeiro momento diante do "Sou" também não foi lá uma experiência única e inesquecível. Acabei fazendo um desses downloads capengas que vazam antes mesmo do lançamento e o set list veio fora de ordem, trazendo "Copacapana" como faixa 1. Pensei no mesmo momento: "Puta que pariu, Camelo! O Amarante já tá fazendo isso no Orquestra!" ¬¬'
Mas não demorou para o encantamento começar a tomar conta de mim, pouco a pouco, devagar. As audições vieram lentamente, às vezes batia aquela preguicinha - porque o "Sou" não é nem de longe um álbum de fácil audição. E foi bem de repente que me peguei totalmente fascinado por cada um dos 55 minutos que compõem esse álbum.


Faixa 2: Tudo Passa
"os ais e os hãos de ser e todos os casais também."

Mas o que causou toda essa proximidade a este álbum particularmente? Okay, eu posso estar sendo um tantinho hiperbólico nessa minha próxima fala, mas arriscarei mesmo assim, com a certeza de que posso me arrepender de ter dito isso algum dia:

"Sou" é o disco da minha vida.

Uow... vejam que eu realmente acredito nisso.. Letras grandes, em negritos.. Quem sabe eu não faça uma tatuagem, rs. Just kidding.
A verdade é que são poucas as obras de artes em que eu consigo me encaixar plenamente, me ver retratado, me sentir inserido nela. Acho que o nome disso é catarse, não é Simone? (minha maravilhosa professora de Teoria da Literatura que me transmitiu em 1 ano mais conhecimento do que jamais consegui juntar nos outros 22 anos da minha vida)


Faixa 3: Passeando

"estamos sós."

Nossa, essa é nostálgica *_*

Ouça esse dedilhado... sinta a simplicidade...

Caceta! rs
.

Mas então... voltando ao assunto...
Catarse é um sentimento que lhe invade ao peito quando você está fruindo de uma obra de arte. Você pode sofrer Catarse de dois modos: sensibilizando-se dos sentimentos e dores retratados na arte pelo fato de nunca ter acontecido contigo - aquele sentimentozinho de alívio ao fim de um filme onde o casal apaixonado termina separado, por exemplo, e você pode dar graças a Zeus porque o seu amado está ainda do seu lado.


Faixa 4: Doce Solidão
"foge que eu te encontro que eu já tenho asas."

(...)
E há, em contraponto, a Catarse onde o que acontece na obra de arte parece, aos seus olhos, uma autobiografia. Aquele filme ou música que parece ter sido escrito para você, sabe? É esse tipo de catarse que eu sofro ao ouvir o "Sou". Nunca antes tinha visto meus sentimentos tão bem resumidos em apenas um discozinho brilhante. (E esse assovio de Doce Solidão? Nunca mais saiu da minha cabeça desde a primeira vez que ouvi essa faixa.)
E sim, "Sou" é um disco que fala em sua maior parte de solidão. Acho que a palavra está presente em quase todas as faixas, quando não explicitamente, escondida em algum sentido mais profundo.



Faixa 5: Janta (com Mallu Magalhães)
"caminho em frente pra sentir saudade"

Até mesmo esta faixa, que tem por essência um relacionamento, fala da solidão que existe na vida a dois. Eu amo essa faixa de paixão, mesmo com os miados da Mallu, rs. E é uma faixa que sempre serve de trilha sonora quando estou envolvido com alguém, porque em todo "relacionamento" - que saco ter que usar estas aspas, mas ainda não posso usar a palavra relaciomento no seu sentido conotativo - que me envolvo, a solidão, a tristeza e a saudade ficam espreitando à porta, me deixando inseguro, sem perspectiva... assim, tais versos simbolizam o meu medo do filme sempre se repetir:
"eu quis te conhecer, mas chega de insistir caberá ao nosso amor o que há de vir." E, infelizmente, toda vez que usei esses versos para lançar à sorte meu envolvimento com alguém, o resultado foi solidão.



Faixa 6: Mais Tarde
"acho que não vai dar, tô cansado demais."

Ah, solidão.
Ultimamente eu tenho sido muito questionado sobre minha solidão. Sobre meus hábitos taciturnos, minhas fotos tristes, meu gosto por música e filmes depressivos... E minha resposta é sempre a mesma: eu não posso fugir do que sou. Quando tiro uma foto que fica triste, nostálgica, depressiva, não é porque quero que ela saia assim. Não falo: "Peraí, Diego, espera eu ficar bem triste.. quando vir meus olhos marejar, você tira a foto, okay?" Não é assim que as coisas acontecem.

O problema é que, na verdade, quem me conhece, sabe que eu sou a pessoa que mais ri nesse mundo. Adoro dar risada, rio até da coisa mais sem graça do mundo e tenho sempre pronta uma piadinha sem vergonha para fazer. E não faço isso para parecer feliz perante a sociedade, nada disso. Tampouco uso isso para dissimular com meus amigos o que realmente sinto. Eu não tenho motivos para fazer algo do gênero. Tassiane esses dias me disse que eu preciso parar de colocar fotos depressivas no orkut, que tenho que parar de mostrar para as pessoas que sou assim. E minha resposta para ela foi simples e inexorável:


Faixa 7: Menina Bordada
"moça por favor, cuida bem de mim."

(...)

EU NÃO POSSO FUGIR DO QUE SOU!

E se minhas fotos saem da forma que saem, talvez estejam refletindo o que está na minha alma. E que mal pode haver em algo assim? Em você poder expressar o que você realmente é, sem máscaras, sem maquiagem... você, cru, de verdade. Eu só vejo beleza em uma coisa dessas.


Portanto, concluindo esse papo doido, passou da hora de refletirmos sobre esse paradigma de que a tristeza é má. Okay? Podemos ser mais sensatos que isso. Pra mim, toda boa obra de arte tem uma boa dose de tristeza e minha essência também é feita disso. É essa tristeza íntima e benéfica que me faz ter a visão de mundo peculiar que tenho.
Obviamente que às vezes essa essência me faz mal e me deixa triste do jeito ruim da palavra. Mas tudo na vida tem esse lado pesado e obscuro.. e chega de filosofia de boteco que eu já estou falando bobagem, rs.


Faixa 8: Liberdade (com Dominguinhos)

"é deus, parece que vai ser nós dois até o final."

Bom, como falei quando fiz o "Música e Divagações do Kings", eu não tenho nenhum conhecimento teórico sobre música. O meu gosto vai muito por alguma coisa íntima, uma melodia que me pega desprevinido, um som que me faz sonhar e viajar, um verso que significa muito mais que palavras em um ordem sintática... E eu gosto muito dessa relação que tenho com a música, uma relação que parece uma amizade. Às vezes você tem amigos que não são lá grandes gênios contemporâneos, mas você ama aquela pessoa do jeitinho que ela é... E a música pra mim pode ser a mais simples possível, contanto que desperte em mim algum sentimento bom.



Faixa 9: Saudade (instrumental, por Clara Sverner)


(...) Digo isso tudo porque este álbum do Camelo tem seus momentos orquestrais e tem momentos da pura simplicidade de um violão dedilhado. Se "Téo e Gaivota" tem sua beleza complexa ressaltada pela particapação do Hurtmold - banda de música instrumental que acompanhou o Camelo na gravação do álbum e na turnê -, "Saudade" à voz e violão não perde um mísero ponto por ser mais simples e delicada.
Essa é apenas uma agulhadinha em gente que acha que música é aquela que faz quebrar os dedos pela complexidade das notas.
Há música na simplicidade. E bela música, por sinal.


Faixa 10: Santa Chuva

"meu coração já se cansou de falsidade."

Essa aí ele escreveu, deu de presente para a Maria Rita e depois tomou de volta, rs. Eu gosto muito mais da versão dele. E é engraçado que na época do Los Hermanos eu sempre fui mais fã das canções do Amarante. As do ruivo sempre eram as consideradas favoritas por mim, até que, ao ouvir o "Sou", fui levado a uma reflexão profunda sobre o lirismo de Camelo. Não que desgostei das do Amarante, mas passei a dar mais importância a canções que antes me passam meio despercebidas.




Faixa 11: Copacabana
"todo destino padece aqui."

Aaaah, olha a dita cuja aí! rs.
Okay, estranhei ela de começo, mas agora eu adoro. Mesmo odiando carnaval e as coisas que remetem a ele... Mas essa música tem um ar nostálgico da época que o carnaval parecia ser uma coisa bacana... Gostaria de ter presenciado essa época do carnaval.


Faixa 12: Vida Doce
"assim eu caminho no tempo que eu bem entender."

Puta que Paréu! Eu sou completamente apaixonado por esta música.
Adoro o ritmo de carimbó, adoro a letra, adoro o jeito arrasto do Marcelo cantar... Essa é, a propósito, o toque do meu celular, rs.. Sendo que ando precisando trocar isso, porque me traz más recordações >.< Bem, vou começar as considerações finais, porque com certeza elas renderão as próximas 2 faixas. Meu amor por esse cd cresce a cada dia mais, a cada escutada, a cada análise das nuances das letras, a cada descoberta de um novo som, uma sutileza no dedilhado ou um minúcia no tom de voz do Camelo.


Faixa 13: Saudade

"amor, eu vivo tão sozinho de saudade."

(...)
E esse amor é sim um amor triste, porque "Sou" é uma obra triste. Mas ela revela em suas entrelinhas uma esperança de uma Vida mais Doce, de um encontro com a Liberdade, de acontecimentos felizes guadados para Mais Tarde. E precisamos aprender a ver sutilezas escondidas na tristeza e na solidão. Porque o crescimento e amadurecimento sentimental estão escondidos nos momentos em que sofremos. Não há crescimento na alegria, não há reflexão num momento feliz. Pelo menos assim eu acho.


Faixa 14: Passeando (instrumental, por Clara Sverner)


Obrigado, Camelo, por ter colocado toda a sua alma em cada nota desse álbum e ter compartilhado com a gente a transparência de sua sensibilidade. E fica assim: até segunda ordem, "Sou" é um retrato dos recônditos mais profundos da minha alma.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

sobre sonhos - e o autoconhecimento que eles provêm.

E quando seu coração acostumou-se com a tênue ausência e quando a dor voraz que sentira transformou-se num incômodo insignificante em suas noites insones, aquela longínqua tarde cinzenta de domingo foi envernizada com uma aura onírica que lhe trazia um pequeno sorriso de satisfação ao rosto. Um sonho doce, despretensioso, com um quê de sagrado e um gosto de eternidade. Tinha dias que sequer conseguia distinguir se ele realmente existira; o conceito de realidade se extinguia diante da perfeição indubitável daquele momento e lhe parecia um tanto mais plausível aceitar a condição de que ele fora um capricho de sua mente criativa.

Havia, entretanto, algumas fotografias que impunham friamente um inexorável tom de existência àquela tarde. Mesmo assim, de todas as fotos, ele só conseguia associar verossimilhança à qual estava sozinho, mãos afundadas no bolso e expressão de contentamento. Sozinho, somente ele, o mar calmo e o céu cinza. Não seria talvez uma mentira cômoda esse papo de que ninguém nasce para ficar sozinho? Uma convenção social para aqueles que não podiam encarar a realidade de que viveriam e morreriam sozinhos? Ele sempre fora, por excelência, um solitário. Entendia-se na individualidade de sua alma e descobrira que estar com outra pessoa não era nada senão um sonho. “Talvez a vida baseie-se nisso: na dor causada por esses filhos-da-puta e no nosso esforço sobre-humano de reconstruirmo-nos e colocarmo-nos de pé novamente”, ele pensava agora.

E quando tornou-se capaz de separar sobriamente o sofrimento que lhe fora causado deste sonho paradoxalmente efêmero e eterno, descobriu tanto de si mesmo que, por um breve momento, assombrou-se. Era agora nítido que não devia nunca diminuir-se pela escolha de outrem de não permanecer ao seu lado, afinal, talvez a magnitude de seu ser não podia ser compreendido pelo outro. E pensava nisso sem soberba ou pretensões que não lhe cabiam, mas com a verdadeira modéstia de quem compreende-se pela primeira vez e percebe que é maior do que sempre pensou ser possível ser. Não sentia-se mais incompleto diante da rejeição, pois tinha em si mesmo a completude de entender-se por fim. E gostava da forma como suas qualidades e defeitos, seus conhecimentos e suas ignorâncias fundiam-se no intuito de formar uma personalidade única, porém, ordinária; complexa e, ao mesmo tempo, simplista.

Mais do que tudo, aprendera que as pessoas que escolhem não fazer parte de sua vida não levavam nada dele, não sedimentavam o todo que ele compunha. Não era possível dividir sua essência, porque ele era muito mais que um conjunto de características idiossincráticas justapostas de qualquer forma. E que satisfação intumesceu-lhe a alma ao sentir-se pela primeira vez único, completo e digno da vida.

Ele podia estar longe de ser a beleza de um poema de Drummond, mas tampouco era a mediocridade de um romance de Paulo Coelho. Ele descobriu um equilíbrio entre a complexidade do seu ser e a simplicidade de encarar a vida através do seu ritmo natural. E, por enquanto, isso lhe bastava plenamente.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

"De volta aos meus oito anos"

Nota: Eu escrevi esse texto para um trabalho de Teoria da Literatura na faculdade, onde eu precisava fazer uma paráfrase ou paródia que tivesse uma relação intertextual com o poema "Meus Oito Anos", de Casimiro de Abreu. Quem sou eu para fazer uma coisa dessas! Mas as meninas do grupo apreciaram o resultado e, por essa razão, resolvi postá-lo nesse cantinho. Afinal, eu falo pouco da faculdade aqui e é legal mostrar, de vez em quando, o que ando fazendo por lá.
Depois me contem o que acharam do texto. Gostaria da opinião sincera de vocês.


"De volta aos meus oito anos", por Raphael Cardoso


"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!"
(Casimiro de Abreu)

Quando as marcas do tempo tomaram formas físicas e enrugadas em meu rosto pálido e quando o peso dos anos materializou-se sobre meus ombros, curvando abruptamente minha coluna, fui deixado para desvanecer lentamente num pardieiro imundo disfarçado de casa de repouso. Eram dias em que o negrume da morte encolhia-se no canto do quarto empoeirado, esperando ansiosamente um fracasso previsível do meu cansado coração. O sonho dourado desbotava-se em pesadelo frio de ferro; o hino de amor silenciava-se gradativamente em um murmúrio de agonia.

Certo dia ensolarado, pedi amigavelmente a um dos enfermeiros por quem tinha enorme apreço para me levar ao mar, que não ficava tão longe, para que meus olhos desfocados pudessem, por uma última vez, apreciar a imensidão azul. Em sua já conhecida boa vontade, em seu uniforme alvo impecável, o anjo acomodou-me com dificuldade na ambulância enferrujada que o asilo dispunha e levou-me à praia. Segurou com seus dedos fortes a minha mão ossuda e guiou-me pela areia fina até o mar sereno. Vi meus pés cansados e velhos sumirem numa pequenina onda borbulhante. Então, quando a água retornou, sorri surpreendido ao mirar, no mesmo lugar dantes, dois pezinhos vigorosos sentindo as cócegas causadas pela areia acumulada entre os dedos. Senti-me forte, revigorado, pronto para trepar em árvores para colher frutos ou para correr pelas campinas a caçar borboletas. Mas a saudade da minha infância era tão grande, que nada disso era prioridade. Com toda gratidão que me era possível, virei para o enfermeiro e disse-lhe:

— Pode soltar minha mão agora, anjo. Minha mãe deseja segurá-la.

Seu rosto jovial contorceu-se em dúvida, mas ele acatou meu pedido. Foi quando senti a mão suave de minha mãe entrelaçando-se com a minha, o que trouxe lágrimas repentinas aos meus olhos cansados.

— Ei, pequeno — sua voz doce, mas rigorosa, ressoou aos meus ouvidos —, por que choras? És o primeiro rapazinho de oito anos que vejo se emocionar ao ver o mar. Vás brincar, menino! Pares de manha.

A aurora de minha vida estava novamente descortinada diante de mim, como se fosse possível rejuvenescer a inocência de minha alma. Mas o toque do anjo no meu ombro trouxe-me com um baque de volta à realidade:

— Já é hora de voltar, senhor.

E então, o mar escondeu os pezinhos com sua água cristalina e, quando a onda regressou, pés calejados e fracos encontravam-se em seu lugar. Lancei um último sorriso desdentado para o mar e caminhei ao lado do anjo, de volta para o carro.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

sobre as cercas — e o que quer que elas dividem.

Há 10 minutos atrás, acabei de ler o best-seller de John Boyne “O Menino do Pijama Listrado”, muito comentado e na maioria das listinhas de pessoas que leem o que tá na moda e o que está sendo indicado pela revista Veja. O livro, como vários outros já fizeram à exaustão, trata dos terrores da II Guerra Mundial e sequer há inovação na escolha de abordar o assunto pela perspectiva de uma criança — já que, há alguns anos atrás, a autora de outro best-seller, "A Menina que Roubava Livros", usou com tanta beleza tal recurso.

Portanto, qual o motivo do burburinho em torno deste romance?

Eu não tenho resposta para tal pergunta, mas falo por mim ao dizer que Boyne me encantou com a sensibilidade colocada homeopaticamente em cada palavra das 186 páginas de sua história. Sem errar na medida, sem abusar de um melodrama que muitas vezes inunda histórias com essa temática, o terror do holocausto se torna um eufemismo que somente a pureza dos olhos de uma criança poderia captar. E esse é o grande trunfo do autor: colocar em sua narrativa brilhantemente a visão do mundo de Bruno, o menininho de 9 anos que não entende porque teve de deixar Berlin, porque há uma cerca separando sua nova casa de um campo onde todas as pessoas usam pijamas listrados ou porque os soldados “entram e saem da sua casa como se mandassem no lugar”, nas próprias palavras do menino.

Assim, para conseguirmos usufruir e gostar do livro, é necessário ver o mundo pela ótica de Bruno: o Fürer torna-se o Fúria, o campo de concentração de Auschwitz se torna Haja Vista e o problema de bebida da mãe pode transforma-se num simples vício em xerez medicional. Esse mundo de eufemismo criado pelo autor é tão atraente que nos sentimos forçados a acatar a ideia e esquecer-nos das atrocidades causadas pelo regime nazista e fingir — pelo menos por um instante — que tudo não passa de um imbróglio para o qual Bruno não encontra explicação.



E tudo leva à amizade dos dois meninos, um alemão e um judeu, onde o autor prefere apontar as semelhanças às diferenças, o que os aproxima do que os separa. Mais uma abordagem sensível, sutil e simples de John Boyne.

No fim do livro, tomado pelo sarcasmo característico da irmã mais velha de Bruno, Gretel — o Caso Perdido — Boyne diz:

“Claro que tudo isso aconteceu há muito tempo
e nada parecido poderia acontecer de novo.
Não na nossa época.”

Infelizmente, sabemos plenamente que ainda há muitas cercas separando os seres humanos e que estamos longe de ser agrupados pelas nossas semelhanças, prevalecendo a separação e o preconceito pelas nossas diferenças.

Quisera cada um ter um pouquinho de Bruno e sua inocência dentro de si...

domingo, 18 de outubro de 2009

de bolso.

Eu venho mantendo este blog por mais de um ano, me dedicando ao tentar fazer textos que deixem transparecer a minha verdade, os meus sentimentos e os meus pontos de vista em relação ao mundo. Contudo, eu tenho a devida noção e o bom senso de saber que pouquíssima gente passa por aqui - e, de certa forma, a popularidade não é e nunca será a meta desse blog. Os motivos para esses poucos acessos podem ser explicados facilmente: em primeiro lugar, podemos culpar a rotina desgastante e o cotidiano corrido que impede até mesmo o contato com as pessoas próximas de nós, com quem moramos e compartilhamos a mesma casa. Mas, principalmente, é característica do ser humanos egocêntrico de hoje em dia não dar a mínima para o que o outro pensa, sente e expõem. Cada ostra dentro de sua própria concha, guardando o brilho reluzante de sua pérola para si mesmo.

O tumblr, portanto, é o blog ideal para esse novo ser humano preguiçoso e desinteressado que não quer gastar seu precioso tempo conhecendo melhor as pessoas que o cercam. Não pelo conteúdo do site, já que ali há a chance de compartilhar vídeos, músicas, citações, textos e tudo mais, mas pela agilidade com que essa informação é passada, pela organização simples, sem floreios, sem a burocracia dos outros blogs.

Encantado pela ideia do site, não resisti e abri um "sub-blog" pra servir de apoio a esse aqui, que já é um velho amigo meu. Lá estarão pensamentos, vídeos bacanas, músicas imperdíveis, links interessantes e o que mais vier à cabeça - tudo no tamanho exato da sua preguiça.

Portanto, separe 5 minutinhos e dê um click. Você não vai precisar de mais que isso.

Visite o "sob o boné - drops" clicando aqui.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

amor retratado. simplesmente.

Em tempos de Big Brother, Reality Shows e sensacionalismo exarcebado, eis que me deparo com um modo diferente de retratar o cotidiano e de mostrar com sutileza e sensibilidade a pureza dos sentimentos. Esta é a proposta dos irlandeses Quinnford e Scout que, juntos desde de 2008, usam uma Cannon e muita criatividade para registrar sua relação e compartilhar com todos através da World Wide Web.

A proposta do Quinnford+Scout Project é muito simples: dois caras apaixonados retratam seu cotidiano e dividem com que interessar. Como eles próprios definem no site, a intenção é "capturar os pequenos detalhes que sublinham o excitamento de estar com alguém, seja sexualmente, sentimentalmente ou na vida doméstica."

E tudo não passaria de uma exposição gratuita se não fosse a ARTE que esses dois caras colocam em suas fotos, seja nas mais simples, como um preguiçoso desjejum, às mais elaboradas, como um dia ensolarado num parque em Lisboa. A iluminação exata, a câmera posta no ângulo perfeito, os movimentos minuciosamente sincronizados e a espontaneidade que eles alcançam transformam até mesmo o mais singelo momento, que passaria despercebido em nossas rotinas aceleradas, em uma genuína obra-de-arte.

E o que, afinal, move esse projeto e essa sinceridade crua que tais fotos nos revelam?
O Amor. Naquela forma que muita gente já deixou de acreditar e acha que só existe nos filmes melosos hollywoodianos. Um amor sutilmente notado no posicionamento de mãos e num brilho diferente no olhar ou escancaradamente exposto em gestos voluptuosos e ações cheias de desejo.

Paixão, amor, tesão, dia-a-dia... tudo isso se mistura de forma muito artística e sensível nesse corajoso projeto. Vale a pena dar um clique nos links abaixo e conhecer como uma ideia tão desgastada ultimamente - a banalização do cotidiano pelo sensacionalismo televiso - pode tomar rumos bem distintos quando movido pelo amor.

(okay, soou breguinha, mas eu sou o último dos românticos, assumo. risos.)


Links para o Quinnford + Scout Project:





segunda-feira, 21 de setembro de 2009

música e divagações: "Declaration of Dependence" by Kings of Convenience

(...)
But I can't stop listening to the sound
of two soft voices blended in perfection
from the reels of this record that I've found.
(Homesick, Kings of Convenience)

Eu não me lembro mais quando foi a primeira vez que eu ouvi Kings of Convenience ou onde foi que descobri o som desses dois noruegueses. Mas de alguma forma, eu tenho a certeza de que foi paixão à primeira ouvida. Violões dedilhados, vozes suaves, melodias hipnotizantes e letras sinceras... Uma mistura que me pegou de jeito e se tornou um verdadeiro vício.

E depois de 5 anos sem material inédito, eis que tenho às mãos (metaforicamente, porque na verdade, o que tenho é um download sem-vergonha, rs) o tão aguardado Declaration of Dependence. Esse post está sendo escrito durante a primeira audição desse novo álbum, em tempo real, sem correções ou preocupações orotgráficas. Simplesmente Música e Divagações.



faixa 01: 24-25

A primeira lembrança que tenho do som dos Kings é um moleque falando sobre eles na comunidade do Jack Johnson, num bate-papo que havia lá, onde havia uma rixa entre paulistas e cariocas por causa dos show do Jack (onde tinha sido o melhor show, onde ele tinha gostado mais de tocar... coisa de fã besta). E esse cara passou o endereço para uma Jukebox no site dos Kings onde era possível ouvir todas as faixas do Riot on an Empty Street de graça... Nessa época minha net era discadona, não sei se foi lá que eu ouvi ou se baixei o cd.. mas o importante é que devo muito a esse moleque que eu realmente não sei quem é... rs...
O cd começa bem. Eirik fazendo a primeira voz... Eu acho que eu gosto mais da voz do Erlend, mesmo que me doa fazer uma afirmação dessas... E tipo, eu não entendo tecnicamente de música. Música pra mim é muito mais uma coisa de feeling do que ficar esperando acrobacias espetaculares com os dedos ou vocais guiados pelos anjos ou por outros seres celestes - sendo que a voz desses dois tem um toque divino, viu?
Eita, a música tá com um cortezinho no final ¬¬' Damn it!

faixa 2: Mrs Cold

Essa aí já é uma velha conhecida: foi a primeira a vazar e o meu Last.Fm já contabilizou 83 execuções desta faixa (em 3 meses). Eu e meus amigos íamos sair e ao dar um pulinho na comunidade dos Kings no Orkut, eis que me deparo com o download dessa faixa ripado de uma rádio norueguesa: ah não! me atrasei mas tive que baixar! E ela é bem viciante, acho quer Mrs Cold é pro Declaration o que Misread foi pro Riot. Adoro =)

faixa 3: Me in You

Nossa, essa é tipicamente uma bossa nova... podia estar num álbum do João Gilberto ou do Jobim... Pra quem não sabe, João Gilberto é uma das inspirações dos caras e veja só que ironia: lá na Noruega tem gente dando valor pro que temos de bom aqui enquanto nós mesmo não sabemos apreciar isso...
Eu queria entender as letras... mas meu inglês de ouvido é bem ruinzinho... Eu preciso melhorar isso, afinal, se vou ser professor de inglês, não vou poder chegar com essa desculpa para os alunos né? "Ah, o professor aqui não entende muito bem o inglês falado não.. mas pra quê? Escreve num papelzinho o que vc quer falar, querida." uhahuauha

"Oh, it's a little bit of me inside you gathering what you've lost
Oh, there's a little bit of you in everyone

And I'm watching you now
I see you building the castle with one hand
While you tearing it down with the other"


Nossa, essa é demais =O
E veja só, consegui extrair o refrão \o/ auhauhahua
Que paz que esses dois conseguem trazer com sua música. Fantástico!

faixa 4: Boat Behind

"Ooooh, ooohhhh, ooooohhhh
I could never belong to you"


Essa aí é daquelas que a gente canta junto ou fica assoviando o dia todo no trabalho, com a música grudada na cabeça... Música chiclete da melhor qualidade.
E Bot Behind (junto com Mrs Cold) é o primeiro single desse álbum e já tem clipe:



Nossa, já pensou uma road tripping com Eirik e Erlend? E esse céu? E esse sol?
brisante o clipe =O
Deu uma puta vontade de cair na estrada ao som de Kings... deve ser bom demais... Direto pro litoral *.*

faixa 5: Rule my World

Engraçado que Boat Behind me faz lembrar a viagem pra Rio das Ostras que eu e Diego fizemos há uns meses atrás... Mas aquela viagem não tava nesta vibe, não. Foi uma viagem bem introspectiva e não tao amarelada e esperançosa como aquele videoclipe. Mas foi uma boa viagem...

Aaaaah, essa tá cortada no meio =/
Que droga, véio... maravilhosa faixa... isso que dá fazer download antes do cd vazar, sempre vem com umas falhas deste naipe... Mas a metade que eu tenho aqui pode fazer desta uma das melhores faixas do álbum.. linda!

faixa 6: My Ship Isn't Pretty

Essa tem um nome engraçado..
Mas é bem introspectiva.. bem sutil... a voz do Eirik em primeiro plano e o violão acompanhando sutilmente... Bem bonito, viu?
E termina com um violãozinho sendo dedilhado láááá no fundo, quase que imperceptível.. que maravilha, véio..
Veja que minhas descrições são maravilhosas, né? Sou quase um crítico de música KKKKK



faixa 7: Renegade

Violão mais forte novamente... Ai cara, eu falei que prefiro a voz do Erlend mas eu nem sei mais... O Eirik tava fantástico ali na faixa de cima.. a voz do Erlend é mais alegre... E fantástico como colocaram as suas vozes em primeiro plano nesse álbum, bem bossa-nova mesmo...
Sabe uma coisa irritante? Tô aqui curtindo esse momento maravilhoso ouvindo o melhor cd do ano e tenho que estudar para a prova de Linguística logo em seguida. Um verdadeiro paradoxo: do céu ao inferno.
(Nada contra a Linguística, tudo contra a professora)
Falando na faculdade, o que Lisys teria a falar desse álbum, hein? ela que gosta de arranjos complexos e...

faixa 8: Power of Not Knowing

... e manobras no piano dignas de uma tendinite... Aposto que ela falaria mal... Mas ninguém fala mal dos noruegueses perto de mim, ran! U.U
E eu acho tão difícil alguém (excetuando o João Gordo) não gostar do som dos Kings... porque é uma coisa muito agradável, não tem como incomodar alguém a ponto de criar uma aversão ou algo do gênero...
ué, já acabou? nem deu tempo de eu falar Õ.o
kkkkkkkkkkkkkkkkk

faixa 9: Peacetime Resistance

Essa já começa com o violino à la Boat Behind... Bom demais =D
Nossa, falei da Lisys, ela me manda sms =O que vínculo espiritual #zoa uhahuahuahua
Mas, voltando ao assunto, eu sou muito fã de uma assim, mais simples (não simplória), sem floreios, com beleza genuína debruçada na simplicidade... Os Kings são minha paixão, mas também entram nesse time o Eliott Smith e seus álbuns Lo-fi, José González e sua música cinza, Damien Rice e seu violão triste, Feist e a magia da sua voz... Tem muita gente boa fazendo música assim...
Aliás, podia ter rolado mais um dueto com a Feist nesse álbum, hein? Build-up é obra de arte, lindo demais *.*

faixa 10: Freedom and its Owner

Essa aí é mais uma das que vazaram e eu já ouvi à exaustão. Na verdade, das 4 que haviam vazado, é a minha favorita.. e é na voz do Eirik, brilhantemente interpretada por ele..
adoro essa paradinha... "This time is me.. is me..."
Nossa, esse post deve tá uma bagunça KKKKKK eu tô escrevendo como se fosse uma conversa de MSN... se você conseguiu chegar até aqui, manda um salve.. uhahuauhauha



faixa 11: Scars on the Land

E a capa? Nem falei da capa... Acho a mais bonita das 3, mesmo que a sutileza da capa do Riot me encante... Mas essa capiturou de verdade o clima da música do Kings.. resumiu muito bem toda essa vibe calma de fim de tarde na praia...
E essa capa vazou logo após quando eu e Diego voltamos de Rio das Ostras e, de certa forma, ela tem um pouco da forma das fotos que tiramos por lá... Okay que a paisagem deles é infinatamente mais bonita, mas digamos que foi uma intertextualidade meio louca, rs.

faixa 12: Second to Numb

Aaaaah, tá acabando >.< É triste pensar que pode demorar mais 5 anos pra sair outro álbum desses.. o Erlend, pelo que ouço dizer, já que não sou amigo íntimo do cara, é um puta perfeccionista... Imagina só, o Eirik deve sofrer nas mãos dele KKKKK Tomara que esse cd saia aqui no Brasil.. o Riot eu consegui comprar, foi até barato.. mas o Quiet só tem importado, pra lá de 100 reais... foda isso, eu até queria ter os cds originais das minhas bandas favoritas, mas a maioria não é lançado aqui no Brasil... Cara, o cd tá perfeito =O Que loucura.. cd bom do começo ao fim é coisa rara hoje em dia.. Sendo que eu já esperava isso, né.

faixa 13: Riot on an Empty Street

Que bom que essa musica foi incluída no álbum, porque ela é linda... Por que será que ela ficou fora do Riot? Muito estranho...
Bem, o cd tá aprovadíssimo, realmente maravilhoso. Valeu os 5 anos de espera.
Clicando no nome das canções, você pode baixar todas elas.. os créditos de download são pra Raquel Amorim, lá da comunidade do Kings no Orkut.
Agora deixa eu dar uma editada nesse post e tirar esse monte de reticências. Se Marília (minha professora de Leitura e Produção de Texto) pega um texto meu desse jeito, ela me castra, rs.

Até a próxima gente.



"Freedom never greater than its owner
No view is wider than the eyes."

sábado, 5 de setembro de 2009

friburgo-indie?!

Hoje eu e diego gastamos a tediosa tarde de sábado jogados no sofá e trocando de canal compulsivamente. Para quem não conhece meu pequeno e humilde município uma coisa anda se propagando por aqui indevidamente (além de mato, frio e gente besta): canais de televisão, com programação focando 24 por dia o nosso cotidiano simplório. Já temos 3 canais legitimamente friburguenses até o dado momento, com programação de gosto duvidoso e qualidade criticável.

Contudo, foi em um desses 3 canais que nos espantamos ao ouvir uma melodia bem arranjada com influência de indie-pop e ver que as cenas do clipe traziam paisagens de Nova Friburgo, de lugares tão conhecidos por nós como Lumiar, bairro Ypu, e até a infernal rodoviária pública - que poderia dar uma postagem para narrar as coisas inacreditáveis que lá acontecem.

Descobrimos pela entrevista dada ao tal canal que o nome da banda é Bild e que os moleques realmente são daqui. Eu, particularmente, gostei do clima idílico da música, tão parecido com o de bandas que ouço no meu dia a dia, e da forma que as luzes e os ângulos do clipe focalizaram bem a essência do nosso singelo esconderijo no alto da montanha.

Eu não conheço os caras, mas estou colocando aqui o clipe que tanto me chamou a atenção. Pra vocês, meus amigos de longe, espero que vocês se sintam mais próximos e consigam captar o clima da cidade de que tanto falo:





Lá no MySpace dos caras tem outras músicas e mais informações para quem se interessar:

http://www.myspace.com/bildrock

Indie-Folk Friburguense... Essa realmente me surpreendeu. Õ.o
Até a próxima, pessoal.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

momento dandara luz

Oi gente bonita, sarada e perfumada?

como estão? tudo gracinha?
que saudadinha de vocês...
eu apareço assim de repente, trazendo todo esse glamour pop-pink e você pensa "Jesus Cristinho, já chegou carnaval?" =O
Não, sua boboca, não é isso não...

hoje vim simplesmente repassar um e-mailzinho muito divertido que me enviaram... pra homarada que frequenta esse blog (se é que tem algum, rs), que tal testarmos o seu nível de macheza, hã?
eu acho esse teste supeeeer válido, já que todas as minhas respostas foram E..

divirtam-se e beijomeliga!




Tabela de graduação de machos

1 - Esportes
a.. Futebol, automobilismo, esportes radicais > MACHO
b.. Tênis, boliche, voleibol > TENDÊNCIAS GAYS
c.. Aeróbica, spinning > GAY
d.. Patinação no Gelo, Ginástica Olímpica > BICHONA
e.. Os mesmos anteriores, usando short de lycra > LOUCA

2 - Comidas
a.. Capivara, javali, comida muito apimentada > CONAN
b.. Churrasco, Massas, Frituras > MACHO
c.. Peixe e salada > FRESCO
d.. Sanduíches integrais > GAY
e.. Aves acompanhadas de vegetais cozidos no vapor > BICHA ASSUMIDA

3 - Bebidas
a.. Cachaça, cerveja, whisky > MACHO
b.. Vinho, vodka > HOMEM
c.. Caipifruta > GAY
d.. Suco de frutas normais e licores doces > MUITO GAY
e.. Suco de açaí, carambola, cupuaçu, com adoçante > PERDIDAMENTE GAY

4 - Higiene
a.. Toma banho rápido, usa sabão em barra > LEGIONÁRIO
b.. Toma banho rápido, usa xampu e esquece das orelhas ou do pescoço > MACHO
c.. Toma banho sem pressa, curte a água e soca umazinha > HOMEM
d.. Demora mais de meia hora e usa sabonete líquido > TENDÊNCIAS GAYS SÉRIAS
e.. Toma banho com sais e espuma na banheira > VIADAÇO ASSUMIDO

5 - Cerveja
a.. Gelada e em grandes quantidades > MACHO
b.. Só cervejas extra, premium e importadas > HOMEM FINO DEMAIS
c.. Só uma às vezes para matar a sede > BICHICE SOB CONTROLE
d.. Com limão e guardanapo em volta do copo > BICHA
e.. Sem álcool > GAZELA SALTITANTE

6 - Presentes que gosta de ganhar
a.. Ferramentas > OGRO
b.. Garrafa de whisky > MACHO
c.. Eletrônicos, informática > HOMEM MODERNO
d.. Roupas > VIADO
e.. Flores , velas aromáticas, perfumes, bombons > DONZELA VIRGEM

7 - Cremes
a.. Só pasta de dentes > MACHO
b.. Protetor solar só na praia e piscina > HOMEM MODERNO
c.. Usa cremes no verão > BICHA FRESCA
d.. Usa cremes o ano todo > BICHONA TOTAL
e.. Não vive sem hidratante > FILA DE ESPERA DA OPERAÇÃO PRA TROCA DE SEXO

8 - Animais de estimação
a.. Animal de quê? > MACHO
b.. Tem um vira-lata que come restos da comida > HOMEM
c.. Tem cão de raça que vive dentro de casa e come ração especial > BICHA
d.. O cão de raça dorme na sua própria cama > BICHONA TOTAL
e.. Prefere gatos > TOTALMENTE PASSIVA

9 - Plantas
a.. Nem pra comer > TROGLODITA
b.. Come algumas de vez em quando > RAMBO
c.. Tem umas no quintal, nem são regadas > HOMEM
d.. Tem plantinhas na varanda do apartamento > VIADO
e.. Rega, poda e conversa com as flores do jardim > BICHONA PERDIDA

10 - Espelho
a.. Não usa > VIKING
b.. Usa para fazer barba > MACHO
c.. Admira sua pele e observa seus músculos > GAY
d.. Idem c, e ainda analisa a bunda > LOUCA
e.. Admira-se com diferentes camisas e penteados > TRAVECO

11 - Penteado
a.. Não se penteia > MACHO
b.. Só se penteia pra sair à noite > HOMEM
c.. Se penteia várias vezes ao dia > FRESCO
d.. Pinta o cabelo > BICHONA TOTAL
e.. Dá conselhos de penteados > BICHAÇA LOUCA

12 - Limpeza da casa
a.. Varre quando a sujeira estala na sola do pé > ANIMAL
b.. Varre quando o pó cobre o chão > MACHO
c.. Varre uma vez por semana > FRESCO
d.. Limpa com água, detergente e aromatizante > GAYZAÇO
e.. Usa espanador de pó e tem um avental > É A ESPOSA DO ESPANADOR

13 - Filmes
a.. Sexta-feira 13, A Hora do Pesadelo, Brinquedo Assassino, Laranja Mecânica, Pânico > MAD MAX
b.. Indiana Jones; filmes de Charles Bronson, Chuck Norris e Bruce Lee, > MACHO
c.. Os Trapalhões, Loucademia de Polícia, Um Tira da Pesada > FRESCO
d.. Forrest Gump, A Lagoa Azul; filmes de Richard Gere, Leonardo di Caprio e Julia Roberts > BICHONA
e.. Super Xuxa contra o Baixo-Astral, Eliana e o Segredo dos Golfinhos > GAZELAÇA
f.. O Segredo de Broke Back Mountain > DESVAIRADA

domingo, 16 de agosto de 2009

descoberta.


É como se já acordasse fatigado e indisposto e o máximo de esforço possível fosse se arrastar até o sofá e alienar-se com qualquer entretenimento fácil que não exigisse o trabalho de seus neurônios. Há um peso sobre ele, algo que o afunda no estofado gasto a ponto de poder ouvir suas costelas estalarem. Quando pode finalmente levantar-se, a tarde já ilumina a casa com seu ameno brilho invernal e o máximo que seu ânimo lhe permite é um ida à casa de um amigo. Não que isso represente grande diferença, já que o procedimento é o mesmo: televisão e o corpo estendido, inerte, preguiçoso. É assim que ele gasta aqueles que deviam estar sendo os melhor anos de sua vida.

Constantemente ele questiona-se o quanto daquilo tem relação com o rapaz de nome anacrônico que partiu seu coração. E surpreende-se ao perceber que muito pouco. A ferida aberta causada por ele já transforma-se gradualmente num pequeno risco rosado na epiderme de sonhos, uma efêmera cicatriz de expectativas frustradas. Continua exorcismando aquele fantasma com veemencia, mas o poder que ele exercia sobre seus sentimentos não existe mais.


E ao deitar a cabeça no travesseiro e mirar os desenhos assimétricos feitos no teto pela infiltração, ele percebe que está de volta ao vazio que sempre o acompanhou antes da aparição miraculosa do cabofriense. Fora iludido com promessas de que dessa vez ia ser diferente, mas é exatamente a mesma coisa que sempre sentiu e só precisa de um pequeno espaço de tempo para acostumar-se novamente àquela solidão. Uma solidão que não tem nada de doce, ele bem recorda-se agora.

Quando o sono promete anestesiá-lo e em meio às primeiras imagens oníricas em suas pálpebras, a descoberta está finalmente feita, nítida e pulsante entre seus primeiros devaneios:

"Eu preciso URGENTEMENTE ser amado."

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

doce solidão.

o micro-ônibus desliza lentamente deixando o céu cinza de friburgo para trás. enquanto as montanhas ficam no passado, a pressão do meu corpo cai, me sinto mal. está calor dentro do pequeno caixote com rodas e eu fecho os olhos, me obrigado a dormir.

é assim que curamos as cicatrizes que não querem sarar; fechando os olhos.

é estranho estar de volta. à primeira curva para entrar na estrada beira-mar, por trás das minhas pálpebras cansadas começa a ser projetadas lembranças não muito distantes.

não há como fugir. em cada esquina daquela cidade há um holograma vivo, colorido, fazendo-me reviver cada segundo daquele dia de junho.

"foi o dia mais feliz da minha vida."
que coisa estúpida de se pensar. tento mentir para mim mesmo que aquilo não é uma verdade.

*

fomos ver o mar. pequenos flocos de nuvens dividem espaço com o sol dourado.

o mar. pequenas ondas batem preguiçosamente na orla. o sol reflete-se com vaidade nas águas calmas.

"somos insignificantes diante de tamanha grandeza."

diego vai para a água. não quero sentir o mar. quero apenas apreciá-lo. tentar entendê-lo.

"acho normal tá no mundo feito faz o mar num grão de areia."
(marcelo camelo)

o mundo é o mar.
somos meros grãos de areia.

a vida é isso.

*

noite.
o mar é ainda mais imponente no bréu.

pessoas passam por nós. carros tocando funk. mulheres atrás de possuídores da carros. homens atrás de mulheres que querem seu carros.

não somos assim. nos sentimos criaturas estranhas cercados por uma espécie que não é a nossa.

se fôssemos como eles, seríamos felizes, argumento.
diego não concorda.

e sentados em frente ao mar, estamos acompanhados.

solidão.

somos dois solitários. dividimos solidão.

estamos sozinhos juntos. uma pequena discrepância.




*

a melhor pizza de nossas vidas.
pequenos prazeres gustativos que substituem os prazeres que nos foram negados.
valeu cada um dos muitos centavos.

*

"a felicidade não existe. ser feliz é um estado. temos pequenos momentos felizes, mas não somos felizes. a felicidade é nos dada em pequenas doses. ninguém é feliz."

*

o encontro com o mar. o mergulho em sua magnitude.
a paz.
a calma interior.

a solidão.

"foge que eu te encontro que eu já tenho asas."
(marcelo camelo)

mas meus olhos ainda estão pregados nas centenas de quilômetros à frente, na maquete em que a distância transforma a outra cidade. me pergunto o que ele estaria fazendo naqueles pequenos pontinhos pretos.

ignorando minha existência. é isso que ele está fazendo.

afundo na água salgada.

*

o ponto final é dado na mesma praça onde o vi pela última vez.
narro para o diego os últimos momentos de quando nos vimos: a inadequada história do seu último relacionamento; o aconchego do seu colo no carro; o beijo quase roubado na padaria; a brincadeira de analisar as moças em frente à rodoviária; e o último adeus, com a falsa promessa de que nos veríamos novamente.

olho em volta. rio das ostras não é um itinerário adequado enquanto houver resquícios dele em seus cantos.

talvez eu só deva voltar lá quando conseguir reduzi-lo ao nada que ele merece ser.

o ônibus para. entramos.

dois solitários cruzando a estrada escura de volta às suas vidas.

... fecho os olhos, me obrigando a dormir.

domingo, 26 de julho de 2009

crônica de um coração partido.

There's still a little bit of your taste in my mouth.
There's still a little bit of you laced with my doubt.
It's still a little hard to say what's going on.
(Damien Rice, Cannonball)


Eu trocaria sem pestanejar a tarde do dia 28 de Junho por todo o mês que o antecedeu, agora eu percebo. Trocaria a chance que tive de ter olhado em seus olhos pelo frio contato de sua voz pelo telefone, se pudesse dessa forma manter toda a magia que existiu em um passado não tão remoto. E talvez nunca ter estado acomodado entre seus braços mas manter a doçura de suas palavras clandestinas no home do meu orkut seria uma proposta tentadora perante a ausência que agora aloca-se no canto do meu quarto antes de eu dormir, uma ausência física, vibrante, com um luminiscência que impede meus olhos de se fecharem.

Alguém mais desavisado pode achar erroneamente que estou falando de um amor ardente e impactante, desses dignos de um best-seller em liquidação nas prateleiras de uma loja de departamentos. E eu aceito sem argumentação possível que você agora tome uma postura zombeteira ao saber que só nos vimos uma vez e, todavia, eu me encontro nesse estado de devastação interior. Eu, na verdade, tento compreender até agora como dou poder às pessoas de fazerem isso comigo, como posso ser tão vulnerável às armadilhas do relacionamento social. E se soo patético expondo isso dessa forma tão transparente, acredite, é ainda mais patético ter certeza de que você não tem controle algum sobre os seus sentimentos.

Contudo, eu precisava sonhar. Eu estava profundamente mergulhado na amargura da minha existência e precisava de qualquer coisa para me segurar, qualquer experiência quie significasse um pouco de oxigênio fresco preenchendo meus pulmões. Poderia ter vindo de qualquer forma, mas a vida gosta de te levar às alturas para aumentar o tamanho do tombo: o oxigênio tão ansiado veio como uma utopia, como algo irreal, inverossímil. Era quase fictício que de súbito surgisse na minha vida, como trazido pelos bons ventos, tudo que eu sempre almejei numa pessoa com quem gostaria de partilhar minha vida. Ninguém pode me culpar por estar entregue depois da troca de algumas mensagens: suas palavras eram colocadas no lugar certo, me seduzindo lentamente, me trazendo uma leveza interior que eu nunca antes havia experimentado. Quando os caracteres em times new roman se tornaram fonemas pela linha telefônica, tornou-se ainda mais impossível não me render aos seus encantos; toda vez que minha insegurança e baixo auto-estima roubavam a cena, era sua voz grave que me acalmava sem qualquer dificuldade. E quando desci do ônibus sob o céu cinzento na manhã de 28 de Junho, era indubitável: eu estava perdidamente apaixonado.

Os dias de euforia foram poucos; o brilho acentuado dos meus castanhos causados por aquele encontro foram ficando foscos e sem vida, refletindo o vazio que estava se encaixando lentamente entre minhas costelas. Eu não sabia o que estava acontecendo, sequer sabia descrever o que estava sentindo. Não era sabido desde o começo que as coisas seriam desse jeito? Naquela mesma semana eu ouvi sua voz pela última vez, com a vã promessa de que nos veríamos novamente logo. Privado de sua voz, a única coisa que me acalmava, me contentei com algumas linhas de depoimentos que diziam que tudo ainda era como antes. Não, não era. Eu precisava mostrar que estava doendo em mim e seguiram surtos de palavras desconexas, cobranças que eu não podia e não devia fazer e uma demonstração desesperada da necessidade que ele se tornara para mim. As respostas eram monossilábicas, simplórias, desimportantes. Ouvi muito sobre o seu sofrimento, enquanto o meu ficava em segundo plano, não merecia ser saciado. E, finalmente, como última recompensa pela minha dedicação, mereci sua completa indiferença.

As pessoas em volta de mim me ajudaram, me aconselharam e tentaram me fazer seguir em frente. Eu ainda não podia. No show da Vanessa da Mata, ao som suave de "Amado", a catarse chegou ao ponto de ebulição: o choro veio forte, me derrubou e encharcou meu rosto, enquanto meus amigos me abraçavam e consolavam. Diego perguntou por que eu estava chorando e eu berrei, com a cara avermelhada: "Porque eu amo aquele filho da puta". Efeito do álcool ou exposição do que realmente sentia? Confesso que ainda não sei.

Ontem, sufocado pelo jeito com o qual ele vinha me tratando, fui veemente ao dizer que sabia o motivo de sua indiferença:

(...) "Eu sou um cara bom, que sabe quem é, o que quer e onde quer chegar. Posso não ter músculos avantajados nem um corpo definido, mas tenho caráter, sei respeitar as pessoas com quem me relaciono e deixo transparecer os meus sentimentos, porque isso não é um defeito mas uma virtude. E infelizmente nesse meio onde fui obrigado a procurar uma pessoa para dividir minha vida, tudo isso que sou não vale de nada.

Resolvi deletá-lo por tempo indefinido da minha vida virtual, onde ainda havia resquícios de sua existência. Expliquei pacientemente os motivos disso, que não estava tentando apagá-lo da minha vida, mesmo porque não podia fazer isso, já que as marcas deixadas por ele eram profundas demais, mas que seria mais fácil para o meu coração cicatrizar dessa forma, sem abrir meu orkut ou meu msn esperando algum contato dele. Sua resposta foi indiferente e egoísta: "Eu entendo, mas você sabe que não te deixo, rs."

Bem, parece que dessa vez não cabe a você a decisão.