terça-feira, 13 de julho de 2010

Música e Divagações: “The First Days of Spring”, de Noah and Whale.

Faixa 1: The First Days of Spring.

"If I'm still here hoping
that one day you may come back."

Dizem que um livro não pode ser escolhido pela capa, não é mesmo? Bom, então creio que, dessa vez, eu me encaixo bem nessa imagem superficial. A primeira vez que ouvi falar de Noah and the Whale, grupo de indie rock e folk inglesa,, foi quando eles foram capa da comunidade de downloads do Orkut |RCD|. A capa me chamou atenção. Eu não quis saber qual era o tipo de som ou que banda era aquela; só me importava o brilho opaco do sol sobre aquele rio manso, a ponte que indicava que ainda havia um caminho a ser seguido, a placidez da água onde refletiam-se os raios do sol. Era uma moldura estonteante e eu SÓ baixei o álbum por causa daquela capa. E que maravilhosa surpresa me reservava aquele retrato. Que força eu descobriria no vocal doce e, ao mesmo tempo, forte e urgente de Charles Fink. Fui pego, lentamente, na teia tecida pela melodia doce, calma, sutil dos acordes de cada uma das 11 canções que compunham aquele álbum. E, sinceramente, não pude me arrepender de ter sido um mero superficial que escolher um disco pela capa.



Faixa 2: Our Window.

"And the stars shining through our window
and it's been awhile since I stared at the stars."


O encantamento com esse segundo álbum do Noah and Whale, de 2009, não veio de súbito, não foi amor à primeira ouvida. Embora a melancolia dos versos e das cordas já me encontrasse desde o começo, levei algum tempo para me apaixonar de verdade por essa obra. Contudo, quando esse amor nasceu e fui gastando tempo conhecendo as nuances do álbum, cada vez me aprofundava mais na força das letras, nos versos simples, de palavras ordinárias, mas de forte impacto em um coração que, na época, encontrava-se destroçado. The First Days of Spring é, principalmente, uma ode aos corações partidos, à decepção de uma relação que não deu certo, embora “estivesse escrito” (maktub!, rs.) que fosse para dar certo.


Faixa 3: I Have Nothing.

"Well, I have nothing
I have no one."

Mas ao mesmo tempo, o álbum traz a certeza do recomeço, do renascimento, da volta por cima. Como o próprio nome diz, já que a Primavera marca o reinício, época em que a natureza refloresce e renasce. E quando eu retorno a esse álbum, quando ele volta a ser nº 1 no meu last.fm, quando me pego cantarolando baxinho seus versos tão expressivos pelos cantos, eu sei o que está acontecendo: minha eterna necessidade de um recomeço está novamente gritando.


Faixa 4: My Broken Heart.

"You can't break my broken heart."

A verdade é que a minha vida existe num inverno rigoroso, nevado, congelante. E você, que já acompanha esse blog por algum motivo que não posso entender (afinal, nem eu mesmo tenho vontade de acompanhá-lo, rs.) deve estar cansado dessa lamentação constante, dessa tendência depressiva e melancólica. Mas a minha essência é feita, basicamente, disso. Eu nunca fui amado por uma pessoa. Nunca pude depositar em alguém a força descomunal que eu sinto existir no meu coração. Eu sobrevivo, basicamente, de ilusões, de peripécias desimportantes que tento com todas as minhas forças transformar em um motivo para seguir em frente. Não há poesia em minha vida; tudo é preenchido de um preto-e-branco que não se equipara em nada ao clima charmoso de Manhattan de Woody Allen. Minha vida é um inverno. E nada além disso.



Faixa 5 – 7: Instrumental I / Love of an Orchestra / Instrumental II

"So now in my deepest sorrow
there's no need for despair
I'm carrying all the love of an orchestra."

Eu ando muito desacreditado, essa é a verdade. Desacreditado de mim mesmo, do meu futuro, desacreditado do amor, das pessoas, dos relacionamentos e, principalmente, desacreditado da vida. Eu preciso urgentemente viver, sentir ar fresco preencher cada centímetro dos meus pulmões, sentir qualquer coisa que me faça ter certeza de que estou realmente vivo. E aí reencontro novamente esta maravilha do Noah and the Whale, porque esta é a primavera que minha vida vem esperando impacientemente. Não foram poucas as vezes que as pessoas disseram que essa cidade era pequena demais para mim e cada vez vejo mais que ela é o principal motivo desse inverno não passar nunca. De alguma forma, acredito que preciso encontrar as forças para ir embora, encontrar onde minha vida realmente está, porque, embora eu ame Friburgo demais da conta, não é aqui que conseguirei ser feliz.


Faixa 8 – Stranger.

"Oh, cos everything I love has gone away.
You know in a year, it's gonna be better.
You know in a year, I'm gonna be happy."

O mais incrível de The First Days of Spring é que ele não é simplesmente um álbum. Junto com a sua produção, o vocalista da banda dirigiu um filme que hoje, finalmente, tive o prazer de assistir. E eu posso dizer que toda aquela paixão citada lá em cima, todo aquele amor que sinto por essa obra tornou-se imensurável depois de sentir as lágrimas rolando com a sensibildade que foi colocada no filme. E de tão impressionado que fiquei com o belíssimo filme, estou aqui, colocando em palavras, o quanto esse álbum me faz pensar na minha própria vida, nos meus conceitos, na minha verdade.



Faixa 9: Blue Skies.

"I'll do anything to be happy.
Oh, cause blue skies are calling
But I know that it's hard."

Essa é minha faixa favorita no álbum e já foi trilha de muitas noites depressivas pensando em gente que não vale a pena. Na verdade, o vídeo mexeu comigo porque, embora por motivos diferentes — Ethan, o protagonista do filme por decepções amorosa, eu pelas circunstâncias da minha vida — me vi refletido na ausência de vida que se apossa dele no momento em que sente que não pode mais seguir em frente com um amor que foi feito para dar certo. “I don’t think that it’s the end, but I know we can’t keep going” diz a letra e, vislumbrados com a beleza de uma paisagem cinzenta, pálida, somos levados para um jornada onde Ethan procura uma forma de se sentir vivo novamente.



Faixa 10: Slow Grass.

"In fact we're almost strangers and I don't know how,
but I've been looking through slow, slow glass."

Numa das sequências mais maravilhosas do filme, ele e o melhor amigo pegam suas bicicletas e partem para o interior do país, atrás da liberdade que a rotina muitas vezes nos nega. Somos levados a vários recortes da vida de Ethan, várias tentativas fracassadas de achar o lugar a que ele realmente pertence. Sem seguir uma ordem cronólogica,somos pegos de surpresa pelas reviravoltas da vida, pelos fracassos e acertos, pelas tentativas e desistências que o cercam.


Faixa 11: My Door Is Always Open.

"Yeah, I love with my heart and I hold it in my hands,
But you know, my heart's not yours."

Essa música é de destruir o coração, viu? >.<
Bom, com essa maravilhosa faixa de encerramento, fica a dica pra que vocês conheçam a poesia melancólica do Noah and The Whale. Aqui em baixo você pode ver o filme na íntegra e também se apaixonar, se emocionar e sentir, no fundo da sua alma, uma necessidade de se sentir vivo. Pelo menos pelos 47 minutos que duram o filme.
Espero que gostem. Até mais.

Site Oficial: http://www.noahandthewhale.com/


The First Days of Spring - A Film By Noah And The Whale from charlie fink on Vimeo.

3 comentários:

iuri.reis disse...

Gosto quando entro aqui à espera de um novo post e me deparo com estas palavras sinceras que me fazem voltar aqui desde quando conheci o blog através da comunidade do Kings of Convenience no orkut. Me identifico com seus textos e poderia fazer de muitas das frases deste post, minhas...
Aliás, fiquei instigado a baixar este álbum e assim farei em breve. =]

Raρнaєl Cardosø disse...

iuri, mais uma vez obrigado pelas palavras carinhosas de sempre. Fico muito feliz quando há um comentário seu, seja aqui ou lá no tumblr.

Fico feliz quando as pessoas se identificam com o que escrevo, embora ache tudo um tanto superficial. Creio que é a verdade que molda cada uma dessa palavras que torna esse blog tão sincero e faz as pessoas - pelo menos meia dúzia delas - voltarem e continuarem lendo.

Vamos sentar qualquer dia em uma mesa de bar e bater um papo. Acho que já passou da hora, né?

Um abraço, cara.
E, mas uma vez, obrigado. =)

Juliana Valério disse...

primeira vez que vejo seu blogo e me apaixonei pela forma como você escreve, esse sua sinceridade com as palavras e até sobre os gostos, eu ainda nao ouvi essa banda mais acho que vô baixar pela forma que você me colocou a banda eu tô gostando e não foi pela capa e sim por você.kkk'


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qualquer coisa passa lá?

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