terça-feira, 8 de junho de 2010

por onde andei.

O blog encontra-se novamente às moscas. Nenhuma surpresa, visto que isso ocorre com uma facilidade que não posso controlar. Não é sempre que tenho vontade de escrever, tampouco tempo de dividir com vocês o que anda se passando na minha ordinária e entediante vida. Mas quando me afasto deste pequeno espaço virtual, acabo afastando-me, na mesma proporção, de mim mesmo. Sem pieguices hiperbólicas, desde que esse blog tornou-se o principal fator de liberdade, a principal válvula de escape para as coisas que eu tanto temia, ele é parte intrínseca de mim. E quando ele não é atualizado por tanto tempo, como tem ocorrido, tenha certeza de que há algo errado.

Então, o que está errado desta vez?


O último post de verdade feito aqui foi às vésperas da virada de ano, revelando os 5 fatos marcantes que transformaram 2009 em um ano único para mim. É logo ali, na segunda posição daquele ranking, que vejo o motivo da inércia em que minha vida se afundou nesse primeiro semestre de 2010. Novamente ele, como já era de se esperar.
A verdade é que alguma coisa transcedental ocorreu na transformação do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro. Sentado à praia de Cabo Frio, com Di, Marcinho e Cecília, segui a dica de Léo e apaguei a última lembrança física que ainda tinha de tudo aquilo que havia ocorrido. Eram 2 fotos que havia tirado com o meu celular no dia 28.06 e que nunca haviam saído dali. Eram minhas. Somente minhas. Não queria me desfazer delas. Mas Léo dizia que aquilo estava me bloqueando. Que todo aquele apego não me deixava seguir em frente e que eu devia apagá-las da memória do celular. Prometi que faria aquilo na virada do ano. Uma resolução imbecil, ao que parece, mas que exigiria muito de mim.

Bom, se trata-se de uma superstição besta eu não sei, mas a verdade é que na manhã de 1º de janeiro eu já me sentia diferente. E os meses que se seguiram foram de desintoxicação mesmo. Reabilitação das fortes, sumindo com cada resquício daquela experiência dos recônditos da minha mente. E no fim de janeiro, sem sombras de dúvidas, já estava 100% curado.
Isso explica a ausência de posts durante o primeiro mês do ano, mas e os que sucederam?

A paixão que eu alimentei durante tantos meses havia ido embora, mas marcas profundas foram deixadas ali. Me tornava, lentamente, numa pessoa apática, indiferente ao que ocorria ao meu redor. A decepção havia sido tão grande que eu havia deixado de acreditar em coisas que sempre foram minhas verdades e os meus desejos. Eu não tinha mais forças para procurar um amor. Meu coração se apegou momentaneamente a um distúrbio emocional que me persegue, e agora vejo que ele só o fez para proteger-se. Não havia chances de se magoar apegado a isso, porque tratava-se apenas de uma ilusão utópica.


Em meio a essa inércia sentimental, os corredores da faculdade me trouxeram certa ventura. Foi um sopro de ar fresco a troca de olhares, o flerte e os sorrisos que antecederam aquela noite em que parei à escada, diante sua expressão tão peculiar, estiquei a mão e disse: "me chamo Raphael". Foi natural, orgânico, um começo que hoje em dia entra em discrepância com o que veio depois. Tivemos momentos ótimos, uma tarde inteira onde, para mim, parecia estar tudo perfeitamente caminhando, enquanto ele estava insatisfeito e incomodado.
Eu sentei na escada do Léo e ouvi tudo que ele tinha a dizer. Fui chamado de insensível, embora estivesse com a cara lavada pelas lágrimas. E quando ele foi embora, decidido - quer dizer, pelo menos o que pareceu ser uma ida decidida -, eu e meu choro, sozinhos, contemplamos juntos o imbróglio sentimental em que estávamos naufragados. Juntando os cacos de memória para ver o quadro com amplitude, tentei encontrar um bode expiatório, algo em que poderia colocar a culpa do fracasso daquela relação recente e efêmera.

Poderia dizer que foi aquele sentimento inapropriado que já me acompanhava há anos e que sequer sabia distinguir o que ele era na verdade. Poderia dizer que a culpa foi dele, que estava me cobrando mais do que deveria, que queria mais do que eu podia realmente dar. Podia até mesmo falar que a culpa era do Tião, que havia transformado meu coração numa rocha impenetrável, que tinha me ensinado a ser frio e calculista.


Mas a verdade é uma só. Cito aqui uma frase da sequência inicial de Annie Hall, de Woody Allen:


"Talvez eu não queira fazer parte de nenhum clube que me aceitaria como membro. Essa é a piada chave para minha vida adulta em termos de relacionamento."

Ao rever esse filme no domingo, eu descobri que é exatamente desse mal que sofro. Quer dizer, eu já sabia disso, já havia refletido e me questionado sobre soluções para esse distúrbio - porque é assim que considero esse problema -, mas o filme retomou essa ideia na minha cabeça. Havia falado com o Léo, certa vez, que já tinha pensado em procurar um psicólogo para tentar dar jeito nessa minha inclinação ao impossível, ao utópico, à essa tendência perturbadora de querer apenas o que não posso ter. E talvez seja mesmo a coisa mais certa a ser feita.

Portanto, qual seria a resposta para o título desse post? Por onde, de verdade, eu andei?
Pelos mesmo caminhos incertos do autoconhecimento que tenho andado há tanto tempo. Pela mesma escuridão do caminho solitário que nos guia a dentro de nós mesmos, onde se escondem os segredos, as dúvidas, os medos...
E não estou sequer perto de encontrar o caminho certo para tornar essa caminhada mais fácil ou menos complicada. Mas não posso desistir dela, disso eu sei.

Continuo andando, portanto, um caminho só.

2 comentários:

M. disse...

"Não faz disso esse drama, essa dor. É que a sorte é preciso tirar pra ter..." Perigo é você se esconder em você mesmo. Você tem muito o que mostrar pro mundo e só você duvida disso. O dia que você descobrir isso em ti, "tudo passa..." E de verdade? Eu to muito, muito feliz de estarmos nos falando de novo. Você é o melhor maridinho do mundo, juro! oaehahiohioa

Raρнaєl Cardosø disse...

mari mari... ops, não pode né? nana =DDDD

obrigado pelas palavras.. obrigado pelo carinho de ter lido, de se importar, de entender... e obrigado por essa segunda chance de (re)criarmos uma amizade que, desta vez, tenho certeza, vai dar muito certo.

amo você, esposinha kkkkkkkkkkk

=)