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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

onde o palco da minha vida antiga encontra o elenco da nova.

... e lá vamos nós novamente para as expectativas, planos e resoluções que acarretam cada chegada de um novo ano, inteiramente brilhante e coberto de esperanças. mas seria um equívoco saudar os próximos 365 dias sem parar pra refletir a importância de 2008 pro resto da minha existência. eis a pretensão deste pequeno post.

2008 foi o melhor ano da minha vida em inúmeros aspectos diferentes. não foi um ano onde predominou a felicidade e o sorriso fácil, é verdade. aliás, a primeira metade dele foi marcada exatamente por dias nublados taciturnos e lúgubres, de uma nostalgia pálida e de uma saudade dos dias em que a vida era mais simples e não fazia-se necessário encarar nossas responsabilidades nos olhos e aceitá-las. 2008 foi o limite: não havia mais tempo nem desculpas, era hora de aceitar de uma vez por todas. e quando fiz isso, vi um fantasma que me assombrara por 2 décadas se esvair com extrema facilidade. chega a ser estúpido olhar para um ano atrás e ver tanta coisa que eu guardava pra mim, com medo do mundo. tanta coisa que transformei em barreiras na estrada da vida quando não passavam de pequenos buracos no asfalto. 2008 trouxe a clareza de que homossexualidade não caracteriza ou limita ninguém. não define sua personalidade, sua posição no mundo ou na sociedade, não te torna menor que ninguém. e, principalmente, de que uma característica biológica nunca será mais importante que o seu caráter.


2008 foi definitivamente o ano de crescer. seja no lado profissional, onde tive pela primeira vez um emprego de verdade. e mesmo que no momento eu esteja muito de saco cheio da casa do doce, é inegável o quanto eu cresci profissionalmente ali. não fui o funcionário do ano nem me empenhei devidamente, mas aprendi muito sobre responsabilidade. um aprendizado do cacete, de verdade. o amadurecimento sentimental também ficou evidente muitas das vezes. foi um ano de buscas, tentativas, paixões platônicas exacerbadas e (por que não?) de primeiros beijos. há, contudo, certa frustração por minha parte de acabar o ano sozinho, confesso. mas sei que esse processo de desventuras amorosas é parte integrante do nosso crecimento pessoal. devia ter acontecido há algum tempo atrás, talvez na pré-adolescência, mas eu sempre fui uma pessoa um tanto atrasada. (rs).


2008 foi o ano do gu, da ágatha, das minhas 2 bias, do phill, da lezinha, do di, da nati (leitora mais assídua desse blog, que fique registrado), da tassi, do mira, da gabi, da tia val, do bruno, do marcio, da fê... de todas as minhas pessoas. cada um exercendo sua importância na minha vida com suas singularidades... nada faria o menor sentido sem vocês.

e principalmente, 2008 foi um ano de transição. daqui há 30 anos, quando eu olhar pra trás pra analisar minha vida, eu terei pleno conhecimento de que o ano de 2008 foi aquele o qual eu criei coragem pra gritar ao mundo "HEY, EU SOU ASSIM E NADA E NINGUÉM VAI ME MUDAR!". como esteve convenientemente escrito no sub-título do meu blog durante o ano inteiro, "onde o palco da minha vida antiga encontra o elenco da nova". esse foi o ano de 2008.


e se 2008 foi o ano da teoria, tenho certeza absoluta que 2009 é o ano de exercer minha LIBERDADE no sentido mais amplo de sua conotação.


simbora, galera.. 2009 nos aguarda. ;)

domingo, 2 de novembro de 2008

useless top five - festas frustradas

meu computador finalmente retornou ao seu lar e, para festejar, nada melhor que um useless top 5 listando as 5 piores festas da história \o/

para quem não se lembra, o useless top 5 (top cinco inúteis) é um quadro fixo do meu blog que enumera periodicamente os 5 melhores numa categoria irrelevante e sem importância alguma. e no post de hoje eu vou relembrar as 5 festas onde tudo deu errado, o álcool passou da conta e o bom senso foi inexistente. uma breve exposição das boas lembranças de minha adolescência.

5º lugar: luau da carina no amparo

- cúmplices: gustavo, filipe, diego e ísis.

essa festa já começou errada antes mesmo de chegarmos lá: quando estávamos saindo da minha casa, rodolfo, um mendigo-celebridade aqui do bairro estava mijando na frente do portão. segundo o depoimento de filipe, que analisou minuciosamente as partes íntimas do eterno chapolim, seu orgão genital estava parecendo uma linguiça de frango, graças à doença de pele que ele adquiriu e que afeta a pigmentação de sua pele. depois disso pegamos o ônibus, e após uma longa viagem (amparo é um distrito rural e fica há uns 30 minutos da cidade), chegamos ao sítio onde aconteceria a festa.

com o álcool liberado, não foi difícil para mim e para o diego - na época, sempre os dois primeiros a ficarem embriagados - perdermos rapidamente a consciência de nossos atos. digamos que diego passou a noite com uma das toalhas de mesa sobre a cabeça fazendo a dança do fantasma no meio da pista. em momentos mais corajosos, ele arriscava brilhantemente o moonwalk, pra delírio de todos que já estavam com a barriga doendo de tanto rir da cara dele.

já eu me encontrava jogado numa mesa, no meu estado depressivo já inerente dos meus porres. entreguei uma rosa a uma das meninas, no melhor estilo boêmio e vomitei na parte de trás da casa, escondido dos demais convidados. maik, o namorado da carina, insistia para me levar para casa, mas eu relutava, decidido a ficar ali enquanto houvesse álcool.

filipe e gustavo, enquanto isso, partiam para o flerte: quem gustavo beijou eu não lembro, mas como esquecer a mulher peluda com quem filipe se atracou sem vergonha nenhuma? (rs). e o pior de tudo é que um ex-namorado da bigoduda estava por lá, o que quase rendeu uma briga. os seguranças interviram, para sorte do filipe, porque se ele apanhasse por beijar um demônio daqueles, ele tomaria outra coça minha no dia seguinte (rs).

passados os momentos de tensão e embriaguez, coisas estranhas começaram a acontecer. sem muitos detalhes, diego e sua tática da manha-pós-álcool fizeram mais uma vítima, filipe quase teve um filho de tanto ciúme e gustavo me ridicularizou, me apresentando bêbado a uma menina - na verdade, ele queria pegar a amiga dela. ele sempre usava essas táticas ¬¬'.

passei mais ou menos 1 hora dando idéia na menina, gastando minhas péssimas cantadas e dizendo coisas estúpidas como "você é a mulher mais linda que eu jás vi". (rs). e na hora de ir embora, fui deitado no ombro dela, com a ânsia de vômito corroendo meus nervos. mesmo depois de todo esse esforço, não consegui arrancar um beijo da menina, o que rende a essa festa o 5º lugar desse useless top 5.

(na foto abaixo, a única prova ocular dos vergonhosos acontecimentos daquela noite de sábado. por bom senso, nenhuma outra foto foi tirada, rs).


4º lugar: formatura da carina na sef


- cúmplices:
gustavo, filipe, diego e danúbia.

tem gente que não aprende a lição mesmo: depois de toda a vergonha feita no luau, eis que carina nos aparece vendendo convites para sua festa de formatura, novamente com bebida e comida liberadas. óbvio que não seríamos imbecis de perder uma bocada dessas e lá ficamos nós por mais de uma hora na fila até a portaria ser liberada. nesse tempo, já bêbados, fizemos amizade com algumas ladies deveras perturbadas que moravam logo ali do lado e demos boas risadas com elas.

entretanto, quando a entrada finalmente foi liberada, o efeito etílico em nossas mentes já tinha nos abandonado e, caretas, não conseguimos aproveitar muito a festa, não. mas lembro que lá foi a primeira vez na vida onde ouvi a belíssima melodia do mc créu. a primeira vez a gente nunca esquece (rs).


tudo bem que a festa não estava lá essas maravilhas, mas quando as bebidas foram finalmente liberadas, filipe fez um favorzinho pra gente: um ex-namorado da ex-namorada [?] do gustavo estava por lá, doido pra arranjar treta com ele. gustavo tava bem na dele, se contendo, mas filipe (que na época fazia tiro de guerra e esta se achando o tom hanks em soldado ryan) deu um tapa na cara do rapaz e arranjou uma confusão dos diabos. o segurança apartou a briga e nos convidou, educadamente, para nos retirarmos da festa. ¬¬'

uma hora de fila. 30 minutos na festa. frustração total, 4º lugar.

3º lugar: 746 american bar

- cúmplices: filipe, gustavo, diego, marcinho, fernanda, ingrid e lauane.



nós praticamente passamos nossa adolescência no 746, a única boate da qual gostávamos de friburgo. e das várias vezes que fomos lá, não foram poucas as que o álcool foi um pouquinho demais, mesmo que a bebida liberada fosse até meia noite e nós chegássemos sempre às 11:59. mas uma em particular foi a mais vergonhosa de todas.

era uma noite onde a área vip da festa era só para as mulheres e acabei encontrando com a lauane por lá. ela estava na área vip, extraviando copos de vinho pra gente (rs). misturados com as tequilas (que até hoje há dúvidas se realmente eram tequilas ou pirasssununga misturada com alguma coisa) e com as cervejas, o efeito foi rapidamente desastroso: caí na parte externa da boate, agarrado à lixeira,quase vomitando o estômago junto. a queda de pressão me causou um frio intenso e fernanda tirou seu bolero e me deu para que eu me aquecesse. enrolei meus braços ao pequeno tecido, deitei no chão de concreto e fiquei por ali tremendo, até finalmente melhorar (algumas horas depois).

naquela mesma noite eu reencontrei a lau, nos abraçamos e talz e eu disse no ouvido dela: "eu não posso te beijar, eu estou todo vomitado". romântico, não? (rs). daí alguém veio tirar fotos e eis que saímos num site de festas desse jeito, completamente bêbados:

notem o bolero da fernanda ainda pendurado em meus ombros. tsc, quanta vergonha! 3º lugar. >.<

2º lugar: churrasco do p******.

- cúmplice: filipe.

tenebroso, assustador, vergonhoso, embarassador... faltam adjetivos para caracterizar aquela noite, onde entrei de gaiato num churrasco de certos amigos do filipe. nenhum nome dos presentes será citado, para vocês terem noção do nível de vergonha que essa pequena reunião pode proporcionar a quem estava lá. usarei pseudônimos e manterei em segredo a identidade das pessoas envolvidas.

era noite de sexta feita e filipe me chamou pra ir no tal churrasco. eu não tinha grana para pagar, mas filipe conversou com jurema e ela deixou eu entrar mesmo assim. jurema é um amor, beijos para ela (rs). o churrasco estava acontecendo numa laje, onde também ficava o quarto do dono da casa e, de início, todo mundo estava bem comportado. mas bastou uma garrafa de vodka de segunda qualidade com um drops de bala halls para neguim perder a cabeça. diante de uma trilha sonora bem poética ("quero que o mundo se acabe em b*ceta / só pra eu morrer f*dendo / quero que o mundo se acabe em p*roca / só pra eu morrer sentando"), jurema, duda e creusa rebolavam, se agarravam, levantavam a saia, caiam na cama de pernas pro ar e repetiam o refrão aos berros, fazendo daquelas palavras sua meta de vida. então jurema foi pro quarto com seu namorado e trancou a porta, pra momentos depois relatar que o cara era um frouxo e não partiu pro ataque.

mas o dono da casa não fez o mesmo: facilmente adalberto levou creusa pra rede e lá os dois fizeram momô gostoso (lol). o problema é que, mesmo trancando a porta que levava da laje pro quarto, as laterais da casa davam passagem para a varanda e, o que devia ser um momento íntimo virou um verdadeiro big brother: todo mundo acompanhou junto os movimento frenéticos na rede. pura putaria imprópria pra menores de 18 anos. rolam boatos de que juquinha, o mais novo de todos os presentes ficou ao lado da rede, masturbando-se deliberadamente. isso eu não vi, mas diante da libertinagem que presenciei, não duvido nada que possa ter acontecido. mesmo porque juquinha tem cara de quem faz essas coisas (rs).

quando acabaram o ato, adalberto apareceu sem camisa, virou uma garrafa de alguma bebida alcóolica no gargalo e respirou fundo, teatralmente. seus amigos, inclusive o frouxo namorado de jurema, o abraçavam e o congratulavam, enquanto eu, encostado numa das beiradas da laje, assistia a tudo incrédulo, abanando a cabeça. chamei filipe pra ir embora, mas ele insistia em ficar. o sem-noção ainda chamou creusa de piranha e a menina começou a chorar, dizendo que ter dado pro adalberto assim não fazia dela uma piranha [???????]. demoraram a conseguir acalmar a menina, com conselhos poéticos e relatos sobre suas próprias vidas. um espetáculo!

é desse freak-show apelidado de churrasco o 2º lugar do useless top 5: festas frustradas.

1º lugar: festa de formatura do CNSD

- cúmplices: gustavo, filipe, diego e josué.

o primeiro porre a gente nunca esquece. essa afirmação é de tamanha sabedoria, já que a primeira vez que caí de bêbado é até hoje um dos dias mais vergonhosos da minha existência.

quando eu e gustavo chegamos à rua, ingenuamente com uma long neck em mãos cada um, filipe, diego e um grupinho de amigos já estavam alucinados de tanto álcool. junte a isso uma garrafa de vinho conseguida com algumas amigas do diego e doses generosas de ypióca e você terá um quadro um tanto desastroso: diego caindo de cara na porta de ferro de uma loja, eu correndo atrás dele para pisar nos seus tênis novos, risadas exageradas, tombos e finalmente, ambos jogados no meio da praça do suspiro, praticamente desacordados.

diego começou a vomitar todo o macarrão que ele tinha comido na janta e eu, deitado próximo a ele, o acompanhei no processo de regurgitar as últimas refeições. alguém foi comprar paçoca e tentaram empurrar o doce de amendoim sua goela abaixo, mas ele colocava o doce todo pra fora novamente. quando tentava levantar-se, ele deitava em cima do vômito, sem ter ciência da cara de nojo com que as pessoas estavam o olhando. perdão por estar narrando as desventuras do diego ao invés das minhas, mas é que não tenho qualquer lembrança das minhas atitudes nesse dia. dizem que eu tirei a camisa, a joguei no chão e comecei a pisar em cima, a seu madruga style. mas eu lembro perfeitamente que achei que ia morrer aquele dia (rs).

o que vou contar agora é um dos fatos mais vergonhosos da história da nossa amizade: vendo o estado em que eu e diego nos encontrávamos, filipe e gustavo não mudaram de idéia e foram para a festa, nos deixando jogados ali naquela praça, sem a mínima preocupação se ficaríamos bem. e, além disso, deixaram outro bebum sobre meus cuidados, o josué, que tava tão péssimo quanto a gente.

eu tinha consciência de que agora precisava melhorar. vomitei tudo que tinha pra vomitar até só sobrar aquele ácido amarelo do estômago e, me sentindo um pouquinho melhor, carreguei josué e diego pra baixo da casinha do teleférico. fazia um frio desgraçado e tive que aquecer os dois com meus braços, enquanto eles balbuciavam palavras indecifráveis e tinham vertigens. graças a deus ambos já haviam parado de vomitar, senão eu seria alvo fácil para a comida regurgitada. o tempo ia passando e, quando consegui finalmente ficar de pé, fui caçar um táxi pra nos levar pra casa. despachei josué na casa dele e tive que subir as escadas de casa carregando diego. como gratidão, ele ainda vomitou o banheiro da minha casa, deixando a marca da festa mais frustada da história nos azulejos. primeiro lugar.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

useless top 5 - carreiras fracassadas

- o useless top 5 (top 5 inúteis) será um quadro fixo do meu blog, enumerando periodicamente os 5 melhores numa categoria irrelevante e sem importância alguma.

no useless top 5 de hoje, a lista mostrará um punhado das minhas invenções de moda nesses 22 anos que nunca deram muito certo: desde comerciante mirim a escritor de pseudos contos eróticos, essas são as minhas 5 carreiras fracassadas.

5º lugar: comerciante mirim
quando eu era pequeno, com uns 8 ou 9 anos, eu tinha um vislumbre por comércios, lojas e tudo ligado à compra e venda de produtos. no começo, eu expressava essa obsessão atráves de brincadeiras, pegando fitas cassete para fingir que eu tinha uma locadora, por exemplo. contudo, por duas vezes, eu levei a brincadeira um pouco além: na primeira delas, usei o pouco de dinheiro que tinha para comprar balas, doces, pirulitos e afins e, na varanda da minha casa, montei uma pequena bomboniere. só que, se eu pagasse x por determinado doce, eu cobrava metade no meu pequeno comércio, ou seja, minha noção de lucro era realmente fantástica. meu pai me explicou diversas vezes que eu precisava cobrar a mais do que eu havia gastado, mas eu não dava a mínima importância para o dinheiro. entrei em falência (obviamente) e eis que caio em outro ramo do comércio: locação de fitas de video-game. na varanda da minha casa também, peguei as fitas de master-system do meu primo e organizei uma mini-locadora. minha única cliente, andréia (prima do marcinho, citada no post sobre a viagem de petrópolis) deu um calote na loja, alugando uma fita e não querendo devolvê-la. e mais um vez fui obrigado a fechar as portas graças a esse incidente (rs).
5º lugar paras as tentativas frustradas de comércios na varanda da minha casa.

4º lugar: compositor
o período jamil el-jaick foi o ápice do meu momento gênio-criativo, tanto que todas as posições a partir daqui compreendem-se entre esse anos. mas, no segundo ano, depois que eu e carina escrevemos uma canção melosa enquanto ela tocava o violão, surgiram mais 16 canções que seriam o repertório do cd de estréia da nossa banda imaginária, o kyron. na verdade, ninguém sabia tocar porcaria nenhuma e as composições eram uma droga, mas um pequeno grupinho dos meus amigos aprendiam as letras e catnávamos juntos enquanto descíamos pedras ou em momentos mais íntimos.
não colocarei nenhuma letra completa aqui por pura vergonha (rs), mas aí vão alguns dos versos mais infames que a música brasileira já viu:

"depois de um belo banho, abro o guarda-roupas para escolher a roupa ideal
sinto logo o clima, o astral lá em cima / vou arrasar no visual"
- é so para curtir, canção sobre sair na noite de sábado com os amigos.

"aí vai um toque amigo para você se ligar
curta bem a adolescêcia, ela nunca vai voltar"
- curtindo a adolescência, faixa que servia como trilha sonora do livro que eu havia escrito naquele ano (mais detalhes abaixo).

mas o ápice do cd era uma faixa bem humorada narrando uma viagem de carro para o litoral. num dos momentos da epopéia musical, eis que surge o seguinte verso poético:

"tudo já estava horrível mas podia piorar
minha tia marieta tava querendo mijar
a chuva tava muito forte, ela não ia lá fora
e resolveu o seu problema com uma garrafa de coca-cola
levanta a saia, tira a roupa, o mijo começa a jorrar
e meu irmão não tira o olho: "tô vendo sua xo**ta!"
a garrafa era pequena, começou a transbordar
e o mijo da minha tia nos meus pés veio parar
mamãe pega o perfurme e espirra no ar assim (tsssssssssss)
misturando vômito e mijo com perfume de jasmim
tia marieta, aliviada, põe a roupa no lugar
meu irmão ainda gritando: "eu vi sua xo**ta!"

tanta poesia não podia ficar de fora do useless top 5. 4º lugar para o kyron e suas canções - e em breve prometo colocar essa letra na íntegra aqui no blog (rs).

3º lugar: promotor de prêmios musicais
vma, vmb, grammy, prêmio tim... tudo ficou para trás em 2004, quando surgiu o PAMA. o que é o PAMA? como não sabes, meu deus! em que planeta você vive? (rs).
o Paraíso Annual Music Awards aconteceu em abril de 2004, na varanda da casa do diego. era uma premiação como o grammy, tirando o glamour e todo o resto (rs). mais de 24 pessoas votaram em seus artistas favoritos através de formulários feitos à maquina de escrever, porque naquela época ninguém tinha computador por aqui ainda. os apresentadores do prêmio, eu e filipe, não sabíamos o texto, nos atropelávamos, falávamos juntos e suavámos como se estivêssemos no saara. a decoração do prêmio incluía uma cartolina com o nome dos indicados e um pisca-pisca de lâmpadas de natal escrevendo PAMA na parede. o figurino era terrível, indo de uma camisa florida a la hawaii a uma camiseta preta do limpbizkit.
mas o pior de tudo: toda essa bagunça musical foi gravada e hoje em dia é arquivo indispensável da nossa adolescência. ingrid viera gravar tudo e acabou se tornando câmera-girl oficial dos meus projetos retardados.
a 2º edição do pama chegou a ser projetada e o blog onde as pessoas poderiam votar ainda está ativo: http://pama2006.blogspot.com/ . mas como nunca aconteceu, a 1º edição é o verdadeiro clássico e fica aqui com a 3º posição.
fotos do PAMA 2004:


foto 1: os apresentadores se preparando para o próximo prêmio. note a umidade de suor no rosto deles, as cartolinas na parede e marcinho cuidando do buffet do espetáculo (um super churrascão rs).
foto 2: a galera reunida no final do programa, com o pisca-pisca ao fundo.
foto 3: galerinha rock'n'roll... uhu! (rs)
em breve eu tentarei conseguir a versão filmada dessa pérola e colocarei no youtube, beleza? é algo que realmente vale a pena para quem está a fim de dar boas risadas.

2º lugar: roteirista e diretor de cinema
o sucesso do pama acarretou um período megalomaníaco de projetos um tanto ambiciosos. o fato de ter uma câmera a disposição agora serviu de incentivo para colocar em prática um dos meus sonhos desde infância: o de fazer um filme.
o roteiro foi escrito em um dia apenas e contaria a história de betinha, uma hermafrodita que depois de perder o amor da sua vida por causa da sua situação biológica, resolve rodar o mundo para encontrar pai xunxê, um macumbeiro e única pessoa que pode ajudá-la a resolver o problema. em sua viagem pelo mundo ela era perseguida pelos capachos de michelle, a nova namorada de pedro paulo emanoel francisco, sua alma gêmea. infelizmente eu não encontrei o roteiro original aqui em casa, mas vou pegá-lo na casa do diego e digitá-lo, porque realmente vale muito a pena.
a escolha do elenco foi simples e rápida: filipe faria betinha, obviamente, enquanto diego seria seu par romântico. lauane foi convocada para fazer michelle, a vilã do filme e gustavo faria o macumbeiro pai xunxê. lorelay teria uma pontinha como a empregada que não sabia cozinhar, enquanto eu, além de dirigir (rs) faria com leandro o papel dos capatazes que perseguem betinha. um elenco brilhante para uma história fantástica.
o filme ganhou o nome de "meu vizinho é uma surpresa", e antes de ser deixado de lado, infelizmente, teve um dia desgastante de filmagens. há por volta de 8 minutos de material desse projeto, onde filipe, caracterizado de betinha, arranca risadas de toda a equipe, lauane não consegue decorar seu texto e lorelay grava ao telefone (única cena realmente terminada). esse material nunca foi visto, porque não temos a fita suporte para apreciar esses momentos de pura diversão. mas eu ainda coloco isso aqui no blog, vocês vão ver só! por enquanto, "meu vizinho é uma supresa fica com o 2º lugar, como a carreira mais fracassada de alguém no cinema.

1º lugar: escritor
minha carreira de escritor começou cedo, lá pela 5º série no jardel hottz. nessa época, eu escrevia pequenos contos de 20 ou 30 páginas, todos em letras engarranchadas e com conteúdo muitas vezes plagiado de outras obras. para incentivar as pessoas a lerem o que eu escrevia, eu fazia pequenos mistérios e quem os descobria, ganhava um super lanche na cantina da dona enedina (rs). marketing é a alma do negócio.
o primeiro romance veio por volta dos anos 2000 e é um retrato do que eu vivia àquele ano. "curtindo a adolescência" conta a história de carol, uma menina que acabara de trocar de escola e se apaixonar pelo cara mais popular do colégio. um enredo tipicamente de malhação, mas essa era exatamente a intenção. muitas coisas do que eu vivia e sentia naquela época estão infiltradas na história com sutileza e na escola o livro acabou sendo um sucesso. levei por volta de 9 meses para escrevê-lo e por não ter feito rascunho, o livro contém muitos erros e um português deveras básico. obsoleto, mas muito importante na minha vida, esse foi meu primeiro livro.
logo no começo de 2001, animado com a boa recepção dos meus amigos, comecei a escrever meu 2º romance. paty e digão, os protagonistas, depois de viver um romance litorâneo tórrido, são separados pelo cotidiano e com a eminência de nunca mais se encontrarem. vivem suas vidas e, 20 anos depois, se reencontram para continuar o que não puderam naquela época. essa é a história de "um dia espero te reencontrar", projeto muito mais ambicioso e trabalhado que seu antecessor: 1 ano e meio escrevendo-o e mais 3 meses depois para passar suas 700 páginas a limpo à mão. contudo, o reflexo da minha época mais depressiva está presente no livro e a protagonista acaba morrendo no final, causando a fúria de TODOS os meus amigos. o final acabou não sendo muito bem recebido e há relatos de pessoas que choraram com a morte de paty às vésperas do seu casamento com digão.
e em 2005/2006 era a vez de gabriel e os seus "segredos em sol nascente", o melhor dos 3 trabalhos mesmo sendo abandonado pela metade. a história do rapaz que larga sua vida para recomeçar numa pequena cidade litorânea atraiu a atenção de muitas pessoas, tanto que sua comunidade no orkut obtivera mais de 130 membros. com base no suspense e no mistério, mas ainda muito preso à fórmula novela-das-oito, até hoje as pessoas me perguntam por que gabriel foi embora, por que ele não tira a camisa e todas as outras questões da trama. infelizmente, as respostas continuam guardadas no meu cérebro e não têm a mínima intenção de sair de lá. o projeto foi abandonado quando percebi que o meu foco estava totalmente errado e, que para continuar escrevendo-o, eu precisaria recomeçar e retirar muita coisa desimportante para a trama. a preguiça nunca deixou que eu fizesse nada disso (rs).

por ser a minha carreira fracassada de maior conhecimento, meus 3 livros estão aqui no primeiro lugar. até o próximo useless top 5 ;)

domingo, 6 de julho de 2008

conversas de noites de inverno

a noite fria encontra seu sentido no copo de cerveja gelada. o bar, situado em uma rua comercial apertada e bem iluminada é freqüentada por pessoas perdidas na intenção de serem alternativos e diferentes. não importa. a maquiagem usada pelo rapaz-emo que passa bebendo um litro de cachaça no gargalo não significa nada para mim. a mesa ao lado, cercada por pessoas falando alto sobre assuntos irrelevantes tampouco importa. tudo deixa de existir no momento decisivo de contar aquilo que foi ocultado por tanto tempo.
o nível etílico sobe desenfreadamente. o álcool se espalha em nossos sangues, causando uma entorpecência cômoda e privando nossos cérebros da consciência verbal. tudo é dito sem filtros, em meio a risadas exageradas de fazerem os olhos lacrimejarem. não obstante, ele nunca fora um apreciador da sutileza. ele não entende. não compreende o sentido das piadas. até que a fumaça dos comentários cômicos se dissipa com a pura e simples verdade, dita pela primeira vez com os olhos nos olhos. e o álcool faz seu papel de tornar o momento um eufemismo da verdade. a aceitação vem imediatamente, seguida de conversas noturnas numa caminhada rumo à casa. eu não os perdi, embora esse nunca fora realmente o meu medo. tudo está devidamente no seu lugar agora, enquanto a sensação de liberdade esvai-se deliberadamente pelos meus poros. liberdade, ainda que tardia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

diário de bordo - viagem à petrópolis 22/jun

esse post já devia ter sido escrito há dias, afinal essa viagem aconteceu há 2 semanas atrás. mas marcinho é sempre enrolado para passar as fotos que tiramos na câmera dele.

para quem não conhece, petrópolis é uma cidade serrana do estado do rio de janeiro, conhecida pelo seu passado imperial, já que na época da monarquia, tio dom pedro II e a patota portuguesa toda moraram por lá. quem não se liga em história, vai à petrópils encher as bolsas de compras pra revender pras vizinhas, já que na rua teresa há todos os tipos de roupas por preço de banana (expressão da época da minha vó). e tem gente que vai à petrópolis para não ficar em casa aturando um domingo tedioso embalado pelas piadinhas do fasutão. é o nosso caso.

nossa excursão à petrópolis não foi pouca bosta, não, viu? precisamos de dois carros para suportar todas as pessoas que queriam conhecer a cidada imperial. no carro 1, marcinho com a namorada, fernanda, a mãe dele, zete, a sogra e a prima andréia. no carro 2, fabrício, o motorista, filipe, eu, andré e rômulo. os relatos desse post dizem respeito ao carro 2, já que eu não estava no 1, obiviamente.

a viagem de ida foi liderada por sono, paisagens rurais, piadas certeiras e música pop de baixa qualidade. fabricio mostrou-se bem mais seguro no volante, evitando os possíveis ataques cardíacos que ele sempre me fazia ter antigamente. rômulo ficava doido toda vez que via uma bandeira do fluminense, filipe passava todas as músicas que tocavam no rádio (engraçado que o mp3 foi feito por ele e nem ele mesmo atura tais porcarias) e os dois juntos atazanavam andré deliberadamente (rs). em teresópolis, paramos para filar um café do carro 2 e, estranhamente, o pic-nic à beira da estrada deles incluía kibes e morangos [?]. uma combinação um pouco estranha, é verdade (rs).

quando chegamos à petrópolis, a primeira coisa que chama atenção é a arquitetura dos prédios: parece que não foi construído nada de novo lá desde a morte de dom pedro II. a cidade tem um ar de museu conservado em naftalina, mas mesmo assim é de uma beleza nostálgica inquestionável. o tempo estava péssimo; uma chuvinha rala caía do céu cinza-escuro quando finalmente descemos do carro para a primeira parada.

catedral são pedro de alcântara: o imponente prédio com sua arquitetura gótica foi nossa primeira parada. imediatamente ao entrar, a mãe da fernanda ajoelhou-se e começou uma oração enquanto fomos desbravar os cantos do local sagrado para os cristãos. logo à porta há 4 túmulos de membros da corte que eu realmente não lembro quem eram (rs) e perto deles, uma estátua de um santo oferecendo um pedaço de pão. eu queria tirar uma foto aceitando o pão (rs), mas fiquei com medo de ser expulso do lugar pela minha blasfêmia. o orgão, que fica num andar superior ao salão não perdeu seu ar ostensivo, mesmo necessitando de uma restauração urgente. o altar é do tamanho da minha casa inteira e os detalhes da arquitetura são fantásticos, mesmo para quem não liga para religião. filipe não sabe o que heresia, mas sabe como ser um herege: diante dos quadros que se seguem por toda a catedral, mostrando os últimos momentos de cristo antes da crucificação, ele cismou que jesus tava parecendo um modelo posando semi nu, graças à foto onde estão tirando as vestes do cara (rs). esse foi só um dos comentários sem noção que ele berrava em meio a igreja, pra quem quisesse ouvir. meia hora depois, a mãe de fernanda ainda estava rezando (rs) e isso rendeu piadinhas enquanto partíamos para o 2º passeio do dia.

trono de fátima: "o nome do lugar é trono de fátima e a mulher está em pé. como pode isso? parece aquelas menininhas bagunceiras que a mãe fala 'senta filhinha!' 'não quero, não quero!'". com esse comentário herege de filipe, chegamos ao 2º passeio católico da nossa viagem à petrópolis, passeio o qual eu começava a achar que estava se tornando um seminário cristão. a belíssima estátua da santa fica no alto de um morro de onde dá pra ter uma ótima visão de petrópolis, principalmente do cemitério [!], o qual é bem estranho: fica à beira da estrada e vai ricocheteando ao lado dela, como se fosse uma simples vegetação emoldurando-a. quem arquitetou aqueles cemitério foi um gênio (rs). filipe mostrou-se indignado com o local para acender velas e com a sala dos milagres, onde havia várias cabeças de boneca em prateleiras de madeira, uma coisa meio filme trash de terror. mas o que eu realmente achei de mau-gosto foi uma fotografia que se encontra na pequena capela: uma imagem holográfica de jesus crucificado que abre os olhos conforme você adentra o local. e na pequena tenda de suvenirs havia bonecos infláveis dos power rangers [?]. o que é o capitalismo, não é mesmo?

palácio de cristal: petrópolis vende o palácio de cristal para os turistas como se fosse a 8º maravilha do mundo moderno. e qual minha decepção ao chegar lá e encontrar um monte de vidros imundos presos a uma base de metal verde... e NADA além disso. segundo andréia, a única coisa ali restante da época monárquica é o lustre (imundo também, diga-se de passagem) e que a graça do lugar ficava nas serestas que rolavam ali antigamente. a coisa que mais me chamou a atenção, na verdade, foi o banheiro: nunca vi um palácio com um banheiro tão sujo na minha vida (rs). e não, o banheiro não tem paredes de vidro (dãããã)(rs).

almoço: não era nem meio-dia ainda quando marcinho decidiu que pararíamos para almoçar. e o que milorde decide é lei, meu caro (rs). fomo a um self-service e eu começava a armar meu prato para comer um belo churasco, quando dei de cara com uma apetitosa lasanha à bolonhesa. na boa, eu resisto a muita coisa, menos a um belo prato de lasanha. e eis que surge a nova tendência gastronômica de 2008: lasanha com farofa (rs). em seguida, parei em frente ao churasqueiro:

ele: opa rapaz, vai de quê?
eu: picanha, por favor cara.
ele: está um pouco mal-passada.
eu: sem problemas, eu gosto assim.
(ele corta e coloca a carne mais vermelha que já vi na minha vida no meu prato)
ele: mais o quê, fera? a fraldinha tá ótima.
eu: pode ser, cara (como se eu conhecesse carnes por nome ¬¬')
(ele corta e coloca 2 pedras de carvão no meu prato)
(olho pra ele e antes que ele possa me oferecer mais alguma coisa, saio de fininho)

depois da picanha crua e da fraldinha preta mais dura que casca de árvore, eu dei graças por ter colocado aquela bela fatia de lasanha no meu prato.
ps: meu prato saiu o mais caro de todos, mas também, com aqueles dois tocos de carvão nele, neé? ¬¬'

rua teresa: como eu disse no começo do post, a rua teresa é um ótimo local para comprar roupas, principalmente para quem tem lojas ou quem revende. uma rua enorme só com lojas de roupas é o sonho de qualquer mulher com um cartão de crédito às mãos, não é não? só isso explica o sumiço de fernanda e a mãe dela por quase 2 horas, zete e andréia por tanto tempo quanto, e os homens esperando impacientemente as mulheres fazerem suas compras. na verdade, até paramos para comprar algumas coisas também, mas não demoramos mas que 40 minutos para isso. e a tarde acabou indo quase toda embora graças ao consumismo descomedido dessas mulheres.

casa de santos dummont: o homem morava numa casinha menor que a dos 7 anões e querem cobrar 5 pilas pra ver isso? you got to be kiddin' me!

quitandinha: quando chegamos ao quitandinha, a noite já começava a cair, assim como uma forte chuva torrencial . portanto, mal deu para sairmos do carro e tirar essa foto aí do lado. o prédio parecia ser bacanão, mas não poderíamos entrar aparentemente e a chuva nos atrapalhou a ver o lago que (dizem) tem o formato do mapa do brasil. uma pena, porque eu realmente estava interessado nesse passeio em particular.

hora de ir embora: acabamos pegando uma neblina do cacete na serra de petróplis (aquela estrada já é assustadora com o tempo tinindo, imagina com neblina >.<) e paramos numa padaria em teresópolis para comer salgadinhos pingando gordura. ótimo jeito de acabar uma viagem imperfeita, não obstante, deveras divertida. =]

domingo, 29 de junho de 2008

chama a funai que o programa é de índio! (festa de são pedro)

a tati avisou algumas muitas vezes durante essa semana: era só falar da festa de são pedro perto dela que ela já soltava "o quê? programa de índio!". definitivamente, precisamos aprender a ouvir os amigos.

o martírio que se tornaria a noite passada começou na rodoviária interurbana de friburgo. pra quem não conhece o lugar, basta dizer que aquilo ali é o portal do inferno. isso, exatamente. logo abaixo das estruturas de concreto do local abre-se um túnel direto para a morada do sete-pele. e nem é opinião própria, qualquer pessoa com bom senso e lucidez concordaria com essas sábias palavras. entramos eu, filipe e 2 conhecidas dele numa fila que era o último vestígio de pessoas civilizadas que veríamos pela próxima hora. havia por volta de umas 20 pessoas à nossa frente, o que significa que conseguiríamos ir sentados, já que um ônibus apresenta entre 45 e 50 assentos. mas quando a condução parou à plataforma com sua placa escrito um "são pedro" engarranchado a giz, sua porta dianteira foi cercada por um bando de bichos sedentos por se acomodar e o que era uma fila indiana tornou-se um motim da febem reivindicando melhorias na comida. quando conseguimos finalmente colocar os pés para dentro do ônibus, todos os lugares já haviam sido tomados e nos restou nos expremermos pelo corredor, entre gente desconhecida e pouco educada.

entre todas as coisas que me incomodaram dentro daquele comboio do inferno (que não foram poucas, pode ter certeza), 2 merecem destaque:

suíça brasileira? onde?
de boa, o que aconteceu com essa cidade? cadê as pessoas normais, civilizadas e adeptas dos bons modos? porque, em qualquer lugar que se olhe, em qualquer esquina de qualquer bairro o que se vê é um culto quase religioso à moda da favela, à marginalização ou a prosmicuidade. e nem é papo de conservador e também não há nenhuma conotação racial ou preconceituosa nisso. eu só não consigo entender como de repente todo mundo virou mc de funk, cachorrona de baile, aviãozinho de traficante, vida loka, assassino profissional, membro de gang... cacete, a marginalização é a nova moda entre os jovens, coisa mais bizarra! e suíça brasileira ficou no passado. agora nós somos o bronx brasileiro. bacana né? ¬¬'

maldita nokia!
eu tenho pena da alma do cidadão sem mãe que inventou esses malditos celulares com mp3 que tocam no alto-falante. ele vai resgatar por muitas e muitas vidas tudo que ele está nos fazendo passar. porque eu desconheço coisa mais irritante do que você está em um lugar público e o filha-da-mãe sem senso do ridículo ao seu lado ligar aquela porcaria tocando o último pancadão, como se você tivesse a plena obrigação de ouvir juntinho com ele as melodias da sabrina, perlla, do mc créu e toda a patota criativa do funk. novamente esclareço que não há preconceito em minhas palavras, mas vocês acham que os fones de ouvido foram inventados para quê, cacete? ouça a droga da sua música sozinho ou ao menos pergunte se a pessoa ao seu lado não se importa, porque ninguém tem obrigação de aturar o seu gosto pessoal, beleza?

1 hora e meia num ônibus lotado com as amigas do filipe cantando músicas da xuxa, celulares tocando um funk com a melodia de "irreplaceble" da beyoncé (ao invés de "to the left, to the left" o criativo "músico" dizia "quero leite, quero leite"), pessoas olhando de cara feia com se fossem amigos ínitmos do 50 cent e também tivessem tomado trocentos tiros na cara, odores estranhos e contatos físicos involuntários deviam ser suficientes para você pagar todos os seus pecados cometidos nesse mundo. mas já dizia o sábio que desgraça pouca é bobagem...

chegamos à festa que consiste numa rua comprida fechada, cheia de barraquinhas e uma área cimentada para as pessoas dançarem forró. as pessoas que me conhecem sabem que não gosto de lugares cheios, de tumulto ou de forró, portanto, cabe muito bem a pergunta do que eu fui fazer lá. meu bom-senso vira e mexe falha e me deixa cometer erros terríveis como esse. começamos a subir a rua atrás de gustavo, que já estava na festa com a ágatha, a gabi, o daniel e mais um pessoal. eu e filipe estávamos tão cansados do dia de trabalho e da auto-flagelação da viagem de ônibus que estávamos pensando em ir embora uma hora depois de termos chegado, até que encontramos finalmente com o pessoal. ficamos por ali por algum tempo vendo o show do nó cego, comendo amendoins e sem vontade alguma de ingerir qualquer quantidade de álcool até que por volta de 2 e meia resolvemos ir para o ponto. nessa hora rolava até certa troca de farpas entre o grupo e as chances remotas de estancar uma porrada (rs), mas precisávamos ir para o ponto, com a esperança de conseguirmos um lugar para descansar nossos corpos exaustos. esperanças vãs, já que a rebelião da febem se repetiu e novamente eu e filipe conseguimos lugares maravilhos no meio do corredor. o cansaço da viagem de volta foi tenebroso e por várias vezes quase me peguei dormindo em pé, sustentado pelos braços fracos pendurados no ferro superior. e a máxima "desgraça pouca é bobagem" se concretizou soberanamente com uma caminhada de 40 minutos do centro ao nosso bairro, já que friburgo não tem ônibus durante a madrugada. ótimo jeito de terminar uma das piores noites da história mundial!

moral da história:
são nas baladas do fim de semana que pagamos nossos pecados.