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quarta-feira, 9 de julho de 2008

useless top 5 - carreiras fracassadas

- o useless top 5 (top 5 inúteis) será um quadro fixo do meu blog, enumerando periodicamente os 5 melhores numa categoria irrelevante e sem importância alguma.

no useless top 5 de hoje, a lista mostrará um punhado das minhas invenções de moda nesses 22 anos que nunca deram muito certo: desde comerciante mirim a escritor de pseudos contos eróticos, essas são as minhas 5 carreiras fracassadas.

5º lugar: comerciante mirim
quando eu era pequeno, com uns 8 ou 9 anos, eu tinha um vislumbre por comércios, lojas e tudo ligado à compra e venda de produtos. no começo, eu expressava essa obsessão atráves de brincadeiras, pegando fitas cassete para fingir que eu tinha uma locadora, por exemplo. contudo, por duas vezes, eu levei a brincadeira um pouco além: na primeira delas, usei o pouco de dinheiro que tinha para comprar balas, doces, pirulitos e afins e, na varanda da minha casa, montei uma pequena bomboniere. só que, se eu pagasse x por determinado doce, eu cobrava metade no meu pequeno comércio, ou seja, minha noção de lucro era realmente fantástica. meu pai me explicou diversas vezes que eu precisava cobrar a mais do que eu havia gastado, mas eu não dava a mínima importância para o dinheiro. entrei em falência (obviamente) e eis que caio em outro ramo do comércio: locação de fitas de video-game. na varanda da minha casa também, peguei as fitas de master-system do meu primo e organizei uma mini-locadora. minha única cliente, andréia (prima do marcinho, citada no post sobre a viagem de petrópolis) deu um calote na loja, alugando uma fita e não querendo devolvê-la. e mais um vez fui obrigado a fechar as portas graças a esse incidente (rs).
5º lugar paras as tentativas frustradas de comércios na varanda da minha casa.

4º lugar: compositor
o período jamil el-jaick foi o ápice do meu momento gênio-criativo, tanto que todas as posições a partir daqui compreendem-se entre esse anos. mas, no segundo ano, depois que eu e carina escrevemos uma canção melosa enquanto ela tocava o violão, surgiram mais 16 canções que seriam o repertório do cd de estréia da nossa banda imaginária, o kyron. na verdade, ninguém sabia tocar porcaria nenhuma e as composições eram uma droga, mas um pequeno grupinho dos meus amigos aprendiam as letras e catnávamos juntos enquanto descíamos pedras ou em momentos mais íntimos.
não colocarei nenhuma letra completa aqui por pura vergonha (rs), mas aí vão alguns dos versos mais infames que a música brasileira já viu:

"depois de um belo banho, abro o guarda-roupas para escolher a roupa ideal
sinto logo o clima, o astral lá em cima / vou arrasar no visual"
- é so para curtir, canção sobre sair na noite de sábado com os amigos.

"aí vai um toque amigo para você se ligar
curta bem a adolescêcia, ela nunca vai voltar"
- curtindo a adolescência, faixa que servia como trilha sonora do livro que eu havia escrito naquele ano (mais detalhes abaixo).

mas o ápice do cd era uma faixa bem humorada narrando uma viagem de carro para o litoral. num dos momentos da epopéia musical, eis que surge o seguinte verso poético:

"tudo já estava horrível mas podia piorar
minha tia marieta tava querendo mijar
a chuva tava muito forte, ela não ia lá fora
e resolveu o seu problema com uma garrafa de coca-cola
levanta a saia, tira a roupa, o mijo começa a jorrar
e meu irmão não tira o olho: "tô vendo sua xo**ta!"
a garrafa era pequena, começou a transbordar
e o mijo da minha tia nos meus pés veio parar
mamãe pega o perfurme e espirra no ar assim (tsssssssssss)
misturando vômito e mijo com perfume de jasmim
tia marieta, aliviada, põe a roupa no lugar
meu irmão ainda gritando: "eu vi sua xo**ta!"

tanta poesia não podia ficar de fora do useless top 5. 4º lugar para o kyron e suas canções - e em breve prometo colocar essa letra na íntegra aqui no blog (rs).

3º lugar: promotor de prêmios musicais
vma, vmb, grammy, prêmio tim... tudo ficou para trás em 2004, quando surgiu o PAMA. o que é o PAMA? como não sabes, meu deus! em que planeta você vive? (rs).
o Paraíso Annual Music Awards aconteceu em abril de 2004, na varanda da casa do diego. era uma premiação como o grammy, tirando o glamour e todo o resto (rs). mais de 24 pessoas votaram em seus artistas favoritos através de formulários feitos à maquina de escrever, porque naquela época ninguém tinha computador por aqui ainda. os apresentadores do prêmio, eu e filipe, não sabíamos o texto, nos atropelávamos, falávamos juntos e suavámos como se estivêssemos no saara. a decoração do prêmio incluía uma cartolina com o nome dos indicados e um pisca-pisca de lâmpadas de natal escrevendo PAMA na parede. o figurino era terrível, indo de uma camisa florida a la hawaii a uma camiseta preta do limpbizkit.
mas o pior de tudo: toda essa bagunça musical foi gravada e hoje em dia é arquivo indispensável da nossa adolescência. ingrid viera gravar tudo e acabou se tornando câmera-girl oficial dos meus projetos retardados.
a 2º edição do pama chegou a ser projetada e o blog onde as pessoas poderiam votar ainda está ativo: http://pama2006.blogspot.com/ . mas como nunca aconteceu, a 1º edição é o verdadeiro clássico e fica aqui com a 3º posição.
fotos do PAMA 2004:


foto 1: os apresentadores se preparando para o próximo prêmio. note a umidade de suor no rosto deles, as cartolinas na parede e marcinho cuidando do buffet do espetáculo (um super churrascão rs).
foto 2: a galera reunida no final do programa, com o pisca-pisca ao fundo.
foto 3: galerinha rock'n'roll... uhu! (rs)
em breve eu tentarei conseguir a versão filmada dessa pérola e colocarei no youtube, beleza? é algo que realmente vale a pena para quem está a fim de dar boas risadas.

2º lugar: roteirista e diretor de cinema
o sucesso do pama acarretou um período megalomaníaco de projetos um tanto ambiciosos. o fato de ter uma câmera a disposição agora serviu de incentivo para colocar em prática um dos meus sonhos desde infância: o de fazer um filme.
o roteiro foi escrito em um dia apenas e contaria a história de betinha, uma hermafrodita que depois de perder o amor da sua vida por causa da sua situação biológica, resolve rodar o mundo para encontrar pai xunxê, um macumbeiro e única pessoa que pode ajudá-la a resolver o problema. em sua viagem pelo mundo ela era perseguida pelos capachos de michelle, a nova namorada de pedro paulo emanoel francisco, sua alma gêmea. infelizmente eu não encontrei o roteiro original aqui em casa, mas vou pegá-lo na casa do diego e digitá-lo, porque realmente vale muito a pena.
a escolha do elenco foi simples e rápida: filipe faria betinha, obviamente, enquanto diego seria seu par romântico. lauane foi convocada para fazer michelle, a vilã do filme e gustavo faria o macumbeiro pai xunxê. lorelay teria uma pontinha como a empregada que não sabia cozinhar, enquanto eu, além de dirigir (rs) faria com leandro o papel dos capatazes que perseguem betinha. um elenco brilhante para uma história fantástica.
o filme ganhou o nome de "meu vizinho é uma surpresa", e antes de ser deixado de lado, infelizmente, teve um dia desgastante de filmagens. há por volta de 8 minutos de material desse projeto, onde filipe, caracterizado de betinha, arranca risadas de toda a equipe, lauane não consegue decorar seu texto e lorelay grava ao telefone (única cena realmente terminada). esse material nunca foi visto, porque não temos a fita suporte para apreciar esses momentos de pura diversão. mas eu ainda coloco isso aqui no blog, vocês vão ver só! por enquanto, "meu vizinho é uma supresa fica com o 2º lugar, como a carreira mais fracassada de alguém no cinema.

1º lugar: escritor
minha carreira de escritor começou cedo, lá pela 5º série no jardel hottz. nessa época, eu escrevia pequenos contos de 20 ou 30 páginas, todos em letras engarranchadas e com conteúdo muitas vezes plagiado de outras obras. para incentivar as pessoas a lerem o que eu escrevia, eu fazia pequenos mistérios e quem os descobria, ganhava um super lanche na cantina da dona enedina (rs). marketing é a alma do negócio.
o primeiro romance veio por volta dos anos 2000 e é um retrato do que eu vivia àquele ano. "curtindo a adolescência" conta a história de carol, uma menina que acabara de trocar de escola e se apaixonar pelo cara mais popular do colégio. um enredo tipicamente de malhação, mas essa era exatamente a intenção. muitas coisas do que eu vivia e sentia naquela época estão infiltradas na história com sutileza e na escola o livro acabou sendo um sucesso. levei por volta de 9 meses para escrevê-lo e por não ter feito rascunho, o livro contém muitos erros e um português deveras básico. obsoleto, mas muito importante na minha vida, esse foi meu primeiro livro.
logo no começo de 2001, animado com a boa recepção dos meus amigos, comecei a escrever meu 2º romance. paty e digão, os protagonistas, depois de viver um romance litorâneo tórrido, são separados pelo cotidiano e com a eminência de nunca mais se encontrarem. vivem suas vidas e, 20 anos depois, se reencontram para continuar o que não puderam naquela época. essa é a história de "um dia espero te reencontrar", projeto muito mais ambicioso e trabalhado que seu antecessor: 1 ano e meio escrevendo-o e mais 3 meses depois para passar suas 700 páginas a limpo à mão. contudo, o reflexo da minha época mais depressiva está presente no livro e a protagonista acaba morrendo no final, causando a fúria de TODOS os meus amigos. o final acabou não sendo muito bem recebido e há relatos de pessoas que choraram com a morte de paty às vésperas do seu casamento com digão.
e em 2005/2006 era a vez de gabriel e os seus "segredos em sol nascente", o melhor dos 3 trabalhos mesmo sendo abandonado pela metade. a história do rapaz que larga sua vida para recomeçar numa pequena cidade litorânea atraiu a atenção de muitas pessoas, tanto que sua comunidade no orkut obtivera mais de 130 membros. com base no suspense e no mistério, mas ainda muito preso à fórmula novela-das-oito, até hoje as pessoas me perguntam por que gabriel foi embora, por que ele não tira a camisa e todas as outras questões da trama. infelizmente, as respostas continuam guardadas no meu cérebro e não têm a mínima intenção de sair de lá. o projeto foi abandonado quando percebi que o meu foco estava totalmente errado e, que para continuar escrevendo-o, eu precisaria recomeçar e retirar muita coisa desimportante para a trama. a preguiça nunca deixou que eu fizesse nada disso (rs).

por ser a minha carreira fracassada de maior conhecimento, meus 3 livros estão aqui no primeiro lugar. até o próximo useless top 5 ;)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

biografia autorizada - parte 2

esse post é uma continuação desse aqui.

o fato que marca a transição da minha infância para adolescência foi a troca de escola: era hora de deixar os amigos de 5 anos do hermínia e mergulhar no desconhecido do jardel hottz. mas na verdade, a adaptação no novo colégio não foi difícil como imaginei que seria e, de todos os relacionamentos que tive lá, vale frisar que um que me permanece até hoje é minha amizade com a ingrid (essa moça da esquerda na foto ao lado). o porquê eu realmente não sei, já que na época do jardel hottz eu passava 72% do tempo em sala de aula implicando com ela, junto com o jackson e o maycon. más companhias são um problema (rs). nessa época também eu fui tio pela primeira vez e para uma criança de 12 anos ser tio é uma coisa bem diferente. mas eu curti muito, vivia enfurnado na casa da minha irmã beijando a testa do patrick (ela berrava quando eu fazia isso, dizendo que eu tava babando a criança rs).

a mudança de escola veio de novo e o ensino médio não começou de um jeito muito agradável para mim. e talvez foi nesse ano que eu e ingrid apertamos os laços da nossa amizade, já que ela era a única pessoa que eu tinha no jamil el-jaick, colégio que não me recebeu acolhedoramente como os outros. comecei a faltar aulas de tão mal que me sentia naquela turma e minha mãe foi chamada à escola por conta disso. eu só fui me adaptar ao colégio e fazer amizades no 2º ano, ou seja, todo o ano de 2001 foi um martírio para mim. contudo, essa foi uma época criativa para mim: foi nos anos do jamil el-jaick que escrevi dois épicos da literatura brasileira (rs): curtindo a adolescência, um conto sobre a juventude do século XXI mal-escrito e com idéias mirabolantes sem noção (rs); e um dia espero te reencontrar, a epopéia de um amor impossível que acaba em morte. okay, confesso que são 2 porcarias, mas creio que mereço o mínimo de respeito pelo meu esforço: esse segundo foram 700 páginas de rascunho e depois passei as 700 páginas a limpo, já que não possuía computador na época. os 2 cardernos com as aventuras de paty e digão se encontram bem guardados na casa da lory, como relíquias da minha adolescência.

o período 2001-2003 trouxe também os meus tempos de depressão e introspecção: mudamos para uma casa gigante na rua heckert e eu passava quase todo o tempo nessa casa trancado no meu quarto mal-iluminado, ouvindo música ruim no meu discman (nessa época eu ouvia de the calling a charlie brown jr. tsc...) e escrevendo coisas taciturnas e depressivas. não via meus amigos, o único contato social que eu tinha era na escola, me afastei dos meus pais, o que tem reflexo até hoje na relação com eles e tinha devaneios idiotas sobre suicídio e morte. mudamos da rua heckert para um condomínio no nova suíça e aí então que a coisa piorou: a distância física do filipe (a única pessoa que eu mantinha contato nessa época) me jogou num poço de solidão que quase fez eu me entregar. esses tempos nefastos só passaram quando nos mudamos de volta para a chácara do paraíso, para a casa onde vivo até hoje.

a escola repentinamente acabou: nessa época eu já tinha dado meu primeiro beijo com um moça que apareceu do nada lá na rua do filipe. eu era iniciante, porra, e as palavras dela me fizeram passar 1 ano sem beijar mais ninguém. eu e filipe chamos esse período de trouble b (problema beijo rs). o fim da escola me deixou meio desnorteado, afinal, era hora de se jogar na vida. meu pai mandou eu ir caçar um curso e eu queria fazer inglês afinal, inglês é parte integrante da minha vida desde minha coleção magic english (sim, eu aprendi inglês com mickey, pluto, pateta e derivados). meu pai embarreirou o curso de inglês e acabei entrando pra manutenção de computadores por ser um curso rápido. péssima idéia, dinheiro jogado fora e 6 meses perdidos. a vida então se encaixou no meio-expediente na locadora porque em 2007 o processo de recuperação do meu couro cabeludo (explicado detalhadamente na parte 1 desse post) recomeçaria.

dessa operação eu tenho vastas lembranças, portanto, posso dividir algumas com vocês: o expansor colocado no meu cocuruto fez um verdadeiro quebra-molas na minha cabeça e se você desse tapinhas nele, dava pra ouvir o soro lá dentro se mexendo. gustavo nunca conseguiu colocar a mão porque ele morria de nervoso e não era para menos: eu fiquei parecido com um e.t. com aquela deformação na cabeça. eu tirei o expansor em junho e voltei para fazer uma operação mais simples em dezembro. na verdade, chega de expansores! tudo que o dr. henrique (um médico excepicional, diga-se de passagem, que sempre foi muito atencioso comigo) fará agora são implantes para cobrir as partes pequenas que faltam. se eu vou me livrar do boné depois que essas pequenas operações acabarem, sinceramente, eu não posso afirmar. mas que eu já me sinto mais livre e confortável com isso é uma certeza.

e eis que chegamos a 2008, a cena final do volume 1 do filme da minha vida (boiou? primeiro post do blog, por favor). em março desse ano eu começei a trabalhar na casa do doce, meu primeiro emprego de verdade, já que na locadora sempre foi meio-expediente. o começo lá foi muito difícil, já que o vinicius não estava satisfeito com o meu aproveitamento e, ao invés de falar comigo sobre isso, estava falando com os outros funcionários. pensei diversas vezes em sair, desistir, jogar a toalha... mas aos poucos me adaptei e hoje em dia estou bem satisfeito com meu trampo. trabalhar na casa do doce também foi deveras importante para a minha aproximação do gustavo, já que por trabalharmos juntos, nos tornamos ainda mais próximos.

mas se a parte profissional se encaixava durante o ano de 2008, havia algo errado na minha vida pessoal. algo muito errado. a tristeza começou a achar espaço e a ir se acomodando como se tivesse sido convidada; a infelicidade apagava lentamente o sorriso do meu rosto, enquanto a angústia se acoplava ao meu corpo, deixando um mal-estar de que tem algo muito errado. e quando ficou impossível de suportar, quando já estava causando dor demais para seguir em frente, eu conversei com a bia e pude novamente respirar. tassi viria em seguida, trazendo um pouco mais de paz pra minha amargura, dúvidas e complexos.

e então, na segunda-feira dessa semana, num banheiro sujo onde deixei as lágrimas rolarem deliberadamente, a tela em fade-out anunciava o fim do volume 1. e parece que dessa vez a continuação superará o filme orginal. que venha o volume 2!