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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

onde o palco da minha vida antiga encontra o elenco da nova.

... e lá vamos nós novamente para as expectativas, planos e resoluções que acarretam cada chegada de um novo ano, inteiramente brilhante e coberto de esperanças. mas seria um equívoco saudar os próximos 365 dias sem parar pra refletir a importância de 2008 pro resto da minha existência. eis a pretensão deste pequeno post.

2008 foi o melhor ano da minha vida em inúmeros aspectos diferentes. não foi um ano onde predominou a felicidade e o sorriso fácil, é verdade. aliás, a primeira metade dele foi marcada exatamente por dias nublados taciturnos e lúgubres, de uma nostalgia pálida e de uma saudade dos dias em que a vida era mais simples e não fazia-se necessário encarar nossas responsabilidades nos olhos e aceitá-las. 2008 foi o limite: não havia mais tempo nem desculpas, era hora de aceitar de uma vez por todas. e quando fiz isso, vi um fantasma que me assombrara por 2 décadas se esvair com extrema facilidade. chega a ser estúpido olhar para um ano atrás e ver tanta coisa que eu guardava pra mim, com medo do mundo. tanta coisa que transformei em barreiras na estrada da vida quando não passavam de pequenos buracos no asfalto. 2008 trouxe a clareza de que homossexualidade não caracteriza ou limita ninguém. não define sua personalidade, sua posição no mundo ou na sociedade, não te torna menor que ninguém. e, principalmente, de que uma característica biológica nunca será mais importante que o seu caráter.


2008 foi definitivamente o ano de crescer. seja no lado profissional, onde tive pela primeira vez um emprego de verdade. e mesmo que no momento eu esteja muito de saco cheio da casa do doce, é inegável o quanto eu cresci profissionalmente ali. não fui o funcionário do ano nem me empenhei devidamente, mas aprendi muito sobre responsabilidade. um aprendizado do cacete, de verdade. o amadurecimento sentimental também ficou evidente muitas das vezes. foi um ano de buscas, tentativas, paixões platônicas exacerbadas e (por que não?) de primeiros beijos. há, contudo, certa frustração por minha parte de acabar o ano sozinho, confesso. mas sei que esse processo de desventuras amorosas é parte integrante do nosso crecimento pessoal. devia ter acontecido há algum tempo atrás, talvez na pré-adolescência, mas eu sempre fui uma pessoa um tanto atrasada. (rs).


2008 foi o ano do gu, da ágatha, das minhas 2 bias, do phill, da lezinha, do di, da nati (leitora mais assídua desse blog, que fique registrado), da tassi, do mira, da gabi, da tia val, do bruno, do marcio, da fê... de todas as minhas pessoas. cada um exercendo sua importância na minha vida com suas singularidades... nada faria o menor sentido sem vocês.

e principalmente, 2008 foi um ano de transição. daqui há 30 anos, quando eu olhar pra trás pra analisar minha vida, eu terei pleno conhecimento de que o ano de 2008 foi aquele o qual eu criei coragem pra gritar ao mundo "HEY, EU SOU ASSIM E NADA E NINGUÉM VAI ME MUDAR!". como esteve convenientemente escrito no sub-título do meu blog durante o ano inteiro, "onde o palco da minha vida antiga encontra o elenco da nova". esse foi o ano de 2008.


e se 2008 foi o ano da teoria, tenho certeza absoluta que 2009 é o ano de exercer minha LIBERDADE no sentido mais amplo de sua conotação.


simbora, galera.. 2009 nos aguarda. ;)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"realize that life goes fast": vinte-e-três (epílogo)

pois é, agora eu tenho 23. e, convenientemente, nada mudou. tudo está exatamente no mesmo lugar e eu me sinto o mesmo que eu era no dia 17 de dezembro. mas os 23 anos trouxeram, acima de tudo, equilíbrio. nesse momento eu sei medir exatamente a pessoa que sou e a pessoa que quero ser, os meus erros e os meus acertos, meus passos firmes e meus tropeços. e quando você passa a ter esse nível de consciência sobre você mesmo é sinal de que você alcançou o índice de amadurecimento necessário para ser caracterizado como um adulto. sim, demorou um bocado, mas no momento eu me sinto mais adulto que nunca (rs).

um agradecimento singelo a todas as pessoas que usaram de suas palavras sinceras para me cumprimentar no dia de ontem. eu confesso que me sinto meio constrangido com essa coisa de "parabéns", mas o carinho emanado por vocês é de encher meu coração de contentamento.

e agora, com licença, mas gostaria de falar com 4 pessoas em particular u.u (rs):

ágatha e gu: nada mais conveniente que um post em parceria de vocês dois, onde vocês dissecaram o nosso pequeno triângulo particular com perfeccionismo ímpar. eu confesso que no momento atual da minha vida, vocês são parte tão crucial dela quanto o ar que respiro (deixando de lado o romantismo brega e me referindo à parte orgânica mesmo), porque eu não consigo SEQUER imaginar olhar pro lado e ver que não tenho vocês dois ali. eu sei que essa necessidade é até um pouco apreensiva, mas prometo que não é nada doentio, viu? (rs).
as palavras de vocês aqui nesse blog retrataram perfeitamente o que somos juntos: parece até coisa de filme de comédia bizarro americano, mas o nosso menaginho é o que há (rs!).
amo vocês, okay?
e bichinha safada é o caral*o que os partam u.u
sou um homem centrado, moldado às regras da alta-sociedade e digno de respeito. (KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, escaralhei).

bia-beatriz: é íncrivel conferir que ainda estás bravamente aqui, a me aturar da mesma forma que me aturava há 3 anos atrás, quando éramos tietes incansáveis do músico-surfista. algumas vezes cheguei a pensar que você pularia do barco, porque você aí, tão interessante e amadurecida e eu aqui um boboca com paixões platônicas. mas a cada dia que passa, incrivelmente os laços se apertam e nos entendemos da nossa forma, mesmo no silêncio do msn
ou nos depoimentos escondidos do orkut (uma coisa meio calendário-de-padres, se é que você me entende, rs). a necessidade física se torna obsoleta diante do quanto consigo te amar só aqui pela telinha do pc, viu? claro que ainda quero te ver novamente, me perder na noite de são paulo contigo e apertar suas bochechas até deixá-las roxas (rs). mas o que importa é poder parar pra refletir um pouquinho e contemplar a grandiosidade do que construímos.
obrigado por nunca ter desistido de mim, okay?
ps: deu pra perceber que realmente NÃO sabes postar vídeos no blog (rs).

bia-bianca: deus, o que fiz pra merecer uma coisinha tão preciosamente linda e doce na minha vida? sei lá, você, sua caipirazinha linda, deve ser algum presente que estou recebendo nessa vida por bons modos na vida anterior (rs).
mas, falando sério, enquanto lia suas palavras, parecia que havia uma vibração emanando da tela do computador, uma coisa suave e cheia de vida, provida de afeto e amor verdadeiro. algo que eu não sei explicar muito bem, mas que encheu meu pequeno músculo pulsante de contentamento.
eu sempre gostei particulamente de usar a palavra sincero para adjetivar o amor genuíno que temos um pelo outro e suas palavras me deram ainda mais certeza que a escolha da palavra não foi vã: o que sentimos um pelo outro é muito puro e natural, mew, totalmente despido das coisas falsas que vemos aí pela internet.
eu sou apaixonado pela sua pessoa, bianca. a cada dia que passa, a cada nova janela de msn aberta, você conquista ainda mais minha admiração e o meu amor. e sei que estou dedicando esse sentimentos à pessoa certa, tenho certeza absoluta disso. te amo, viu?

"We rule the world together
With out secret codes
And plans we can't remember"

vocês 4, gu, ágatha, bia-beatriz e bia-bianca, são no momento a melhor parte dos meus 23 anos. desculpem por colocar toda essa responsabilidade em suas costas, mas daí veio o pedido de escreverem no meu blog no dia do meu aniversário: para descrever o quão sortudo eu sou de ter o amor de 4 pessoas tão especiais, precisava ser em vossas próprias palavras.

e vocês se saíram perfeitamente bem.

you've made my day special.
and i love you endlessly.

que venham os 24 (sugestivo, não, KKKKK³).

domingo, 22 de junho de 2008

useless top 5 - melhores conversas

- o useless top 5 (top 5 inúteis) será um quadro fixo do meu blog, enumerando periodicamente os 5 melhores numa categoria irrelevante e sem importância alguma.

no useless top 5 de hoje, vou eleger as 5 pessoas com quem tenho as melhores conversas: aquele papo furado de horas sobre assuntos variados, contemporâneos e (in)úteis, aquelas risadas, piadas e comentários infames e aquelas pessoas com quem tenho mais afinidade pra falar sobre tudo e desabafar na hora que a coisa aperta.

5º lugar: bianca
aaah, a bia! essa moça lá de goiás que veio aos poucos conquistando meu coração com seu jeito tão próprio, cativante e amável. nós nos conhecemos há pouco mais de um ano, numa espécie de jogo viciante que causa sérios problemas na vida real (rs, ela sabe do que estou falando). eu sempre tentava fazer meu personagem se aproximar dela, mas ela sempre me ignorava prontamente com respostas educadas e assuntos sem continuidade, para que eu não pudesse continuar a prosa (rs). até que a magia aconteceu: passamos a gastar horas nesse jogo com conversas cômicas, hilárias, de fazer a barriga doer de tanto rir.

até que o jogo, de uma hora para a outra, terminou para nós dois. e, quando nos vimos raphael e bianca frente a frente, sem o pano de fundo que eram nossos personagens, a química entre a gente já estava tão viva que foi exatamente a mesma coisa. e eu fico muito feliz com isso, porque ficar sem a bia na minha vida é totalmente sem condição!

as minhas conversas com a bianca são mágicas, só assim consigo descrever: eu posso estar com problema que for, com o humor mais para baixo possível que é sempre na janela dela que eu encontro a risada necessária. e depois da primeira, há uma sucessão de espasmos e risadas que podem acordar o vizinho e uma vibração tão boa e positiva que é impossível ficar indiferente. contudo, obviamente que nem só de humor sagaz e pecamino vive nossa janela do msn: a gente se pega sempre devaneando sobre a vida e suas dificuldades, sobre o quanto ela é nerd e estará rica antes dos 30 e sobre minhas crises existencialistas e meus complexos.

a bia é assim: traz tante felicidade para as minhas conversas com seu senso de humor malicioso e apurado, tanta confiança com seus conselhos e suas confissões e tanta cultura inútil com suas horas assistindo tv fama que o 5º lugar não podia ser de outra pessoa. te amo, potranca! (rs)

4º lugar: ivando
toda vez que vou procurar emprego eu tenho uma preocupação fixa: o que conversar com a pessoa com quem trabalharei. na verdade, eu sou péssimo pra conversas rotineiras, aquela coisa maçante do dia a dia e a diplomacia de papos com pessoas que não me conhecem.

quando o ivando me chamou para trabalhar na locadora, eu aceitei prontamente, mesmo que tivesse esses medos. contudo, nos 2 anos que fiquei lá, aconteceu exatamente o contrário: eu nunca precisei me preocupar com conversas rotineiras de companheiros de trabalho, porque nossos papos sempre foram profundos e cheios de assunto. com ivando eu aprendi muito sobre filmes e foi ali que adquiri meu gosto por cinema de verdade. nossas opiniões sobre música sempre divergiram um bocado, mas eu consegui implantar pelo menos um pouco de coldplay, death cab for cutie, keane e outras bandas no gosto musical ultrapassado dele (rs).

e quando o assunto sobre cultura acabava, a gente passava tardes falando sobre a vida. e muitas vezes as conversas que tive com ele, a confiança que ele tem na minha capacidade de ainda ser alguém me davam o incentivo de me esforçar mais um pouco e correr atrás. certas conversas até mesmo enchiam meus olhos de lágrimas pela pronfudidade e sinceridade e, com certeza, essas conversas com ivando são parte crucial do meu amadurecimento como pessoa.

pelas melhores conversas no local de trabalho que eu tive e que terei durante toda minha vida, o 4º lugar é dele. quero ver quem mais acha que conversar com o patrão é tão bom assim (rs).

3º lugar: tassi
tassiane esteve em todas as fases da minha vida: na infância, na escola; na adolescência, quando ela vinha para a loja da mãe dela que fica perto da minha casa; e agora, na fase adulta, com menos tempo, mas com a mesma intensidade.

antigamente, a gente colocava toda a nossa energia em falar mal das pessoas (rs). sentávamos na porta da loja da mãe dela e começávamos a destilar veneno em qualquer um que desse motivo. nossos comentários eram tão inteligentes e observadores que as crises de riso eram impossíveis de ser contidas. mas eu e a tassi amadurecemos juntos. ela um pouco mais rápido que eu, obviamente, já que é a ordem natural das coisas e as mulheres sempre amadurecem primeiro que os homens. e mesmo que não tenhamos perdido a sagacidade dos comentários maldosos, o foco de nossas conversas agora são mais profundos e relevantes.

a verdade é que há muita cumplicidade entre mim e tassi. segredos entre a gente praticamente não existem e um sempre fica afoito para contar ao outro o que tá rolando. e por tanta cumplicidade, risadas e por uma amizade duradoura e verdadeira, o 3º lugar é dela. =]

2º lugar: gustavo
dos meus 4 amigos que compõe o grupo de amizades desde a infância, nem sempre o gustavo foi o mais próximo de mim. isso passou a acontecer, basicamente, depois que a gente começou a trabalhar junto. e desde então, não há como negar que os laços que já eram muito fortes se apertaram ainda mais.

ultimamente nós temos falado muito do futuro, dos nossos medos e perspectivas e de tudo que está prestes a acontecer. e a gente fala disso por horas, acordados no escuro da noite até a gabriela (irmã dele) reclamar que já são 2hrs da matina e a gente não pára de falar (rs). mas o passado nunca é esquecido nesse olhar para o futuro e as lembranças sempre geram muitas risadas e uma sensação de que tudo valeu a pena.

independente do que o futuro está prestes a trazer, eu e o gustavo sabemos como nos divertir: praticamente rimos durante todo o tempo que passamos juntos, coisa de deixar o maxilar doendo. são piadas, comentários, gracinhas, ironias, sarcasmos que muitas vezes só nós dois entendemos, mas basta um olhar pra cara do outro que a percepção acusa que tem algo muito engraçado por perto (rs).

uma das pessoas mais importantes que já cruzaram minha vida. e as pessoas importantes não aparecem sem motivos. nunca. 2º lugar ;)


1º lugar: bia
nós moramos a milhares de quilômetros de distância e nos falamos por telefone ou ao vivo somente uma vez. não obstante, as conversas por msn com a bia são tão importantes para mim que nada disso a impediu de ficar com o 1º lugar desse useless top 5.

como eu disse num post anterior, eu e a bia nos conhecemos graças ao jack johnson e, mesmo que hoje em dia nem falemos do cantor-surfista, a afinidade continua intacta. por quê? porque não era a coincidência de gostar do jack johnson que nos unia. eram nossas personalidades fortes e únicas, nossa inteligência (até hoje peço uma cpi no teste de q.i., o qual, devido a um roubo, ela conseguiu 3 pontos a mais que eu), nosso gosto pra cultura em geral e, principalmente, nossa capacidade de abrir o coração pra deixar uma pessoa totalmente estranha entrar.

quando eu converso com a bia, sinceramente, é como conversar com uma pessoa que sempre esteve na minha vida, que me conhece tão bem que parece até impossível surpreender contando alguma coisa. e o msn não torna nada frio, superficial ou algo do tipo. as conversas são tão calorosas como se estivêssemos próximos e aptos a nos abraçar no momento que um dos 2 precisa. e é na pagina dela que rolam os lamentos, as lágrimas e as principais conversas sobre o meu medo de aceitação e meu complexo de inferioridade.

e, por tanta coisa mas, principalmente, por me oferecer generosamente um oásis no meio de um mundo de tanta complicação e turbulência; por me oferecer o único lugar do mundo onde eu posso ser eu mesmo; e por ser exatamente a pessoa que ela é, o 1º lugar é todo seu bia.
te amo ;)

terça-feira, 10 de junho de 2008

"oi lienda, bella che fa?"

ela jurava de pés juntos que o surfista - e cantor nas horas vagas - jack johnson havia escrito essa música única e exclusivamente pra ela, como se ela fosse a musa inspiradora de todos os compositores havaianos. foi nessa onda de absoluto egocentrismo que ela entrava na minha vida: ana beatriz, a minha bia. =]

nós nos encontramos há pouco mais de 2 anos por mera coincidência numa comunidade do jack johnson no orkut. na época, éramos ambos fanáticos pelo som do cara e eu procurava por um lado-b. e eis que ela surgiu cheia de boa vontade - o que foi uma dádiva divina para nos unir, porque boa vontade, infelizmente, não é o forte da personalidade dela (rs). trocamos msn e, durante trocas diárias de músicas, percebemos que nossa afinidade ia muito além de violões doces e letras açucaradas: tínhamos personalidades e pontos de vistas parecidos e a afinidade foi cada vez crescendo mais. gastávamos horas na internet juntos, até altas horas da madrugada, conversando, rindo, implicando um com o outro... afirmando veementemente que eu era sua versão masculina e ela minha versão feminina.

durante esse dois anos que nos conhecemos, certas coisas mudaram, outras permaneceram intactas; ambos fomos pegos por uma onda de amadurecimento e, aos poucos, deixamos a música superficial de outrora pra procurar melodias e letras mais profundas. bia se achou no post-rock e suas bandas-islandesas-que-inventam-dialetos-próprios; eu fiquei com o indie e suas-bandas-depressivas-me-ama-ou-eu-me-mato. às vezes as divergências de opioões são inevitáveis, mas na maioria das vezes apresentamos tais bandas um para o outro e mantemos a compatibilidade do last lá no alto. outra coisa que sofreu mudanças no decorrer do tempo foi o centro de nossas conversas: é bem verdade que 75% do que a gente fala é música, filme, livros ou coisas irrelevantes. mas de vez em quando, de súbito, a gente se pega falando da vida, da morte, de medos, do futuro, de relações, de sexo, dos nossos pais, de nossas crenças, nossas opiniões e opções... de vez em quando a gente finge ser adulto e com mais ninguém nesse mundo eu consigo ser tão transparente e verdadeiro.

mas houve uma época em que eu estava tão fechado, tão profundamente escondido na minha concha que nem a bia conseguia entrar. nossas conversas no msn, acostumadas com papos de milhões de caracteres não passavam de cumprimentos e um breve comentário sobre o último álbum ouvido. a culpa disso foi minha, que achava que devia passar pelo o que estava passando sozinho. até que numa noite uma lampejo de luz iluminou meu caminho e meu interior me disse imperativamente: "hey idiota, o que você está esperando pra contar para a bia?". respirei fundo, tomei fôlego e fui eu. e ela recebeu tudo com a maior naturalidade do mundo, me dando a conversa que eu tanto estava precisando há anos. tornou-se de repente o meu oásis, o único lugar do mundo onde eu podia ser eu mesmo sem medo de repressões e sem precisar atuar aquele personagem que eu já estava tão de saco cheio. você, de certa forma, de libertou, bia. e nada nesse mundo pode pagar essa sensação que você me proporcionou.

há 2 anos atrás, num extinto blog que eu possuía na época, escrevi palavras de aniverário para você também. é até engraçado estar de novo fazendo a mesma coisa, mas numa perspectiva bem diferente: se naquela época começávamos a construir uma amizade com certa insegurança se seria uma coisa firme e sólida, hoje escrevo com a tranqüilidade de saber que você fará parte da minha vida para sempre. não por ter sido a primeira, não tem nada a ver com isso. isso é mero detalhe perto da importância de todos os outros momentos, risdas e conversas que tivemos. nossa amizade é pra sempre simplesmente por ser o que ela é. e se a geografia é problema pra alguns, a gente tira isso de letra, né não? não vão ser alguns quilômetros que vão nos atrapalhar e estar cada dia mais unidos e cúmplices um do outro.

esse post ia terminar de uma forma muito inusitada: eu pretendia fazer um vídeo CANTANDO saeglopur para provar a você que sua amizade é tão importante para mim que, por você, aprendo até a falar o hopelandic. por motivos de força maior, (in)felizmente o plano teve que ser abordado. termino aqui então com a singela mensagem de que, não importa a estrada que nossas vidas seguirem, eu vou estar bem próximo, seguindo junto contigo, beleza?



feliz aniversário, mulher da minha vida. S2

segunda-feira, 2 de junho de 2008

i must belong somewhere*


ultimamente, eu tenho gastado minhas manhãs de outono em caminhadas sob o sol opaco e morno, em trajetórias rotineiras e desinteressantes. nada a ver com o culto ao corpo perfeito imposto pela sociedade atual (afinal, ninguém usa essa droga mesmo, então pra que cuidar dele? rs). mas fazer essas caminhadas foi o jeito que eu encontrei de ficar mais próximo de mim mesmo.

com os fones no ouvido e o iPod sempre no shuffle, parto em uma caminhada de encontro com os meus maiores fantasmas, que resolveram me assombrar como nunca nos últimos meses. enquanto belle and sebastian, damien rice, kings of convenience e beirut tocam desordenadamente suas melodias, eu reflito e procuro respostas pras questões que andam perturbando meu sono. e, sobretudo, essas caminhadas me deixam mais próximo de algo que eu realmente amo: minha cidade.

o meu amor por nova friburgo - cidade serrana do estado do rio de janeiro - vai muito além de seus pontos turísticos, seus restaurantes pomposos ou seu ar de cidade européia. o que eu amo em friburgo é, por exemplo, depois de descer pra capital e ficar lá num dia quente e abafado, ao pegar os caminhos arborizados em zigue-zague da serra, você sente a mudança no ar, como se morássemos numa cidade tão egoísta que não compartilha seu ar puro com mais nenhuma cidade. um ar só nosso, é isso que temos. e eu adoro as cores da cidade, o jeito como o sol a ilumina de forma branda e serena, o jeito que o verde das matas reflete vivamente essa claridade quase melancólica. gosto até mesmo da iluminação artificial da cidade, amarelada e nostálgica, como se fôssemos ainda uma viela no alto das montanhas. e gosto, acima de tudo, de ver a cidade despertar. de subir uma de suas muitas montanhas e ver o sol a tocando carinhosamente com seus primeiros raios, evaporando aos poucos a névoa que a cobria. e eis que surge em seu brilho matinal o lugar que eu mais amo no mundo.

mas o mundo é grande demais pra gente nascer exatamente no lugar em que devemos passar o resto de nossas vidas. não que isso seja uma regra, mas funciona quando você começa a se sentir "um estranho no paraíso" (rs). e mesmo que eu ame nova friburgo e mesmo sabendo que ela sempre será a minha cidade, eu reconheço, nas palavras da bia "que ela se tornou pequena demais para mim". nada a ver com a geografia do lugar, mas quem mora aqui sabe que friburgo é um ovo. e pra tudo que eu eu quero viver, sentir e experimentar, friburgo torna-se inviavél de várias formas.

e eis que surge uma das principais questões da minha fase atual: pra onde eu devo ir, mew?
bom, a primeira opção foi dada pela minha própria mãe no ano passado: íamos todos (eu, ela e meu pai) mudar pra rio das ostras, uma cidade litorânea aqui próxima. não que fosse adiantar muita coisa, porque r.o. é um ovo ainda menor que friburgo (eles são um ovo de codorna, nós de galinha rs). mas novos ares seriam muito bem vindos e talvez eu conseguisse me adaptar lá aos poucos. saí do emprego, dei tchau pros amigos e um ano inteiro se passou sem que minha mãe tomasse atitude nenhuma de mudar. pois é, descartemos essa opção.

também temos a bia, que oferece sua casa prontamente para me receber a hora que eu quiser.
bom, eu sei que ela diz isso da boca pra fora, porque ela nunca me "adotaria" assim... ela não é louca a esse ponto (rs). a bia (que será tratata com mais propriedade nos próximos posts) mora em são paulo e acha que um pouco do ar da maior metrópole do brasil é tudo que eu preciso. será? acho que eu me sentiria completamente perdido numa cidade daquelas proporções. entretanto, uma cidade onde você é um anônimimo, onde as pessoas passam por você na rua e não te reconhecem e não te julgam seria um ótimo modo de lidar com tudo isso - pelo menos no começo. só há duas coisas que poderiam acontecer: ou são paulo me devoraria e eu voltaria correndo pra minha pequena suíça brasileira ou simplesmente eu me tornaria um cidadão honorário paulistano. pois é...

bom, enquanto isso, mesmo me sentindo um forasteiro na cidade que sempre vivi, comecei a juntar grana pra iniciar uma faculdade no ano que vem. afinal, já foram anos demais de relaxamento e comodidade. mas se a qualquer momento eu pegar essa grana e usá-la como capital inicial pra morar em são paulo, ninguém vai poder me culpar. às vezes, correr riscos é tão importante quanto um diploma na parede...
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* a americanização do blog é ligada diretamente à minha personalidade, à música que ouço, aos filmes que assisto e à presença da língua inglesa na minha vida. peço-lhes desculpa por isso ;)