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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

onde o palco da minha vida antiga encontra o elenco da nova.

... e lá vamos nós novamente para as expectativas, planos e resoluções que acarretam cada chegada de um novo ano, inteiramente brilhante e coberto de esperanças. mas seria um equívoco saudar os próximos 365 dias sem parar pra refletir a importância de 2008 pro resto da minha existência. eis a pretensão deste pequeno post.

2008 foi o melhor ano da minha vida em inúmeros aspectos diferentes. não foi um ano onde predominou a felicidade e o sorriso fácil, é verdade. aliás, a primeira metade dele foi marcada exatamente por dias nublados taciturnos e lúgubres, de uma nostalgia pálida e de uma saudade dos dias em que a vida era mais simples e não fazia-se necessário encarar nossas responsabilidades nos olhos e aceitá-las. 2008 foi o limite: não havia mais tempo nem desculpas, era hora de aceitar de uma vez por todas. e quando fiz isso, vi um fantasma que me assombrara por 2 décadas se esvair com extrema facilidade. chega a ser estúpido olhar para um ano atrás e ver tanta coisa que eu guardava pra mim, com medo do mundo. tanta coisa que transformei em barreiras na estrada da vida quando não passavam de pequenos buracos no asfalto. 2008 trouxe a clareza de que homossexualidade não caracteriza ou limita ninguém. não define sua personalidade, sua posição no mundo ou na sociedade, não te torna menor que ninguém. e, principalmente, de que uma característica biológica nunca será mais importante que o seu caráter.


2008 foi definitivamente o ano de crescer. seja no lado profissional, onde tive pela primeira vez um emprego de verdade. e mesmo que no momento eu esteja muito de saco cheio da casa do doce, é inegável o quanto eu cresci profissionalmente ali. não fui o funcionário do ano nem me empenhei devidamente, mas aprendi muito sobre responsabilidade. um aprendizado do cacete, de verdade. o amadurecimento sentimental também ficou evidente muitas das vezes. foi um ano de buscas, tentativas, paixões platônicas exacerbadas e (por que não?) de primeiros beijos. há, contudo, certa frustração por minha parte de acabar o ano sozinho, confesso. mas sei que esse processo de desventuras amorosas é parte integrante do nosso crecimento pessoal. devia ter acontecido há algum tempo atrás, talvez na pré-adolescência, mas eu sempre fui uma pessoa um tanto atrasada. (rs).


2008 foi o ano do gu, da ágatha, das minhas 2 bias, do phill, da lezinha, do di, da nati (leitora mais assídua desse blog, que fique registrado), da tassi, do mira, da gabi, da tia val, do bruno, do marcio, da fê... de todas as minhas pessoas. cada um exercendo sua importância na minha vida com suas singularidades... nada faria o menor sentido sem vocês.

e principalmente, 2008 foi um ano de transição. daqui há 30 anos, quando eu olhar pra trás pra analisar minha vida, eu terei pleno conhecimento de que o ano de 2008 foi aquele o qual eu criei coragem pra gritar ao mundo "HEY, EU SOU ASSIM E NADA E NINGUÉM VAI ME MUDAR!". como esteve convenientemente escrito no sub-título do meu blog durante o ano inteiro, "onde o palco da minha vida antiga encontra o elenco da nova". esse foi o ano de 2008.


e se 2008 foi o ano da teoria, tenho certeza absoluta que 2009 é o ano de exercer minha LIBERDADE no sentido mais amplo de sua conotação.


simbora, galera.. 2009 nos aguarda. ;)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"realize that life goes fast": vinte-e-três (epílogo)

pois é, agora eu tenho 23. e, convenientemente, nada mudou. tudo está exatamente no mesmo lugar e eu me sinto o mesmo que eu era no dia 17 de dezembro. mas os 23 anos trouxeram, acima de tudo, equilíbrio. nesse momento eu sei medir exatamente a pessoa que sou e a pessoa que quero ser, os meus erros e os meus acertos, meus passos firmes e meus tropeços. e quando você passa a ter esse nível de consciência sobre você mesmo é sinal de que você alcançou o índice de amadurecimento necessário para ser caracterizado como um adulto. sim, demorou um bocado, mas no momento eu me sinto mais adulto que nunca (rs).

um agradecimento singelo a todas as pessoas que usaram de suas palavras sinceras para me cumprimentar no dia de ontem. eu confesso que me sinto meio constrangido com essa coisa de "parabéns", mas o carinho emanado por vocês é de encher meu coração de contentamento.

e agora, com licença, mas gostaria de falar com 4 pessoas em particular u.u (rs):

ágatha e gu: nada mais conveniente que um post em parceria de vocês dois, onde vocês dissecaram o nosso pequeno triângulo particular com perfeccionismo ímpar. eu confesso que no momento atual da minha vida, vocês são parte tão crucial dela quanto o ar que respiro (deixando de lado o romantismo brega e me referindo à parte orgânica mesmo), porque eu não consigo SEQUER imaginar olhar pro lado e ver que não tenho vocês dois ali. eu sei que essa necessidade é até um pouco apreensiva, mas prometo que não é nada doentio, viu? (rs).
as palavras de vocês aqui nesse blog retrataram perfeitamente o que somos juntos: parece até coisa de filme de comédia bizarro americano, mas o nosso menaginho é o que há (rs!).
amo vocês, okay?
e bichinha safada é o caral*o que os partam u.u
sou um homem centrado, moldado às regras da alta-sociedade e digno de respeito. (KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, escaralhei).

bia-beatriz: é íncrivel conferir que ainda estás bravamente aqui, a me aturar da mesma forma que me aturava há 3 anos atrás, quando éramos tietes incansáveis do músico-surfista. algumas vezes cheguei a pensar que você pularia do barco, porque você aí, tão interessante e amadurecida e eu aqui um boboca com paixões platônicas. mas a cada dia que passa, incrivelmente os laços se apertam e nos entendemos da nossa forma, mesmo no silêncio do msn
ou nos depoimentos escondidos do orkut (uma coisa meio calendário-de-padres, se é que você me entende, rs). a necessidade física se torna obsoleta diante do quanto consigo te amar só aqui pela telinha do pc, viu? claro que ainda quero te ver novamente, me perder na noite de são paulo contigo e apertar suas bochechas até deixá-las roxas (rs). mas o que importa é poder parar pra refletir um pouquinho e contemplar a grandiosidade do que construímos.
obrigado por nunca ter desistido de mim, okay?
ps: deu pra perceber que realmente NÃO sabes postar vídeos no blog (rs).

bia-bianca: deus, o que fiz pra merecer uma coisinha tão preciosamente linda e doce na minha vida? sei lá, você, sua caipirazinha linda, deve ser algum presente que estou recebendo nessa vida por bons modos na vida anterior (rs).
mas, falando sério, enquanto lia suas palavras, parecia que havia uma vibração emanando da tela do computador, uma coisa suave e cheia de vida, provida de afeto e amor verdadeiro. algo que eu não sei explicar muito bem, mas que encheu meu pequeno músculo pulsante de contentamento.
eu sempre gostei particulamente de usar a palavra sincero para adjetivar o amor genuíno que temos um pelo outro e suas palavras me deram ainda mais certeza que a escolha da palavra não foi vã: o que sentimos um pelo outro é muito puro e natural, mew, totalmente despido das coisas falsas que vemos aí pela internet.
eu sou apaixonado pela sua pessoa, bianca. a cada dia que passa, a cada nova janela de msn aberta, você conquista ainda mais minha admiração e o meu amor. e sei que estou dedicando esse sentimentos à pessoa certa, tenho certeza absoluta disso. te amo, viu?

"We rule the world together
With out secret codes
And plans we can't remember"

vocês 4, gu, ágatha, bia-beatriz e bia-bianca, são no momento a melhor parte dos meus 23 anos. desculpem por colocar toda essa responsabilidade em suas costas, mas daí veio o pedido de escreverem no meu blog no dia do meu aniversário: para descrever o quão sortudo eu sou de ter o amor de 4 pessoas tão especiais, precisava ser em vossas próprias palavras.

e vocês se saíram perfeitamente bem.

you've made my day special.
and i love you endlessly.

que venham os 24 (sugestivo, não, KKKKK³).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

minha emo favorita.


prometi fazer uma coisa diferente e criativa para quando fosse homenagear a bianca no dia do seu aniversário mas, diante do bloqueio criativo em que me encontro, o máximo de criativadade que consigo é um telefonema de alguns minutos para falar de assuntos irrelevantes. e o pior de tudo, sequer dei os parabéns ao telefone. bem, estou aqui agora para corrigir o erro.

bianca é o máximo de diversão que eu tenho na internet, essa é a verdade. okay, eu conheço bastante gente que nunca vi na vida e que só tenho contato pela internet, mas quem realmente me faz abrir um sorriso de orelha a orelha é a bia. é ela quem me faz enfrentar o tédio internético e aparece de vez em quando no msn, pras conversas que são capazes de transformar um dia ruim numa verdadeira overdose de risadas descontroladas. e esses são nossos melhores momentos, quando estamos ambos bem e gastamos horas sem falar nada relevante: é só bobagem ambigüe, palhaçadas sexuais, zoações sobre nossos cotidianos e sobre nossas fracassadas vidas amorosas.

mas ela, no seu posto de emo-faço-chapinha e eu, no meu de pseudo-indie-depressivo, temos lá nossos (muitos) momentos de depressão, que às vezes nem sabemos bem o motivo. e quantas foram as vezes que um apoiou o outro, deu uma direção quando tudo estava perdido ou um conselho quando tudo tava uma droga? inúmeras vezes eu não conseguia ver sentido na minha vida e a bia estava ali pra me mostrar que estava tudo bem, que essa coisa de se sentir um inútil logo logo ia passar. e sempre passa mesmo, porque eu estou cercado de pessoas muito especiais e você com certeza é uma das que encabeçam a lista.

bom, o mais importante de tudo isso é o amor que tenho por essa garota: é uma coisa tão pura e sincera, tão grande e verdadeira que às vezes eu nem sei expressá-la direito. tanto que esse post, que era para ser lindo, tá tão sem sal quanto o telefonema que dei no sábado à noite. mas um dia eu ainda vou surpreendê-la neste blog, com a mais linda das homenagens... por enquanto esse serve simplesmente para te dizer que, enquanto os anos passarem, eu continuarei aqui acompanhando o seu sucesso e a vida linda que está reservada pra ti. eu já lhe disse isso pessoalmente, mas eu sei que seu futuro é promissor, não apenas pela sua capacidade, que é enorme, mas pelo que você é. e pessoas lindas como ti precisam ser felizes, porque seria injusto que alguma força superior agisse de qualquer outra forma. (filosofei e pirei na batatinha, bjs kkkkkkk)

eu te amo, bia. de coração mesmo, como se a conhecesse há séculos. e você será uma das pessoas que eu vou abraçar e encher de beijos antes de morrer, nem que eu tenha que percorrer o circuito friburgo-goiás a pé. prefiro a teoria do new beatle, um tanto menos cansativa (rs).

feliz aniversário, bia. =]

domingo, 2 de novembro de 2008

useless top five - festas frustradas

meu computador finalmente retornou ao seu lar e, para festejar, nada melhor que um useless top 5 listando as 5 piores festas da história \o/

para quem não se lembra, o useless top 5 (top cinco inúteis) é um quadro fixo do meu blog que enumera periodicamente os 5 melhores numa categoria irrelevante e sem importância alguma. e no post de hoje eu vou relembrar as 5 festas onde tudo deu errado, o álcool passou da conta e o bom senso foi inexistente. uma breve exposição das boas lembranças de minha adolescência.

5º lugar: luau da carina no amparo

- cúmplices: gustavo, filipe, diego e ísis.

essa festa já começou errada antes mesmo de chegarmos lá: quando estávamos saindo da minha casa, rodolfo, um mendigo-celebridade aqui do bairro estava mijando na frente do portão. segundo o depoimento de filipe, que analisou minuciosamente as partes íntimas do eterno chapolim, seu orgão genital estava parecendo uma linguiça de frango, graças à doença de pele que ele adquiriu e que afeta a pigmentação de sua pele. depois disso pegamos o ônibus, e após uma longa viagem (amparo é um distrito rural e fica há uns 30 minutos da cidade), chegamos ao sítio onde aconteceria a festa.

com o álcool liberado, não foi difícil para mim e para o diego - na época, sempre os dois primeiros a ficarem embriagados - perdermos rapidamente a consciência de nossos atos. digamos que diego passou a noite com uma das toalhas de mesa sobre a cabeça fazendo a dança do fantasma no meio da pista. em momentos mais corajosos, ele arriscava brilhantemente o moonwalk, pra delírio de todos que já estavam com a barriga doendo de tanto rir da cara dele.

já eu me encontrava jogado numa mesa, no meu estado depressivo já inerente dos meus porres. entreguei uma rosa a uma das meninas, no melhor estilo boêmio e vomitei na parte de trás da casa, escondido dos demais convidados. maik, o namorado da carina, insistia para me levar para casa, mas eu relutava, decidido a ficar ali enquanto houvesse álcool.

filipe e gustavo, enquanto isso, partiam para o flerte: quem gustavo beijou eu não lembro, mas como esquecer a mulher peluda com quem filipe se atracou sem vergonha nenhuma? (rs). e o pior de tudo é que um ex-namorado da bigoduda estava por lá, o que quase rendeu uma briga. os seguranças interviram, para sorte do filipe, porque se ele apanhasse por beijar um demônio daqueles, ele tomaria outra coça minha no dia seguinte (rs).

passados os momentos de tensão e embriaguez, coisas estranhas começaram a acontecer. sem muitos detalhes, diego e sua tática da manha-pós-álcool fizeram mais uma vítima, filipe quase teve um filho de tanto ciúme e gustavo me ridicularizou, me apresentando bêbado a uma menina - na verdade, ele queria pegar a amiga dela. ele sempre usava essas táticas ¬¬'.

passei mais ou menos 1 hora dando idéia na menina, gastando minhas péssimas cantadas e dizendo coisas estúpidas como "você é a mulher mais linda que eu jás vi". (rs). e na hora de ir embora, fui deitado no ombro dela, com a ânsia de vômito corroendo meus nervos. mesmo depois de todo esse esforço, não consegui arrancar um beijo da menina, o que rende a essa festa o 5º lugar desse useless top 5.

(na foto abaixo, a única prova ocular dos vergonhosos acontecimentos daquela noite de sábado. por bom senso, nenhuma outra foto foi tirada, rs).


4º lugar: formatura da carina na sef


- cúmplices:
gustavo, filipe, diego e danúbia.

tem gente que não aprende a lição mesmo: depois de toda a vergonha feita no luau, eis que carina nos aparece vendendo convites para sua festa de formatura, novamente com bebida e comida liberadas. óbvio que não seríamos imbecis de perder uma bocada dessas e lá ficamos nós por mais de uma hora na fila até a portaria ser liberada. nesse tempo, já bêbados, fizemos amizade com algumas ladies deveras perturbadas que moravam logo ali do lado e demos boas risadas com elas.

entretanto, quando a entrada finalmente foi liberada, o efeito etílico em nossas mentes já tinha nos abandonado e, caretas, não conseguimos aproveitar muito a festa, não. mas lembro que lá foi a primeira vez na vida onde ouvi a belíssima melodia do mc créu. a primeira vez a gente nunca esquece (rs).


tudo bem que a festa não estava lá essas maravilhas, mas quando as bebidas foram finalmente liberadas, filipe fez um favorzinho pra gente: um ex-namorado da ex-namorada [?] do gustavo estava por lá, doido pra arranjar treta com ele. gustavo tava bem na dele, se contendo, mas filipe (que na época fazia tiro de guerra e esta se achando o tom hanks em soldado ryan) deu um tapa na cara do rapaz e arranjou uma confusão dos diabos. o segurança apartou a briga e nos convidou, educadamente, para nos retirarmos da festa. ¬¬'

uma hora de fila. 30 minutos na festa. frustração total, 4º lugar.

3º lugar: 746 american bar

- cúmplices: filipe, gustavo, diego, marcinho, fernanda, ingrid e lauane.



nós praticamente passamos nossa adolescência no 746, a única boate da qual gostávamos de friburgo. e das várias vezes que fomos lá, não foram poucas as que o álcool foi um pouquinho demais, mesmo que a bebida liberada fosse até meia noite e nós chegássemos sempre às 11:59. mas uma em particular foi a mais vergonhosa de todas.

era uma noite onde a área vip da festa era só para as mulheres e acabei encontrando com a lauane por lá. ela estava na área vip, extraviando copos de vinho pra gente (rs). misturados com as tequilas (que até hoje há dúvidas se realmente eram tequilas ou pirasssununga misturada com alguma coisa) e com as cervejas, o efeito foi rapidamente desastroso: caí na parte externa da boate, agarrado à lixeira,quase vomitando o estômago junto. a queda de pressão me causou um frio intenso e fernanda tirou seu bolero e me deu para que eu me aquecesse. enrolei meus braços ao pequeno tecido, deitei no chão de concreto e fiquei por ali tremendo, até finalmente melhorar (algumas horas depois).

naquela mesma noite eu reencontrei a lau, nos abraçamos e talz e eu disse no ouvido dela: "eu não posso te beijar, eu estou todo vomitado". romântico, não? (rs). daí alguém veio tirar fotos e eis que saímos num site de festas desse jeito, completamente bêbados:

notem o bolero da fernanda ainda pendurado em meus ombros. tsc, quanta vergonha! 3º lugar. >.<

2º lugar: churrasco do p******.

- cúmplice: filipe.

tenebroso, assustador, vergonhoso, embarassador... faltam adjetivos para caracterizar aquela noite, onde entrei de gaiato num churrasco de certos amigos do filipe. nenhum nome dos presentes será citado, para vocês terem noção do nível de vergonha que essa pequena reunião pode proporcionar a quem estava lá. usarei pseudônimos e manterei em segredo a identidade das pessoas envolvidas.

era noite de sexta feita e filipe me chamou pra ir no tal churrasco. eu não tinha grana para pagar, mas filipe conversou com jurema e ela deixou eu entrar mesmo assim. jurema é um amor, beijos para ela (rs). o churrasco estava acontecendo numa laje, onde também ficava o quarto do dono da casa e, de início, todo mundo estava bem comportado. mas bastou uma garrafa de vodka de segunda qualidade com um drops de bala halls para neguim perder a cabeça. diante de uma trilha sonora bem poética ("quero que o mundo se acabe em b*ceta / só pra eu morrer f*dendo / quero que o mundo se acabe em p*roca / só pra eu morrer sentando"), jurema, duda e creusa rebolavam, se agarravam, levantavam a saia, caiam na cama de pernas pro ar e repetiam o refrão aos berros, fazendo daquelas palavras sua meta de vida. então jurema foi pro quarto com seu namorado e trancou a porta, pra momentos depois relatar que o cara era um frouxo e não partiu pro ataque.

mas o dono da casa não fez o mesmo: facilmente adalberto levou creusa pra rede e lá os dois fizeram momô gostoso (lol). o problema é que, mesmo trancando a porta que levava da laje pro quarto, as laterais da casa davam passagem para a varanda e, o que devia ser um momento íntimo virou um verdadeiro big brother: todo mundo acompanhou junto os movimento frenéticos na rede. pura putaria imprópria pra menores de 18 anos. rolam boatos de que juquinha, o mais novo de todos os presentes ficou ao lado da rede, masturbando-se deliberadamente. isso eu não vi, mas diante da libertinagem que presenciei, não duvido nada que possa ter acontecido. mesmo porque juquinha tem cara de quem faz essas coisas (rs).

quando acabaram o ato, adalberto apareceu sem camisa, virou uma garrafa de alguma bebida alcóolica no gargalo e respirou fundo, teatralmente. seus amigos, inclusive o frouxo namorado de jurema, o abraçavam e o congratulavam, enquanto eu, encostado numa das beiradas da laje, assistia a tudo incrédulo, abanando a cabeça. chamei filipe pra ir embora, mas ele insistia em ficar. o sem-noção ainda chamou creusa de piranha e a menina começou a chorar, dizendo que ter dado pro adalberto assim não fazia dela uma piranha [???????]. demoraram a conseguir acalmar a menina, com conselhos poéticos e relatos sobre suas próprias vidas. um espetáculo!

é desse freak-show apelidado de churrasco o 2º lugar do useless top 5: festas frustradas.

1º lugar: festa de formatura do CNSD

- cúmplices: gustavo, filipe, diego e josué.

o primeiro porre a gente nunca esquece. essa afirmação é de tamanha sabedoria, já que a primeira vez que caí de bêbado é até hoje um dos dias mais vergonhosos da minha existência.

quando eu e gustavo chegamos à rua, ingenuamente com uma long neck em mãos cada um, filipe, diego e um grupinho de amigos já estavam alucinados de tanto álcool. junte a isso uma garrafa de vinho conseguida com algumas amigas do diego e doses generosas de ypióca e você terá um quadro um tanto desastroso: diego caindo de cara na porta de ferro de uma loja, eu correndo atrás dele para pisar nos seus tênis novos, risadas exageradas, tombos e finalmente, ambos jogados no meio da praça do suspiro, praticamente desacordados.

diego começou a vomitar todo o macarrão que ele tinha comido na janta e eu, deitado próximo a ele, o acompanhei no processo de regurgitar as últimas refeições. alguém foi comprar paçoca e tentaram empurrar o doce de amendoim sua goela abaixo, mas ele colocava o doce todo pra fora novamente. quando tentava levantar-se, ele deitava em cima do vômito, sem ter ciência da cara de nojo com que as pessoas estavam o olhando. perdão por estar narrando as desventuras do diego ao invés das minhas, mas é que não tenho qualquer lembrança das minhas atitudes nesse dia. dizem que eu tirei a camisa, a joguei no chão e comecei a pisar em cima, a seu madruga style. mas eu lembro perfeitamente que achei que ia morrer aquele dia (rs).

o que vou contar agora é um dos fatos mais vergonhosos da história da nossa amizade: vendo o estado em que eu e diego nos encontrávamos, filipe e gustavo não mudaram de idéia e foram para a festa, nos deixando jogados ali naquela praça, sem a mínima preocupação se ficaríamos bem. e, além disso, deixaram outro bebum sobre meus cuidados, o josué, que tava tão péssimo quanto a gente.

eu tinha consciência de que agora precisava melhorar. vomitei tudo que tinha pra vomitar até só sobrar aquele ácido amarelo do estômago e, me sentindo um pouquinho melhor, carreguei josué e diego pra baixo da casinha do teleférico. fazia um frio desgraçado e tive que aquecer os dois com meus braços, enquanto eles balbuciavam palavras indecifráveis e tinham vertigens. graças a deus ambos já haviam parado de vomitar, senão eu seria alvo fácil para a comida regurgitada. o tempo ia passando e, quando consegui finalmente ficar de pé, fui caçar um táxi pra nos levar pra casa. despachei josué na casa dele e tive que subir as escadas de casa carregando diego. como gratidão, ele ainda vomitou o banheiro da minha casa, deixando a marca da festa mais frustada da história nos azulejos. primeiro lugar.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

o depoimento perdido

no último domingo, depois do almoço, eu, filipe, gustavo e ágatha fomos à casa do diego dar uma força a ele, já que ele está passando por uma situação complicada e difícil. o domingo, de muitas formas, seria estranho porque todos estavam meio estranhos e nem uma boa cerveja no sob medida conseguiu resolver o problema. mas eu gostaria de sublinhar uma pequena conversa que aconteceu ainda no quarto dele:

estávamos conversando sobre o problema do diego, tentando dar uma força para ele, quando gustavo disse para mim:

- conta pra ele.

eu olhei para a cara do gustavo, sério, e retruquei:

- cara, essas coisas não são assim. não se fala essas coisas do nada.

e então o diego, atento à conversa, revelou:

- vocês acham que eu não sei?

e explicou que depois de ter visto esse humilde blog tinha ligado os pontos e percebido a verdade diante de tudo. tudo bem para mim até aí; ainda tentaram me fazer dizer com todas as letras, porque parece que eles apreciam ouvir a coisa ser dita em bom e alto som (rs), mas eu não o fiz. e então gustavo disse de repente para o diego:

- viu só? e quando eu e ágatha dissemos a vocês que estávamos suspeitando, vocês disseram que ele tava tentando aparecer com esse blog porque estava sozinho e todo mundo estava namorando.

okay, essa parte não foi muito legal.

o ano de 2008 tem sido um ótimo ano, cheio de novas experiências e novos horizontes. contudo, nos meses que antecederam o nascimento deste blog, eu vivi um período de introspecção que estava me machucando por dentro, em silêncio, sem que ninguém (além da bia, a única pessoa com quem eu conversava sobre o assunto na época) pudesse ver. eu senti pela primeira ver o que é ser uma pessoa infeliz e a perspectiva não foi das mais agradáveis. num domingo, daqueles cinzentos e depressivos, me coloquei na frente do meu pc e comecei a escrever aquilo que eu não tinha a quem falar. tinha medo de falar com meus amigos, talvez receiando uma recepção negativa e também pela distância que andava se alargando entre a gente. e foi graças a esse blog, acusado de ser uma ferramenta para aparecer, que o gustavo veio a mim, perguntou o que estava havendo e nos aproximamos mais do que nunca. esse blog foi o caminho para resgatar uma coisa que estava se perdendo aos poucos, lentamente.

então, me magoou um pouco saber que expressar meus pensamentos se tornou um jeito de aparecer. mas, diego, agora falando pra ti cara, você disse que nós estamos estranhos, diferentes. cara, o mundo não parou enquanto você esteve fora. pelo contrário, muita coisa aconteceu aqui. e pensar que você chegou ao ponto de pensar uma coisa dessas de mim me faz acreditar que você não só perdeu o nosso amadurecimento (que foi uma fase bem bacana, diga-se de passagem): acredito que você, aos poucos, também estava esquecendo as pessoas que éramos. porque eu sempre lidei muito bem com o fato de estar sozinho e se todos meus amigos estavam namorando e felizes, a minha atitude não seria tentar aparecer com um página na web. a minha atitude sempre foi ficar feliz por todos vocês, como eu disse a ti algumas muitas vezes.

o blog continua aqui. a fase tempestuosa passou, as pessoas que precisavam saber já sabem e, se o que eu queria era aparecer, já deveria ter deletado esse blog. mas eu não quero aparecer, não. eu quero poder expressar meus sentimentos da maneira que eu melhor o consigo: escrevendo. e foi assim que uma vez eu escrevi um depoimento pro diego. pra quem não sabe, já que eu falei muito pouco do diego durante esse tempo, nós somos amigos de infância, mas tivemos alguns problemas imbecis e infantis durante a adolescência e paramos de nos falar por mais de um ano. quando voltamos, a coisa sempre foi um pouco estranha. brigávamos em silêncio, sabe? parávamos de nos falar sem motivo, tinha dias que eu o ignorava sem motivos, coisas estúpidas demais que sempre tinham início por minha causa, porque eu era o temperamental da dupla. mas chegou um dia que prometemos um pro outro que não deixaríamos mais aquilo acontecer. e eu meio que selei esse pacto com um depoimento. eu lembro que escrevi esse depoimento chorando, porque significava um bocado para mim dizer aquelas palavras.

eis, na íntegra, o que o depoimento dizia:

Esse talvez seja o depoimento mais difícil que eu vou ter que fazer ateh hoje, porque eu nunca fui muito bom pra expressar minha amizade por você... Mas eu vou tentar... se sair meio sem sentido, depois me pergunte q eu explico-te, beleza?

Cara, eu te admiro... eu não sei se eu já disse isso alguma vez na minha vida, mas eu te admiro... você consegue ser o que eu não sou sabe? Você tem o jeito q eu nunca conseguiria ter... tu és compreensível pra caralho, calmo, tem uma inocência diferente e um jeito de ver o mundo próprio... você é companheiro pra cacete, tá sempre aí quando a gente precisa e isso é uma qualidade que eu admiro demais nas pessoas...

E eu me sinto a pessoa mais idiota do mundo por tudo que eu já fiz a você num passado não tão distante... me sinto um babaca, um verdadeiro otário por ter tratado mal uma pessoa que sempre me quis bem e q sempre foi meu amigo, não importa o q eu fazia ou o modo como eu agia... está aí mais uma qualidade sua: você perdoa as pessoas e não deixa coisas pequenas entrarem no caminho, sabe? mais uma coisa que torna você a pessoa linda q você é....

Então, antes de ser um depoimento ou uma confissão, isso aqui é um pedido de desculpas... por todas as coisas estúpidas que já fiz contra a nossa amizade.. e se não fosse você e seu jeito tão mais bonito de ser que o meu, acho que não teríamos suportado... você sustentou nossa amizade cara.. e eu te agradeço por isso... porque perder sua amizade de novo seria uma das coisa mais estúpida que eu teria feito na minha vida....

é isso... estou me sentindo bem de ter conseguido dizer tudo isso....

Eu te amo cara... e não mude seu jeito de ser nunca viu? Porque você é uma das pessoas mais bonitas q eu conheço.

esse depoimento não existe mais na sua página do orkut porque você o deletou. na verdade, olhando ele de novo hoje, vejo que tem coisas ali nas quais não acredito mais. talvez seja até conveniente ele não existir mais. mas há uma coisa na qual nunca deixei de acreditar: na nossa amizade. e eu te amo pra caramba, cara, não pense o contrário. e se esse post soou rancoroso, me desculpe. eu só queria que você soubesse como me sinto às vezes, quando suas atitudes aparentemente inofensivas, como deletar um grupo de palavras do seu orkut, podem magoar uma pessoa.

você é o homenageado da semana do meu blog, okay? posto merecidíssimo por todos os bons momentos que já passamos juntos e que ainda iremos passar durante nossa vida. e precisando de mim, você sabe onde eu estou, né? é só me procurar que eu estarei por perto.

abraços irmão.

domingo, 6 de julho de 2008

conversas de noites de inverno

a noite fria encontra seu sentido no copo de cerveja gelada. o bar, situado em uma rua comercial apertada e bem iluminada é freqüentada por pessoas perdidas na intenção de serem alternativos e diferentes. não importa. a maquiagem usada pelo rapaz-emo que passa bebendo um litro de cachaça no gargalo não significa nada para mim. a mesa ao lado, cercada por pessoas falando alto sobre assuntos irrelevantes tampouco importa. tudo deixa de existir no momento decisivo de contar aquilo que foi ocultado por tanto tempo.
o nível etílico sobe desenfreadamente. o álcool se espalha em nossos sangues, causando uma entorpecência cômoda e privando nossos cérebros da consciência verbal. tudo é dito sem filtros, em meio a risadas exageradas de fazerem os olhos lacrimejarem. não obstante, ele nunca fora um apreciador da sutileza. ele não entende. não compreende o sentido das piadas. até que a fumaça dos comentários cômicos se dissipa com a pura e simples verdade, dita pela primeira vez com os olhos nos olhos. e o álcool faz seu papel de tornar o momento um eufemismo da verdade. a aceitação vem imediatamente, seguida de conversas noturnas numa caminhada rumo à casa. eu não os perdi, embora esse nunca fora realmente o meu medo. tudo está devidamente no seu lugar agora, enquanto a sensação de liberdade esvai-se deliberadamente pelos meus poros. liberdade, ainda que tardia.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

diário de bordo - viagem à petrópolis 22/jun

esse post já devia ter sido escrito há dias, afinal essa viagem aconteceu há 2 semanas atrás. mas marcinho é sempre enrolado para passar as fotos que tiramos na câmera dele.

para quem não conhece, petrópolis é uma cidade serrana do estado do rio de janeiro, conhecida pelo seu passado imperial, já que na época da monarquia, tio dom pedro II e a patota portuguesa toda moraram por lá. quem não se liga em história, vai à petrópils encher as bolsas de compras pra revender pras vizinhas, já que na rua teresa há todos os tipos de roupas por preço de banana (expressão da época da minha vó). e tem gente que vai à petrópolis para não ficar em casa aturando um domingo tedioso embalado pelas piadinhas do fasutão. é o nosso caso.

nossa excursão à petrópolis não foi pouca bosta, não, viu? precisamos de dois carros para suportar todas as pessoas que queriam conhecer a cidada imperial. no carro 1, marcinho com a namorada, fernanda, a mãe dele, zete, a sogra e a prima andréia. no carro 2, fabrício, o motorista, filipe, eu, andré e rômulo. os relatos desse post dizem respeito ao carro 2, já que eu não estava no 1, obiviamente.

a viagem de ida foi liderada por sono, paisagens rurais, piadas certeiras e música pop de baixa qualidade. fabricio mostrou-se bem mais seguro no volante, evitando os possíveis ataques cardíacos que ele sempre me fazia ter antigamente. rômulo ficava doido toda vez que via uma bandeira do fluminense, filipe passava todas as músicas que tocavam no rádio (engraçado que o mp3 foi feito por ele e nem ele mesmo atura tais porcarias) e os dois juntos atazanavam andré deliberadamente (rs). em teresópolis, paramos para filar um café do carro 2 e, estranhamente, o pic-nic à beira da estrada deles incluía kibes e morangos [?]. uma combinação um pouco estranha, é verdade (rs).

quando chegamos à petrópolis, a primeira coisa que chama atenção é a arquitetura dos prédios: parece que não foi construído nada de novo lá desde a morte de dom pedro II. a cidade tem um ar de museu conservado em naftalina, mas mesmo assim é de uma beleza nostálgica inquestionável. o tempo estava péssimo; uma chuvinha rala caía do céu cinza-escuro quando finalmente descemos do carro para a primeira parada.

catedral são pedro de alcântara: o imponente prédio com sua arquitetura gótica foi nossa primeira parada. imediatamente ao entrar, a mãe da fernanda ajoelhou-se e começou uma oração enquanto fomos desbravar os cantos do local sagrado para os cristãos. logo à porta há 4 túmulos de membros da corte que eu realmente não lembro quem eram (rs) e perto deles, uma estátua de um santo oferecendo um pedaço de pão. eu queria tirar uma foto aceitando o pão (rs), mas fiquei com medo de ser expulso do lugar pela minha blasfêmia. o orgão, que fica num andar superior ao salão não perdeu seu ar ostensivo, mesmo necessitando de uma restauração urgente. o altar é do tamanho da minha casa inteira e os detalhes da arquitetura são fantásticos, mesmo para quem não liga para religião. filipe não sabe o que heresia, mas sabe como ser um herege: diante dos quadros que se seguem por toda a catedral, mostrando os últimos momentos de cristo antes da crucificação, ele cismou que jesus tava parecendo um modelo posando semi nu, graças à foto onde estão tirando as vestes do cara (rs). esse foi só um dos comentários sem noção que ele berrava em meio a igreja, pra quem quisesse ouvir. meia hora depois, a mãe de fernanda ainda estava rezando (rs) e isso rendeu piadinhas enquanto partíamos para o 2º passeio do dia.

trono de fátima: "o nome do lugar é trono de fátima e a mulher está em pé. como pode isso? parece aquelas menininhas bagunceiras que a mãe fala 'senta filhinha!' 'não quero, não quero!'". com esse comentário herege de filipe, chegamos ao 2º passeio católico da nossa viagem à petrópolis, passeio o qual eu começava a achar que estava se tornando um seminário cristão. a belíssima estátua da santa fica no alto de um morro de onde dá pra ter uma ótima visão de petrópolis, principalmente do cemitério [!], o qual é bem estranho: fica à beira da estrada e vai ricocheteando ao lado dela, como se fosse uma simples vegetação emoldurando-a. quem arquitetou aqueles cemitério foi um gênio (rs). filipe mostrou-se indignado com o local para acender velas e com a sala dos milagres, onde havia várias cabeças de boneca em prateleiras de madeira, uma coisa meio filme trash de terror. mas o que eu realmente achei de mau-gosto foi uma fotografia que se encontra na pequena capela: uma imagem holográfica de jesus crucificado que abre os olhos conforme você adentra o local. e na pequena tenda de suvenirs havia bonecos infláveis dos power rangers [?]. o que é o capitalismo, não é mesmo?

palácio de cristal: petrópolis vende o palácio de cristal para os turistas como se fosse a 8º maravilha do mundo moderno. e qual minha decepção ao chegar lá e encontrar um monte de vidros imundos presos a uma base de metal verde... e NADA além disso. segundo andréia, a única coisa ali restante da época monárquica é o lustre (imundo também, diga-se de passagem) e que a graça do lugar ficava nas serestas que rolavam ali antigamente. a coisa que mais me chamou a atenção, na verdade, foi o banheiro: nunca vi um palácio com um banheiro tão sujo na minha vida (rs). e não, o banheiro não tem paredes de vidro (dãããã)(rs).

almoço: não era nem meio-dia ainda quando marcinho decidiu que pararíamos para almoçar. e o que milorde decide é lei, meu caro (rs). fomo a um self-service e eu começava a armar meu prato para comer um belo churasco, quando dei de cara com uma apetitosa lasanha à bolonhesa. na boa, eu resisto a muita coisa, menos a um belo prato de lasanha. e eis que surge a nova tendência gastronômica de 2008: lasanha com farofa (rs). em seguida, parei em frente ao churasqueiro:

ele: opa rapaz, vai de quê?
eu: picanha, por favor cara.
ele: está um pouco mal-passada.
eu: sem problemas, eu gosto assim.
(ele corta e coloca a carne mais vermelha que já vi na minha vida no meu prato)
ele: mais o quê, fera? a fraldinha tá ótima.
eu: pode ser, cara (como se eu conhecesse carnes por nome ¬¬')
(ele corta e coloca 2 pedras de carvão no meu prato)
(olho pra ele e antes que ele possa me oferecer mais alguma coisa, saio de fininho)

depois da picanha crua e da fraldinha preta mais dura que casca de árvore, eu dei graças por ter colocado aquela bela fatia de lasanha no meu prato.
ps: meu prato saiu o mais caro de todos, mas também, com aqueles dois tocos de carvão nele, neé? ¬¬'

rua teresa: como eu disse no começo do post, a rua teresa é um ótimo local para comprar roupas, principalmente para quem tem lojas ou quem revende. uma rua enorme só com lojas de roupas é o sonho de qualquer mulher com um cartão de crédito às mãos, não é não? só isso explica o sumiço de fernanda e a mãe dela por quase 2 horas, zete e andréia por tanto tempo quanto, e os homens esperando impacientemente as mulheres fazerem suas compras. na verdade, até paramos para comprar algumas coisas também, mas não demoramos mas que 40 minutos para isso. e a tarde acabou indo quase toda embora graças ao consumismo descomedido dessas mulheres.

casa de santos dummont: o homem morava numa casinha menor que a dos 7 anões e querem cobrar 5 pilas pra ver isso? you got to be kiddin' me!

quitandinha: quando chegamos ao quitandinha, a noite já começava a cair, assim como uma forte chuva torrencial . portanto, mal deu para sairmos do carro e tirar essa foto aí do lado. o prédio parecia ser bacanão, mas não poderíamos entrar aparentemente e a chuva nos atrapalhou a ver o lago que (dizem) tem o formato do mapa do brasil. uma pena, porque eu realmente estava interessado nesse passeio em particular.

hora de ir embora: acabamos pegando uma neblina do cacete na serra de petróplis (aquela estrada já é assustadora com o tempo tinindo, imagina com neblina >.<) e paramos numa padaria em teresópolis para comer salgadinhos pingando gordura. ótimo jeito de acabar uma viagem imperfeita, não obstante, deveras divertida. =]

domingo, 29 de junho de 2008

chama a funai que o programa é de índio! (festa de são pedro)

a tati avisou algumas muitas vezes durante essa semana: era só falar da festa de são pedro perto dela que ela já soltava "o quê? programa de índio!". definitivamente, precisamos aprender a ouvir os amigos.

o martírio que se tornaria a noite passada começou na rodoviária interurbana de friburgo. pra quem não conhece o lugar, basta dizer que aquilo ali é o portal do inferno. isso, exatamente. logo abaixo das estruturas de concreto do local abre-se um túnel direto para a morada do sete-pele. e nem é opinião própria, qualquer pessoa com bom senso e lucidez concordaria com essas sábias palavras. entramos eu, filipe e 2 conhecidas dele numa fila que era o último vestígio de pessoas civilizadas que veríamos pela próxima hora. havia por volta de umas 20 pessoas à nossa frente, o que significa que conseguiríamos ir sentados, já que um ônibus apresenta entre 45 e 50 assentos. mas quando a condução parou à plataforma com sua placa escrito um "são pedro" engarranchado a giz, sua porta dianteira foi cercada por um bando de bichos sedentos por se acomodar e o que era uma fila indiana tornou-se um motim da febem reivindicando melhorias na comida. quando conseguimos finalmente colocar os pés para dentro do ônibus, todos os lugares já haviam sido tomados e nos restou nos expremermos pelo corredor, entre gente desconhecida e pouco educada.

entre todas as coisas que me incomodaram dentro daquele comboio do inferno (que não foram poucas, pode ter certeza), 2 merecem destaque:

suíça brasileira? onde?
de boa, o que aconteceu com essa cidade? cadê as pessoas normais, civilizadas e adeptas dos bons modos? porque, em qualquer lugar que se olhe, em qualquer esquina de qualquer bairro o que se vê é um culto quase religioso à moda da favela, à marginalização ou a prosmicuidade. e nem é papo de conservador e também não há nenhuma conotação racial ou preconceituosa nisso. eu só não consigo entender como de repente todo mundo virou mc de funk, cachorrona de baile, aviãozinho de traficante, vida loka, assassino profissional, membro de gang... cacete, a marginalização é a nova moda entre os jovens, coisa mais bizarra! e suíça brasileira ficou no passado. agora nós somos o bronx brasileiro. bacana né? ¬¬'

maldita nokia!
eu tenho pena da alma do cidadão sem mãe que inventou esses malditos celulares com mp3 que tocam no alto-falante. ele vai resgatar por muitas e muitas vidas tudo que ele está nos fazendo passar. porque eu desconheço coisa mais irritante do que você está em um lugar público e o filha-da-mãe sem senso do ridículo ao seu lado ligar aquela porcaria tocando o último pancadão, como se você tivesse a plena obrigação de ouvir juntinho com ele as melodias da sabrina, perlla, do mc créu e toda a patota criativa do funk. novamente esclareço que não há preconceito em minhas palavras, mas vocês acham que os fones de ouvido foram inventados para quê, cacete? ouça a droga da sua música sozinho ou ao menos pergunte se a pessoa ao seu lado não se importa, porque ninguém tem obrigação de aturar o seu gosto pessoal, beleza?

1 hora e meia num ônibus lotado com as amigas do filipe cantando músicas da xuxa, celulares tocando um funk com a melodia de "irreplaceble" da beyoncé (ao invés de "to the left, to the left" o criativo "músico" dizia "quero leite, quero leite"), pessoas olhando de cara feia com se fossem amigos ínitmos do 50 cent e também tivessem tomado trocentos tiros na cara, odores estranhos e contatos físicos involuntários deviam ser suficientes para você pagar todos os seus pecados cometidos nesse mundo. mas já dizia o sábio que desgraça pouca é bobagem...

chegamos à festa que consiste numa rua comprida fechada, cheia de barraquinhas e uma área cimentada para as pessoas dançarem forró. as pessoas que me conhecem sabem que não gosto de lugares cheios, de tumulto ou de forró, portanto, cabe muito bem a pergunta do que eu fui fazer lá. meu bom-senso vira e mexe falha e me deixa cometer erros terríveis como esse. começamos a subir a rua atrás de gustavo, que já estava na festa com a ágatha, a gabi, o daniel e mais um pessoal. eu e filipe estávamos tão cansados do dia de trabalho e da auto-flagelação da viagem de ônibus que estávamos pensando em ir embora uma hora depois de termos chegado, até que encontramos finalmente com o pessoal. ficamos por ali por algum tempo vendo o show do nó cego, comendo amendoins e sem vontade alguma de ingerir qualquer quantidade de álcool até que por volta de 2 e meia resolvemos ir para o ponto. nessa hora rolava até certa troca de farpas entre o grupo e as chances remotas de estancar uma porrada (rs), mas precisávamos ir para o ponto, com a esperança de conseguirmos um lugar para descansar nossos corpos exaustos. esperanças vãs, já que a rebelião da febem se repetiu e novamente eu e filipe conseguimos lugares maravilhos no meio do corredor. o cansaço da viagem de volta foi tenebroso e por várias vezes quase me peguei dormindo em pé, sustentado pelos braços fracos pendurados no ferro superior. e a máxima "desgraça pouca é bobagem" se concretizou soberanamente com uma caminhada de 40 minutos do centro ao nosso bairro, já que friburgo não tem ônibus durante a madrugada. ótimo jeito de terminar uma das piores noites da história mundial!

moral da história:
são nas baladas do fim de semana que pagamos nossos pecados.

domingo, 22 de junho de 2008

useless top 5 - melhores conversas

- o useless top 5 (top 5 inúteis) será um quadro fixo do meu blog, enumerando periodicamente os 5 melhores numa categoria irrelevante e sem importância alguma.

no useless top 5 de hoje, vou eleger as 5 pessoas com quem tenho as melhores conversas: aquele papo furado de horas sobre assuntos variados, contemporâneos e (in)úteis, aquelas risadas, piadas e comentários infames e aquelas pessoas com quem tenho mais afinidade pra falar sobre tudo e desabafar na hora que a coisa aperta.

5º lugar: bianca
aaah, a bia! essa moça lá de goiás que veio aos poucos conquistando meu coração com seu jeito tão próprio, cativante e amável. nós nos conhecemos há pouco mais de um ano, numa espécie de jogo viciante que causa sérios problemas na vida real (rs, ela sabe do que estou falando). eu sempre tentava fazer meu personagem se aproximar dela, mas ela sempre me ignorava prontamente com respostas educadas e assuntos sem continuidade, para que eu não pudesse continuar a prosa (rs). até que a magia aconteceu: passamos a gastar horas nesse jogo com conversas cômicas, hilárias, de fazer a barriga doer de tanto rir.

até que o jogo, de uma hora para a outra, terminou para nós dois. e, quando nos vimos raphael e bianca frente a frente, sem o pano de fundo que eram nossos personagens, a química entre a gente já estava tão viva que foi exatamente a mesma coisa. e eu fico muito feliz com isso, porque ficar sem a bia na minha vida é totalmente sem condição!

as minhas conversas com a bianca são mágicas, só assim consigo descrever: eu posso estar com problema que for, com o humor mais para baixo possível que é sempre na janela dela que eu encontro a risada necessária. e depois da primeira, há uma sucessão de espasmos e risadas que podem acordar o vizinho e uma vibração tão boa e positiva que é impossível ficar indiferente. contudo, obviamente que nem só de humor sagaz e pecamino vive nossa janela do msn: a gente se pega sempre devaneando sobre a vida e suas dificuldades, sobre o quanto ela é nerd e estará rica antes dos 30 e sobre minhas crises existencialistas e meus complexos.

a bia é assim: traz tante felicidade para as minhas conversas com seu senso de humor malicioso e apurado, tanta confiança com seus conselhos e suas confissões e tanta cultura inútil com suas horas assistindo tv fama que o 5º lugar não podia ser de outra pessoa. te amo, potranca! (rs)

4º lugar: ivando
toda vez que vou procurar emprego eu tenho uma preocupação fixa: o que conversar com a pessoa com quem trabalharei. na verdade, eu sou péssimo pra conversas rotineiras, aquela coisa maçante do dia a dia e a diplomacia de papos com pessoas que não me conhecem.

quando o ivando me chamou para trabalhar na locadora, eu aceitei prontamente, mesmo que tivesse esses medos. contudo, nos 2 anos que fiquei lá, aconteceu exatamente o contrário: eu nunca precisei me preocupar com conversas rotineiras de companheiros de trabalho, porque nossos papos sempre foram profundos e cheios de assunto. com ivando eu aprendi muito sobre filmes e foi ali que adquiri meu gosto por cinema de verdade. nossas opiniões sobre música sempre divergiram um bocado, mas eu consegui implantar pelo menos um pouco de coldplay, death cab for cutie, keane e outras bandas no gosto musical ultrapassado dele (rs).

e quando o assunto sobre cultura acabava, a gente passava tardes falando sobre a vida. e muitas vezes as conversas que tive com ele, a confiança que ele tem na minha capacidade de ainda ser alguém me davam o incentivo de me esforçar mais um pouco e correr atrás. certas conversas até mesmo enchiam meus olhos de lágrimas pela pronfudidade e sinceridade e, com certeza, essas conversas com ivando são parte crucial do meu amadurecimento como pessoa.

pelas melhores conversas no local de trabalho que eu tive e que terei durante toda minha vida, o 4º lugar é dele. quero ver quem mais acha que conversar com o patrão é tão bom assim (rs).

3º lugar: tassi
tassiane esteve em todas as fases da minha vida: na infância, na escola; na adolescência, quando ela vinha para a loja da mãe dela que fica perto da minha casa; e agora, na fase adulta, com menos tempo, mas com a mesma intensidade.

antigamente, a gente colocava toda a nossa energia em falar mal das pessoas (rs). sentávamos na porta da loja da mãe dela e começávamos a destilar veneno em qualquer um que desse motivo. nossos comentários eram tão inteligentes e observadores que as crises de riso eram impossíveis de ser contidas. mas eu e a tassi amadurecemos juntos. ela um pouco mais rápido que eu, obviamente, já que é a ordem natural das coisas e as mulheres sempre amadurecem primeiro que os homens. e mesmo que não tenhamos perdido a sagacidade dos comentários maldosos, o foco de nossas conversas agora são mais profundos e relevantes.

a verdade é que há muita cumplicidade entre mim e tassi. segredos entre a gente praticamente não existem e um sempre fica afoito para contar ao outro o que tá rolando. e por tanta cumplicidade, risadas e por uma amizade duradoura e verdadeira, o 3º lugar é dela. =]

2º lugar: gustavo
dos meus 4 amigos que compõe o grupo de amizades desde a infância, nem sempre o gustavo foi o mais próximo de mim. isso passou a acontecer, basicamente, depois que a gente começou a trabalhar junto. e desde então, não há como negar que os laços que já eram muito fortes se apertaram ainda mais.

ultimamente nós temos falado muito do futuro, dos nossos medos e perspectivas e de tudo que está prestes a acontecer. e a gente fala disso por horas, acordados no escuro da noite até a gabriela (irmã dele) reclamar que já são 2hrs da matina e a gente não pára de falar (rs). mas o passado nunca é esquecido nesse olhar para o futuro e as lembranças sempre geram muitas risadas e uma sensação de que tudo valeu a pena.

independente do que o futuro está prestes a trazer, eu e o gustavo sabemos como nos divertir: praticamente rimos durante todo o tempo que passamos juntos, coisa de deixar o maxilar doendo. são piadas, comentários, gracinhas, ironias, sarcasmos que muitas vezes só nós dois entendemos, mas basta um olhar pra cara do outro que a percepção acusa que tem algo muito engraçado por perto (rs).

uma das pessoas mais importantes que já cruzaram minha vida. e as pessoas importantes não aparecem sem motivos. nunca. 2º lugar ;)


1º lugar: bia
nós moramos a milhares de quilômetros de distância e nos falamos por telefone ou ao vivo somente uma vez. não obstante, as conversas por msn com a bia são tão importantes para mim que nada disso a impediu de ficar com o 1º lugar desse useless top 5.

como eu disse num post anterior, eu e a bia nos conhecemos graças ao jack johnson e, mesmo que hoje em dia nem falemos do cantor-surfista, a afinidade continua intacta. por quê? porque não era a coincidência de gostar do jack johnson que nos unia. eram nossas personalidades fortes e únicas, nossa inteligência (até hoje peço uma cpi no teste de q.i., o qual, devido a um roubo, ela conseguiu 3 pontos a mais que eu), nosso gosto pra cultura em geral e, principalmente, nossa capacidade de abrir o coração pra deixar uma pessoa totalmente estranha entrar.

quando eu converso com a bia, sinceramente, é como conversar com uma pessoa que sempre esteve na minha vida, que me conhece tão bem que parece até impossível surpreender contando alguma coisa. e o msn não torna nada frio, superficial ou algo do tipo. as conversas são tão calorosas como se estivêssemos próximos e aptos a nos abraçar no momento que um dos 2 precisa. e é na pagina dela que rolam os lamentos, as lágrimas e as principais conversas sobre o meu medo de aceitação e meu complexo de inferioridade.

e, por tanta coisa mas, principalmente, por me oferecer generosamente um oásis no meio de um mundo de tanta complicação e turbulência; por me oferecer o único lugar do mundo onde eu posso ser eu mesmo; e por ser exatamente a pessoa que ela é, o 1º lugar é todo seu bia.
te amo ;)

sábado, 14 de junho de 2008

biografia autorizada - parte 1

se o futuro (ou a falta de) foi tema de um post inteiro há alguns dias atrás, mais do que justo fazer um para falar do passado, da forma mais ampla que me for permitido pela minha memória e lembranças. não há grandes proezas, grandes aventuras ou grandes mergulhos no mar de possibilidades da vida. na verdade foi um existência até agora esculpida na simplicidade, mas não menos importante por isso.

eu nasci no dia 18 de dezembro de 1985, por volta das 3 da matina. sou o quarto filho e o caçula, portanto, toda a bajulação recebida nos anos seguintes foi devidamente merecida. meu pai costumava cantar a seguinte musiquinha quando eu era pequeno: "raphael é um porquinho / um porquinho bonitinho". e o tom da sua voz ao fazê-lo era de um pai que realmente ama muito seu filho, tanto que ele volta ao meu ouvido até hoje sem qualquer dificuldade.

o primeiro fato que viria a mudar minha vida aconteceu quando eu tinha apenas 2 anos e meio de idade. minha mãe estava na cozinha comigo, preparando uma sopa para mim. estávamos sozinhos em casa. ela foi ao quarto buscar um pano para que pudesse me tratar a comida e, enquanto isso, eu baixei a tampa do forno e me sentei nela. sabe como é, quando o cansaço bate não tem hora nem lugar (rs). conseqüência: o fogão virou com meu pouco peso e a sopa foi despejada sobre meu corpo. minha mãe entrou em desespero e alguém conseguiu uma carona para me levar ao hospital, eu não sei bem ao certo. mas disseram que durante todo o trajeto eu fiquei num silêncio sublime, uma espécie de estado de choque - ou de transe.

a sopa fervente não alcançou meu rosto, mas marcou mais de 60% do meu couro cabeludo de forma permanente: o cabelo na área atingida não voltaria a crescer. algumas marcas no braço direito também podiam ser vistas, mas conforme fui crescendo, elas se tornaram menos nítidas com o esticamento natural da pele. o trauma de não ter cabelo foi resolvido com bonés, marca registrada até hoje da minha pessoa (rs). okay, confesso que não foi fácil saber lidar com isso e às vezes eu me sentia um e.t., mas na maioria das vezes parecia até que o boné já era parte integrante do meu corpo. nesses 22 anos, contabilizam-se apenas duas aparições em público sem boné: aos 5 anos, no aniversário de 15 anos da minha irmã roseane e uma por volta dos 14, quando pivetes roubaram meu boné no centro da cidade. nessa 2º vez o capuz do casaco foi de utilidade ímpar.

quando eu tinha 6 anos, eu fiz a primeira operação de recuperação do couro cabeludo na santa casa de misericórdia do rio de janeiro, um tratamento complicado de explicar, mas eu tentarei: os médicos introduziram um aparelho chamado expansor por baixo da pele que ainda havia cabelo e não fora atingida pela queimadura. em seguida, atráves de um válvula, eles começam a infiltrar soro para dentro dessa bolsa de silicone e, com isso, esticam a pele, proporcionando a elasticidade devida para depois puxá-la para a parte queimada e tapá-la com cabelo. entendeu? aposto que não (rs). mas god bless o google \o/: na foto a seguir, uma explicação muito melhor que a minha sobre o expansor (rs):


obviamente não foi possível tapar toda a área queimada com apenas uma operação, mas o resultado já havia sido muito satisfatório. o ano seguinte deveria ser gasto com a 2º etapa da operação, mas minha família foi pega de súbito por mais uma tragédia: a morte da minha irmã num acidente de carro.

eu confesso que não tenho muitas lembranças desse período porque eu era muito pequeno. eu não lembro dos meus sentimentos, de como isso me afetou ou como afetou minha família. tenho lembranças de dias cinzentos na casa da minha madrinha, porque quiseram me manter afastado de tudo aquilo. lembro do carro do meu padrinho parado em frente ao cemitério e minha decisão de não querer entrar. lembro de particularidades, mas não lembro do todo; apenas suponho, como se não tivesse vivido o período nublado que se seguiu durante aquele(s) ano(s).

nessa época eu já estava na escola. depois do pré-escolar no ienf, passei os próximos 5 anos escolares no hermínia dos santos silva e de lá também vieram meus primeiros melhores amigos: léo e ritiele. o engraçado é que sempre fomos vizinhos, mas só passamos a ter contato depois que passei a estudar com o léo. e desde então foi difícil me tirar de dentro da casa dele (rs). eu só ia pra casa comer, tomar banho e dormir; o resto do dia era todo gasto lá com brincadeiras e jogos diversos e criativos, a maioria inventados por mim. quando as brincadeiras de casa tornaram-se monótonas vieram as brincadeiras de rua e aí entram filipe, marcinho e diego, que ainda estão na minha vida até hoje. léo e riti se mudaram, dando espaço pra filipe se tornar meu novo melhor amigo, mesmo que de vez em quando brigássemos e a mãe dele viesse se envolver (rs). período maravilhoso de brincadeiras na rua: pique-esconde, queimada, peteca com a josy (rs), resident evil, filmes e por aí vai.

contudo, a simplicidade da infância foi aos poucos se evaporando, dando espaço às complicações da adolescência, como veremos em breve.

to be continued...

quarta-feira, 4 de junho de 2008

but heaven knows i'm miserable now

infelicidade, infelicidade mesmo eu nunca tinha conhecido. momentos tristes, pequenas depressões de meia hora, momentos nostálgicos, saudade de coisas que vivi, vontade de chorar, desespero contra tudo e todos... tudo isso de alguma forma já havia feito parte de algum momento na minha vida, seja naquela coisa rebelde sem causa da adolescência ou seja no momento que você pára pra refletir sobre sua vida e percebe que "fudeu, minha vida é uma merda!". mas a infelicidade nunca se infiltrou aos pouquinhos, nunca foi tomando seu lugar pedacinho por pedacinho, tornando meu sorriso uma forma forçada de fingimento da alegria que habitava meus momentos outrora. ela veio corroendo todos os laços que eu tinha com as pessoas, desatando-os deliberadamente, transformando a paz das minhas amizades no caos da solidão. e, de súbito, me pegando desprevinido, ela se apossou de mim e me transformou num cara infeliz.

se minha mãe lesse isso, ela ia vir com aquele sermão de sempre: "como você pode dizer isso tendo uma casa pra viver, comida no prato, bla-bla-bla" e daí cita as crianças africanas e sua dor, os terremotos na ásia e o povo sem teto e todas as grandes tragédias da humanindade, como se só eles tivessem direito de sofrer. okay, pode ser um pouco egoísta falar da minha infelicidade enquanto tanta coisa acontece no mundo, mas no escuro do meu quarto, o coração que bate desritmado, apertado, vazio, é o meu. as lágrimas que correm pelo meu rosto e a garganta sufocada, ávida por um grito de liberdade são as minhas. então, acho que também sou digno de ser avaliado como alguém que está sofrendo nesse mundo podre e quente do século XXI.

e vejamos então as raízes desses novos tempos obscuros e nefastos, porque, afinal, a infelicidade entrou na minha vida pela porta da frente e eu sei exatamente o motivo de ela ter se alocado por aqui, como uma praga devoradora de sorrisos:

- a long time ago, we used to be friends:
no começo desse ano, logo após a virada, eu fiz uma previsão que me soou óbvia e gerou exclamações como "pára com isso!", "cê tá falando bobagem" e talz: eu disse que 2007 tinha sido o último ano da nossa amizade, na forma em que ela consistia. entenda que eu conheço o filipe desde meus 6 anos de idade, diego e marcinho um pouco depois e o gustavo logo no ínicio da pré-adolescência. e sempre foi uma amizade bem forte, coisa de andarmos juntos quase que 24 horas por dia. o marcinho foi o primeiro a se afastar (ou ser afastado, não sei ao certo e não entrarei no mérito da questão), mesmo que ainda estivesse sempre pronto pra tudo que envolvesse o grupo. em seguida, diego despediu-se dessa amizade com muita facilidade e tudo bem, ele tem lá os sonhos dele e isso não inclui a gente. sobramos eu, filipe e gustavo e de certa forma, nós 3 sempre fomos muito mais ligados (como um grupo principal e marcinho e diego um sub-grupo, se é que me entendem). mas eu sabia que não ia durar e eu, particulamente, tinha um motivo pra acreditar nisso piamente. o estranho é que eu não precisei nem desse motivo pra dar como encerrada essa amizade, da forma que ela existiu. a coisa simplesmente aconteceu: filipe se afastou por um motivo incógnito, parecendo ter sido pego por uma onda de infelicidade tão profunda como a minha; gustavo tá namorando e feliz, e o dobro de felicidade invade meu coração, porque eu só desejo o melhor pra esses caras. e, eles insistem em colocar um espelho falso na frente do rosto e fingir que a coisa ainda é a mesma, mas não é. e parte da minha solidão atual vem do vazio que se alocou depois de perder as únicas companhias certas que eu tinha no mundo.

- do i have to be like them or be lonely?
sabe, as coisas meio que me forçam a acreditar em carma. afinal, só pode ser resgate de uma vida anterior vir pro mundo com a habilidade de amar tão apurada, com a facilidade pra encher seu coração de bons sentimentos e ser julgado e discriminado por isso. eu gostaria de entender, mas não consigo e passo então a procurar explicações em forças superiores, porque, como pode um fator biológico definir sua vida dessa forma brusca e violenta?
por ser um covarde e não ter peito de encarar a sociedade, eu fechei minha concha e me tranquei ali dentro pro mundo exterior. de vez em quando eu a abria um pouquinho e espiava lá fora, e nessas horas meu coração deixava-se pegar pelo tal amor ou coisa do gênero. e eu já sofri muito por isso, mesmo que de uma forma diferente. o amor pra mim continua sendo uma coisa distante e inalcançável e eu me pergunto até quando vai durar isso. porque a ausência de uma pessoa está fazendo uma ferida enorme agora e eu tenho medo de que acabe matando aos poucos meus sentimentos, me transformando numa pessoa fria e incapaz de amar.
eu não espero aceitação, não. esse é um ponto que eu não quero me envolver, porque a sociedade é a coisa mais podre que já pisou nesse planeta, com sua hipocrisia descomedida. eu só espero poder preencher esse vazio de alguma forma e rápido, porque tá doendo pra caralho! se alguém ai em cima anda guiando meu carma, pelo amor de deus, eu já aprendi a lição! (brincadeira, se ivando vir isso, ele me mata rs).

bom, preciso ir agora. hora do trampo. hora de colocar um sorriso falso no rosto e fingir pro mundo ali fora que aqui dentro não bate um coração escurecido pela falta de tolerância do mundo.

ps: hoje é aniversário do gustavo. feliz aniversário irmão. sabe que eu te amo, neh? ;)