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sábado, 19 de novembro de 2011

músicas e divagações: "canções de apartamento", cícero.





faixa 1: tempo de pipa

"Vamos nos espalhar sem linhas
ver o mundo girar de cima
no tempo da preguiça."

 Já faz algum tempo desde o último “Músicas e Divagações” aqui no blog, que, pra quem não lembra, é apenas uma boa desculpa para ouvir música bacana e falar — reclamar? — da vida. E, sinceramente, tudo que estou precisando hoje é isso.

Mas para falar do Cícero, primeiramente eu tenho que falar (em linhas bem gerais, senão precisaria de todo o post) do meu bom amigo André Felipe — o Dé para os íntimos. Na verdade, a nossa amizade já nasceu nos frutíferos caminhos da música, quando o last.fm apontou-nos como vizinhos, devido ao nosso compatível gosto musical. Infelizmente, uma vizinhança virtual, e aquele café para falar da vida num fim de tarde, por ora, não pôde acontecer. Entretanto, isso nunca foi empecilho para a boa amizade que compartilhamos, que acabou criando laços que vão bem além do gosto musical, embora seja sempre muito bem entrelaçada com as notas ressoantes de nossas bandas favoritas. E foi numa dessas conversas em que ele tanto me ajuda a colocar a cabeça no lugar que ele disse: “Você já ouviu o Cícero? Você vai se identificar, ele fala de muitas coisas que você está sentindo agora.”

faixa 2: vagalumes cegos.

"Fica bem aí
Que essa luz comprida
Ficou tão bonita
Em você daqui"

Bom, isso foi há dois meses atrás. Eu juro que tento manter meus downloads em dia, ouvir as boas dicas que meus amigos me dão, os tantos discos que saem, mas não dou conta nessa vida corrida de auxiliar-de-escritório-estudante-de-letras-estagiário-blogueiro-nas-horas-vagas. Mas, quando finalmente baixei e as cordas do violão deram forma aos primeiros segundos de “Tempo de Pipa”, eu senti uma emoção diferente. Sério. E eu só pensava “Esse Dé me conhece mesmo.”

A verdade é que esse álbum do Cícero, gravado de forma independente e disponibilizado gratuitamente para download (vide link lá no fim do post) tem um ambiente, uma aura, uma essência — não sei exatamente qual dos três ou quem sabe os três juntos? — que, indubitavelmente, serve-me de espelho no momento pelo qual estou passando.

faixa 3: cecília e os balões.

"Pra começar a descobrir
o que é chegar e o que é partir
o coração só precisa de ar"

Vai além das letras, que são de poesia simples — e nada simplória —, de palavras sutilmente selecionadas, de universalização de sentimentos. Cícero narra com beleza e sem obviedade sensações simples, delicadas, aquelas pelas quais todos nós já passamos, mas que temos tanta dificuldade de expressar. Vai além da musicalidade também, embora as notas suaves, a voz doce de Cícero, as nuances, a atmosfera íntima e acolhedora do álbum sejam parecidas com as de outros músicos que ouço. Eu não sei exatamente o que foi que me emocionou de tal forma desde a primeira audição de “Canções de Apartamento”. Creio que ele tenha se encaixado perfeitamente como a trilha sonora de emoções que vinham se aflorando dentro de mim nesses últimos dias e, de certa forma que não consigo identificar com precisão, as canções ajudaram-me a atravessar esse período emocionalmente crítico.
faixa 4: joão e o pé-de-feijão

"Ainda não fazem pessoas de algodão
Ainda não fazem pessoas que enxuguem
suas próprias
mágoas"

Eu diria que este álbum tem muito do que vejo em minha essência, por assim dizer. Diria mais: se tivesse sido agraciado com algum talento musical ou com a capacidade de dominar as palavras, de adestrá-las — porque as palavras ainda me são feito feras ariscas e, possivelmente, sempre serão —, talvez o resultado de minhas andanças pelos caminhos artísticos beiraria algo muito próximo dessa sutileza do Cícero de falar dos sentimentos. Mas, como me falta o talento — tanto o musical quanto o linguístico —, resta um sentimentalismo um tanto exacerbado quando procuro expressar o que sinto em textos. Bom, é sorte que, ao menos, bom gosto e sensibilidade foram me dado para poder apreciar um belo disco como este.

         
 
faixa 5: ensaio sobre ela.


"Não se esqueça
por enquanto
de esquecer alguma coisa
pela casa
e vir buscar do nada"

“Canções de Apartamento” tem cara de dia chuvoso, daqueles em que você fica preguiçosamente esparramado na cama desarrumada, apreciando a chuva molhar o vidro da janela. É assim, sem pressa, sem clímax, sem urgência. É aquela tristeza com a qual você já se acostumou, que ficou ali, em algum cantinho do seu coração e às vezes cisma de doer novamente. Mesmo quando fala de rompimentos, assunto doloroso que pode virar circo de sentimentalismo, Cícero é calmo, dosado, certeiro. Nesta canção, por exemplo, é linda a forma como a gente consegue atribuir forma aos versos, se identificar com aquela sensação de perda que, inevitavelmente, volta a bater em horas menos esperadas, quando notamos, por exemplo, algo que a pessoa esqueceu em nossa casa — ou na nossa vida.

faixa 6: açúcar ou adoçante?

"Fica um pouco mais
Que tal mais um café
Ainda lembra disso?
Que bom."
E entre os versos sussurrados de Cícero, me pego refletindo sobre como meus sentimentos estão às avessas, desestruturados, completamente bagunçados dentro de mim. A ausência, no meu caso, não é serena, como canta o músico. Tenho explosões diárias de emoções, nem sei mais descrever as coisas que sinto. Se me perguntam se estou bem, não sei responder, essa é a verdade. Mas, no fundo, eu sinto que isso é bem normal, depois que você vive um período muito feliz e, logo em seguida, precisa enfrentar novamente os aspectos indesejáveis da sua vida. É como li esses dias em algum lugar: “tenho medo de ser feliz, porque felicidade nunca dura.”

faixa 7: eu não tenho um barco, disse a árvore.

"a gente sempre deixa de cuidar
do que já tem na mão"

Mas a minha identificação com este disco vai no extremo oposto: não é nas incertezas emocionais, nas oscilações pelas quais tenho passado que me vejo refletido, mas nessa melancolia tênue que passeia por todo o álbum. É no cinza que descolore as letras que me encontro.

faixa 8: laiá laiá


"Vamos dançar
qualquer coisa
é melhor
que tristeza
por favor
Se esqueça"

O Cícero fez um clipe lindão para divulgar esse álbum, para faixa “Tempo de Pipa” (minha favorita e, possivelmente, uma das minhas músicas brasileiras favoritas do ano). Gravado em plano-sequência, o bondinho de Santa Teresa e um melancólico Rio de Janeiro ao amanhecer servem de pano de fundo para o lindo clipe. Confere aqui:



9. pelo interfone.

"se tu soubesses o quanto machuca
não amaria mais ninguém."

E já que estamos falando de clipes, vale a pena também deixar a dica do site do meu amigo Dé, o Música Pavê, do qual sou fã de carteirinha (e juro que isso não é puxação de saco, rs). E um agradecimento especial a ele por tudo que já fez por mim nesse tempo que a gente se conhece. E, olha, não foi pouca barra que esse cara já me ajudou a passar, viu.

10. ponto cego.

"é sexta-feira, amor!"

E, finalizando, você pode baixar o álbum do Cícero na íntegra no link abaixo. Agradecer ao músico, porque disponibilizar um álbum lindo desses de graça é realmente um presente. E, coincidentemente, a sexta-feira acaba ao clima melancólico desses versos. “Canções de Apartamento” é uma boa companhia para dias assim, com certeza.

download: cicero.net.br
facebook: facebook.com/cancoes.de.apartamento



terça-feira, 13 de julho de 2010

Música e Divagações: “The First Days of Spring”, de Noah and Whale.

Faixa 1: The First Days of Spring.

"If I'm still here hoping
that one day you may come back."

Dizem que um livro não pode ser escolhido pela capa, não é mesmo? Bom, então creio que, dessa vez, eu me encaixo bem nessa imagem superficial. A primeira vez que ouvi falar de Noah and the Whale, grupo de indie rock e folk inglesa,, foi quando eles foram capa da comunidade de downloads do Orkut |RCD|. A capa me chamou atenção. Eu não quis saber qual era o tipo de som ou que banda era aquela; só me importava o brilho opaco do sol sobre aquele rio manso, a ponte que indicava que ainda havia um caminho a ser seguido, a placidez da água onde refletiam-se os raios do sol. Era uma moldura estonteante e eu SÓ baixei o álbum por causa daquela capa. E que maravilhosa surpresa me reservava aquele retrato. Que força eu descobriria no vocal doce e, ao mesmo tempo, forte e urgente de Charles Fink. Fui pego, lentamente, na teia tecida pela melodia doce, calma, sutil dos acordes de cada uma das 11 canções que compunham aquele álbum. E, sinceramente, não pude me arrepender de ter sido um mero superficial que escolher um disco pela capa.



Faixa 2: Our Window.

"And the stars shining through our window
and it's been awhile since I stared at the stars."


O encantamento com esse segundo álbum do Noah and Whale, de 2009, não veio de súbito, não foi amor à primeira ouvida. Embora a melancolia dos versos e das cordas já me encontrasse desde o começo, levei algum tempo para me apaixonar de verdade por essa obra. Contudo, quando esse amor nasceu e fui gastando tempo conhecendo as nuances do álbum, cada vez me aprofundava mais na força das letras, nos versos simples, de palavras ordinárias, mas de forte impacto em um coração que, na época, encontrava-se destroçado. The First Days of Spring é, principalmente, uma ode aos corações partidos, à decepção de uma relação que não deu certo, embora “estivesse escrito” (maktub!, rs.) que fosse para dar certo.


Faixa 3: I Have Nothing.

"Well, I have nothing
I have no one."

Mas ao mesmo tempo, o álbum traz a certeza do recomeço, do renascimento, da volta por cima. Como o próprio nome diz, já que a Primavera marca o reinício, época em que a natureza refloresce e renasce. E quando eu retorno a esse álbum, quando ele volta a ser nº 1 no meu last.fm, quando me pego cantarolando baxinho seus versos tão expressivos pelos cantos, eu sei o que está acontecendo: minha eterna necessidade de um recomeço está novamente gritando.


Faixa 4: My Broken Heart.

"You can't break my broken heart."

A verdade é que a minha vida existe num inverno rigoroso, nevado, congelante. E você, que já acompanha esse blog por algum motivo que não posso entender (afinal, nem eu mesmo tenho vontade de acompanhá-lo, rs.) deve estar cansado dessa lamentação constante, dessa tendência depressiva e melancólica. Mas a minha essência é feita, basicamente, disso. Eu nunca fui amado por uma pessoa. Nunca pude depositar em alguém a força descomunal que eu sinto existir no meu coração. Eu sobrevivo, basicamente, de ilusões, de peripécias desimportantes que tento com todas as minhas forças transformar em um motivo para seguir em frente. Não há poesia em minha vida; tudo é preenchido de um preto-e-branco que não se equipara em nada ao clima charmoso de Manhattan de Woody Allen. Minha vida é um inverno. E nada além disso.



Faixa 5 – 7: Instrumental I / Love of an Orchestra / Instrumental II

"So now in my deepest sorrow
there's no need for despair
I'm carrying all the love of an orchestra."

Eu ando muito desacreditado, essa é a verdade. Desacreditado de mim mesmo, do meu futuro, desacreditado do amor, das pessoas, dos relacionamentos e, principalmente, desacreditado da vida. Eu preciso urgentemente viver, sentir ar fresco preencher cada centímetro dos meus pulmões, sentir qualquer coisa que me faça ter certeza de que estou realmente vivo. E aí reencontro novamente esta maravilha do Noah and the Whale, porque esta é a primavera que minha vida vem esperando impacientemente. Não foram poucas as vezes que as pessoas disseram que essa cidade era pequena demais para mim e cada vez vejo mais que ela é o principal motivo desse inverno não passar nunca. De alguma forma, acredito que preciso encontrar as forças para ir embora, encontrar onde minha vida realmente está, porque, embora eu ame Friburgo demais da conta, não é aqui que conseguirei ser feliz.


Faixa 8 – Stranger.

"Oh, cos everything I love has gone away.
You know in a year, it's gonna be better.
You know in a year, I'm gonna be happy."

O mais incrível de The First Days of Spring é que ele não é simplesmente um álbum. Junto com a sua produção, o vocalista da banda dirigiu um filme que hoje, finalmente, tive o prazer de assistir. E eu posso dizer que toda aquela paixão citada lá em cima, todo aquele amor que sinto por essa obra tornou-se imensurável depois de sentir as lágrimas rolando com a sensibildade que foi colocada no filme. E de tão impressionado que fiquei com o belíssimo filme, estou aqui, colocando em palavras, o quanto esse álbum me faz pensar na minha própria vida, nos meus conceitos, na minha verdade.



Faixa 9: Blue Skies.

"I'll do anything to be happy.
Oh, cause blue skies are calling
But I know that it's hard."

Essa é minha faixa favorita no álbum e já foi trilha de muitas noites depressivas pensando em gente que não vale a pena. Na verdade, o vídeo mexeu comigo porque, embora por motivos diferentes — Ethan, o protagonista do filme por decepções amorosa, eu pelas circunstâncias da minha vida — me vi refletido na ausência de vida que se apossa dele no momento em que sente que não pode mais seguir em frente com um amor que foi feito para dar certo. “I don’t think that it’s the end, but I know we can’t keep going” diz a letra e, vislumbrados com a beleza de uma paisagem cinzenta, pálida, somos levados para um jornada onde Ethan procura uma forma de se sentir vivo novamente.



Faixa 10: Slow Grass.

"In fact we're almost strangers and I don't know how,
but I've been looking through slow, slow glass."

Numa das sequências mais maravilhosas do filme, ele e o melhor amigo pegam suas bicicletas e partem para o interior do país, atrás da liberdade que a rotina muitas vezes nos nega. Somos levados a vários recortes da vida de Ethan, várias tentativas fracassadas de achar o lugar a que ele realmente pertence. Sem seguir uma ordem cronólogica,somos pegos de surpresa pelas reviravoltas da vida, pelos fracassos e acertos, pelas tentativas e desistências que o cercam.


Faixa 11: My Door Is Always Open.

"Yeah, I love with my heart and I hold it in my hands,
But you know, my heart's not yours."

Essa música é de destruir o coração, viu? >.<
Bom, com essa maravilhosa faixa de encerramento, fica a dica pra que vocês conheçam a poesia melancólica do Noah and The Whale. Aqui em baixo você pode ver o filme na íntegra e também se apaixonar, se emocionar e sentir, no fundo da sua alma, uma necessidade de se sentir vivo. Pelo menos pelos 47 minutos que duram o filme.
Espero que gostem. Até mais.

Site Oficial: http://www.noahandthewhale.com/


The First Days of Spring - A Film By Noah And The Whale from charlie fink on Vimeo.

sábado, 28 de novembro de 2009

música e divagações: "Sou", por Marcelo Camelo.

Essa é a segunda edição do "Musica e Divagações", uma coluna do meu humilde bloguinho que eu gostei muito de fazer pela espontaneidade com que as palavras saem com um trilha-sonora de fundo. Mas fiquei realmente em dúvida sobre qual álbum escolher desta vez, até perceber que eu PRECISAVA escrever sobre o primeiro álbum solo do Marcelo Camelo. O porquê dessa escolha? Bem, vamos apertar o Play e aí a gente conversa...



Faixa 1: Téo e a Gaivota

"todo amor encontra sempre a solidão."

Okay, eu sei que falar d
este cd já virou assunto obsoleto, velho e ultrapassado, afinal, esse álbum é de meados do ano passado. Mas houve uma injustiça tamanha do recebimento de algumas pessoas para com essa obra. Os fãs alvoroçados do Los Hermanos não conseguiram entender muito bem a proposta do Camelo para sua carreira a solo e o que eu li de besteira por aí sobre esse álbum não está no gibi.

Confesso que meu primeiro momento diante do "Sou" também não foi lá uma experiência única e inesquecível. Acabei fazendo um desses downloads capengas que vazam antes mesmo do lançamento e o set list veio fora de ordem, trazendo "Copacapana" como faixa 1. Pensei no mesmo momento: "Puta que pariu, Camelo! O Amarante já tá fazendo isso no Orquestra!" ¬¬'
Mas não demorou para o encantamento começar a tomar conta de mim, pouco a pouco, devagar. As audições vieram lentamente, às vezes batia aquela preguicinha - porque o "Sou" não é nem de longe um álbum de fácil audição. E foi bem de repente que me peguei totalmente fascinado por cada um dos 55 minutos que compõem esse álbum.


Faixa 2: Tudo Passa
"os ais e os hãos de ser e todos os casais também."

Mas o que causou toda essa proximidade a este álbum particularmente? Okay, eu posso estar sendo um tantinho hiperbólico nessa minha próxima fala, mas arriscarei mesmo assim, com a certeza de que posso me arrepender de ter dito isso algum dia:

"Sou" é o disco da minha vida.

Uow... vejam que eu realmente acredito nisso.. Letras grandes, em negritos.. Quem sabe eu não faça uma tatuagem, rs. Just kidding.
A verdade é que são poucas as obras de artes em que eu consigo me encaixar plenamente, me ver retratado, me sentir inserido nela. Acho que o nome disso é catarse, não é Simone? (minha maravilhosa professora de Teoria da Literatura que me transmitiu em 1 ano mais conhecimento do que jamais consegui juntar nos outros 22 anos da minha vida)


Faixa 3: Passeando

"estamos sós."

Nossa, essa é nostálgica *_*

Ouça esse dedilhado... sinta a simplicidade...

Caceta! rs
.

Mas então... voltando ao assunto...
Catarse é um sentimento que lhe invade ao peito quando você está fruindo de uma obra de arte. Você pode sofrer Catarse de dois modos: sensibilizando-se dos sentimentos e dores retratados na arte pelo fato de nunca ter acontecido contigo - aquele sentimentozinho de alívio ao fim de um filme onde o casal apaixonado termina separado, por exemplo, e você pode dar graças a Zeus porque o seu amado está ainda do seu lado.


Faixa 4: Doce Solidão
"foge que eu te encontro que eu já tenho asas."

(...)
E há, em contraponto, a Catarse onde o que acontece na obra de arte parece, aos seus olhos, uma autobiografia. Aquele filme ou música que parece ter sido escrito para você, sabe? É esse tipo de catarse que eu sofro ao ouvir o "Sou". Nunca antes tinha visto meus sentimentos tão bem resumidos em apenas um discozinho brilhante. (E esse assovio de Doce Solidão? Nunca mais saiu da minha cabeça desde a primeira vez que ouvi essa faixa.)
E sim, "Sou" é um disco que fala em sua maior parte de solidão. Acho que a palavra está presente em quase todas as faixas, quando não explicitamente, escondida em algum sentido mais profundo.



Faixa 5: Janta (com Mallu Magalhães)
"caminho em frente pra sentir saudade"

Até mesmo esta faixa, que tem por essência um relacionamento, fala da solidão que existe na vida a dois. Eu amo essa faixa de paixão, mesmo com os miados da Mallu, rs. E é uma faixa que sempre serve de trilha sonora quando estou envolvido com alguém, porque em todo "relacionamento" - que saco ter que usar estas aspas, mas ainda não posso usar a palavra relaciomento no seu sentido conotativo - que me envolvo, a solidão, a tristeza e a saudade ficam espreitando à porta, me deixando inseguro, sem perspectiva... assim, tais versos simbolizam o meu medo do filme sempre se repetir:
"eu quis te conhecer, mas chega de insistir caberá ao nosso amor o que há de vir." E, infelizmente, toda vez que usei esses versos para lançar à sorte meu envolvimento com alguém, o resultado foi solidão.



Faixa 6: Mais Tarde
"acho que não vai dar, tô cansado demais."

Ah, solidão.
Ultimamente eu tenho sido muito questionado sobre minha solidão. Sobre meus hábitos taciturnos, minhas fotos tristes, meu gosto por música e filmes depressivos... E minha resposta é sempre a mesma: eu não posso fugir do que sou. Quando tiro uma foto que fica triste, nostálgica, depressiva, não é porque quero que ela saia assim. Não falo: "Peraí, Diego, espera eu ficar bem triste.. quando vir meus olhos marejar, você tira a foto, okay?" Não é assim que as coisas acontecem.

O problema é que, na verdade, quem me conhece, sabe que eu sou a pessoa que mais ri nesse mundo. Adoro dar risada, rio até da coisa mais sem graça do mundo e tenho sempre pronta uma piadinha sem vergonha para fazer. E não faço isso para parecer feliz perante a sociedade, nada disso. Tampouco uso isso para dissimular com meus amigos o que realmente sinto. Eu não tenho motivos para fazer algo do gênero. Tassiane esses dias me disse que eu preciso parar de colocar fotos depressivas no orkut, que tenho que parar de mostrar para as pessoas que sou assim. E minha resposta para ela foi simples e inexorável:


Faixa 7: Menina Bordada
"moça por favor, cuida bem de mim."

(...)

EU NÃO POSSO FUGIR DO QUE SOU!

E se minhas fotos saem da forma que saem, talvez estejam refletindo o que está na minha alma. E que mal pode haver em algo assim? Em você poder expressar o que você realmente é, sem máscaras, sem maquiagem... você, cru, de verdade. Eu só vejo beleza em uma coisa dessas.


Portanto, concluindo esse papo doido, passou da hora de refletirmos sobre esse paradigma de que a tristeza é má. Okay? Podemos ser mais sensatos que isso. Pra mim, toda boa obra de arte tem uma boa dose de tristeza e minha essência também é feita disso. É essa tristeza íntima e benéfica que me faz ter a visão de mundo peculiar que tenho.
Obviamente que às vezes essa essência me faz mal e me deixa triste do jeito ruim da palavra. Mas tudo na vida tem esse lado pesado e obscuro.. e chega de filosofia de boteco que eu já estou falando bobagem, rs.


Faixa 8: Liberdade (com Dominguinhos)

"é deus, parece que vai ser nós dois até o final."

Bom, como falei quando fiz o "Música e Divagações do Kings", eu não tenho nenhum conhecimento teórico sobre música. O meu gosto vai muito por alguma coisa íntima, uma melodia que me pega desprevinido, um som que me faz sonhar e viajar, um verso que significa muito mais que palavras em um ordem sintática... E eu gosto muito dessa relação que tenho com a música, uma relação que parece uma amizade. Às vezes você tem amigos que não são lá grandes gênios contemporâneos, mas você ama aquela pessoa do jeitinho que ela é... E a música pra mim pode ser a mais simples possível, contanto que desperte em mim algum sentimento bom.



Faixa 9: Saudade (instrumental, por Clara Sverner)


(...) Digo isso tudo porque este álbum do Camelo tem seus momentos orquestrais e tem momentos da pura simplicidade de um violão dedilhado. Se "Téo e Gaivota" tem sua beleza complexa ressaltada pela particapação do Hurtmold - banda de música instrumental que acompanhou o Camelo na gravação do álbum e na turnê -, "Saudade" à voz e violão não perde um mísero ponto por ser mais simples e delicada.
Essa é apenas uma agulhadinha em gente que acha que música é aquela que faz quebrar os dedos pela complexidade das notas.
Há música na simplicidade. E bela música, por sinal.


Faixa 10: Santa Chuva

"meu coração já se cansou de falsidade."

Essa aí ele escreveu, deu de presente para a Maria Rita e depois tomou de volta, rs. Eu gosto muito mais da versão dele. E é engraçado que na época do Los Hermanos eu sempre fui mais fã das canções do Amarante. As do ruivo sempre eram as consideradas favoritas por mim, até que, ao ouvir o "Sou", fui levado a uma reflexão profunda sobre o lirismo de Camelo. Não que desgostei das do Amarante, mas passei a dar mais importância a canções que antes me passam meio despercebidas.




Faixa 11: Copacabana
"todo destino padece aqui."

Aaaah, olha a dita cuja aí! rs.
Okay, estranhei ela de começo, mas agora eu adoro. Mesmo odiando carnaval e as coisas que remetem a ele... Mas essa música tem um ar nostálgico da época que o carnaval parecia ser uma coisa bacana... Gostaria de ter presenciado essa época do carnaval.


Faixa 12: Vida Doce
"assim eu caminho no tempo que eu bem entender."

Puta que Paréu! Eu sou completamente apaixonado por esta música.
Adoro o ritmo de carimbó, adoro a letra, adoro o jeito arrasto do Marcelo cantar... Essa é, a propósito, o toque do meu celular, rs.. Sendo que ando precisando trocar isso, porque me traz más recordações >.< Bem, vou começar as considerações finais, porque com certeza elas renderão as próximas 2 faixas. Meu amor por esse cd cresce a cada dia mais, a cada escutada, a cada análise das nuances das letras, a cada descoberta de um novo som, uma sutileza no dedilhado ou um minúcia no tom de voz do Camelo.


Faixa 13: Saudade

"amor, eu vivo tão sozinho de saudade."

(...)
E esse amor é sim um amor triste, porque "Sou" é uma obra triste. Mas ela revela em suas entrelinhas uma esperança de uma Vida mais Doce, de um encontro com a Liberdade, de acontecimentos felizes guadados para Mais Tarde. E precisamos aprender a ver sutilezas escondidas na tristeza e na solidão. Porque o crescimento e amadurecimento sentimental estão escondidos nos momentos em que sofremos. Não há crescimento na alegria, não há reflexão num momento feliz. Pelo menos assim eu acho.


Faixa 14: Passeando (instrumental, por Clara Sverner)


Obrigado, Camelo, por ter colocado toda a sua alma em cada nota desse álbum e ter compartilhado com a gente a transparência de sua sensibilidade. E fica assim: até segunda ordem, "Sou" é um retrato dos recônditos mais profundos da minha alma.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

música e divagações: "Declaration of Dependence" by Kings of Convenience

(...)
But I can't stop listening to the sound
of two soft voices blended in perfection
from the reels of this record that I've found.
(Homesick, Kings of Convenience)

Eu não me lembro mais quando foi a primeira vez que eu ouvi Kings of Convenience ou onde foi que descobri o som desses dois noruegueses. Mas de alguma forma, eu tenho a certeza de que foi paixão à primeira ouvida. Violões dedilhados, vozes suaves, melodias hipnotizantes e letras sinceras... Uma mistura que me pegou de jeito e se tornou um verdadeiro vício.

E depois de 5 anos sem material inédito, eis que tenho às mãos (metaforicamente, porque na verdade, o que tenho é um download sem-vergonha, rs) o tão aguardado Declaration of Dependence. Esse post está sendo escrito durante a primeira audição desse novo álbum, em tempo real, sem correções ou preocupações orotgráficas. Simplesmente Música e Divagações.



faixa 01: 24-25

A primeira lembrança que tenho do som dos Kings é um moleque falando sobre eles na comunidade do Jack Johnson, num bate-papo que havia lá, onde havia uma rixa entre paulistas e cariocas por causa dos show do Jack (onde tinha sido o melhor show, onde ele tinha gostado mais de tocar... coisa de fã besta). E esse cara passou o endereço para uma Jukebox no site dos Kings onde era possível ouvir todas as faixas do Riot on an Empty Street de graça... Nessa época minha net era discadona, não sei se foi lá que eu ouvi ou se baixei o cd.. mas o importante é que devo muito a esse moleque que eu realmente não sei quem é... rs...
O cd começa bem. Eirik fazendo a primeira voz... Eu acho que eu gosto mais da voz do Erlend, mesmo que me doa fazer uma afirmação dessas... E tipo, eu não entendo tecnicamente de música. Música pra mim é muito mais uma coisa de feeling do que ficar esperando acrobacias espetaculares com os dedos ou vocais guiados pelos anjos ou por outros seres celestes - sendo que a voz desses dois tem um toque divino, viu?
Eita, a música tá com um cortezinho no final ¬¬' Damn it!

faixa 2: Mrs Cold

Essa aí já é uma velha conhecida: foi a primeira a vazar e o meu Last.Fm já contabilizou 83 execuções desta faixa (em 3 meses). Eu e meus amigos íamos sair e ao dar um pulinho na comunidade dos Kings no Orkut, eis que me deparo com o download dessa faixa ripado de uma rádio norueguesa: ah não! me atrasei mas tive que baixar! E ela é bem viciante, acho quer Mrs Cold é pro Declaration o que Misread foi pro Riot. Adoro =)

faixa 3: Me in You

Nossa, essa é tipicamente uma bossa nova... podia estar num álbum do João Gilberto ou do Jobim... Pra quem não sabe, João Gilberto é uma das inspirações dos caras e veja só que ironia: lá na Noruega tem gente dando valor pro que temos de bom aqui enquanto nós mesmo não sabemos apreciar isso...
Eu queria entender as letras... mas meu inglês de ouvido é bem ruinzinho... Eu preciso melhorar isso, afinal, se vou ser professor de inglês, não vou poder chegar com essa desculpa para os alunos né? "Ah, o professor aqui não entende muito bem o inglês falado não.. mas pra quê? Escreve num papelzinho o que vc quer falar, querida." uhahuauha

"Oh, it's a little bit of me inside you gathering what you've lost
Oh, there's a little bit of you in everyone

And I'm watching you now
I see you building the castle with one hand
While you tearing it down with the other"


Nossa, essa é demais =O
E veja só, consegui extrair o refrão \o/ auhauhahua
Que paz que esses dois conseguem trazer com sua música. Fantástico!

faixa 4: Boat Behind

"Ooooh, ooohhhh, ooooohhhh
I could never belong to you"


Essa aí é daquelas que a gente canta junto ou fica assoviando o dia todo no trabalho, com a música grudada na cabeça... Música chiclete da melhor qualidade.
E Bot Behind (junto com Mrs Cold) é o primeiro single desse álbum e já tem clipe:



Nossa, já pensou uma road tripping com Eirik e Erlend? E esse céu? E esse sol?
brisante o clipe =O
Deu uma puta vontade de cair na estrada ao som de Kings... deve ser bom demais... Direto pro litoral *.*

faixa 5: Rule my World

Engraçado que Boat Behind me faz lembrar a viagem pra Rio das Ostras que eu e Diego fizemos há uns meses atrás... Mas aquela viagem não tava nesta vibe, não. Foi uma viagem bem introspectiva e não tao amarelada e esperançosa como aquele videoclipe. Mas foi uma boa viagem...

Aaaaah, essa tá cortada no meio =/
Que droga, véio... maravilhosa faixa... isso que dá fazer download antes do cd vazar, sempre vem com umas falhas deste naipe... Mas a metade que eu tenho aqui pode fazer desta uma das melhores faixas do álbum.. linda!

faixa 6: My Ship Isn't Pretty

Essa tem um nome engraçado..
Mas é bem introspectiva.. bem sutil... a voz do Eirik em primeiro plano e o violão acompanhando sutilmente... Bem bonito, viu?
E termina com um violãozinho sendo dedilhado láááá no fundo, quase que imperceptível.. que maravilha, véio..
Veja que minhas descrições são maravilhosas, né? Sou quase um crítico de música KKKKK



faixa 7: Renegade

Violão mais forte novamente... Ai cara, eu falei que prefiro a voz do Erlend mas eu nem sei mais... O Eirik tava fantástico ali na faixa de cima.. a voz do Erlend é mais alegre... E fantástico como colocaram as suas vozes em primeiro plano nesse álbum, bem bossa-nova mesmo...
Sabe uma coisa irritante? Tô aqui curtindo esse momento maravilhoso ouvindo o melhor cd do ano e tenho que estudar para a prova de Linguística logo em seguida. Um verdadeiro paradoxo: do céu ao inferno.
(Nada contra a Linguística, tudo contra a professora)
Falando na faculdade, o que Lisys teria a falar desse álbum, hein? ela que gosta de arranjos complexos e...

faixa 8: Power of Not Knowing

... e manobras no piano dignas de uma tendinite... Aposto que ela falaria mal... Mas ninguém fala mal dos noruegueses perto de mim, ran! U.U
E eu acho tão difícil alguém (excetuando o João Gordo) não gostar do som dos Kings... porque é uma coisa muito agradável, não tem como incomodar alguém a ponto de criar uma aversão ou algo do gênero...
ué, já acabou? nem deu tempo de eu falar Õ.o
kkkkkkkkkkkkkkkkk

faixa 9: Peacetime Resistance

Essa já começa com o violino à la Boat Behind... Bom demais =D
Nossa, falei da Lisys, ela me manda sms =O que vínculo espiritual #zoa uhahuahuahua
Mas, voltando ao assunto, eu sou muito fã de uma assim, mais simples (não simplória), sem floreios, com beleza genuína debruçada na simplicidade... Os Kings são minha paixão, mas também entram nesse time o Eliott Smith e seus álbuns Lo-fi, José González e sua música cinza, Damien Rice e seu violão triste, Feist e a magia da sua voz... Tem muita gente boa fazendo música assim...
Aliás, podia ter rolado mais um dueto com a Feist nesse álbum, hein? Build-up é obra de arte, lindo demais *.*

faixa 10: Freedom and its Owner

Essa aí é mais uma das que vazaram e eu já ouvi à exaustão. Na verdade, das 4 que haviam vazado, é a minha favorita.. e é na voz do Eirik, brilhantemente interpretada por ele..
adoro essa paradinha... "This time is me.. is me..."
Nossa, esse post deve tá uma bagunça KKKKKK eu tô escrevendo como se fosse uma conversa de MSN... se você conseguiu chegar até aqui, manda um salve.. uhahuauhauha



faixa 11: Scars on the Land

E a capa? Nem falei da capa... Acho a mais bonita das 3, mesmo que a sutileza da capa do Riot me encante... Mas essa capiturou de verdade o clima da música do Kings.. resumiu muito bem toda essa vibe calma de fim de tarde na praia...
E essa capa vazou logo após quando eu e Diego voltamos de Rio das Ostras e, de certa forma, ela tem um pouco da forma das fotos que tiramos por lá... Okay que a paisagem deles é infinatamente mais bonita, mas digamos que foi uma intertextualidade meio louca, rs.

faixa 12: Second to Numb

Aaaaah, tá acabando >.< É triste pensar que pode demorar mais 5 anos pra sair outro álbum desses.. o Erlend, pelo que ouço dizer, já que não sou amigo íntimo do cara, é um puta perfeccionista... Imagina só, o Eirik deve sofrer nas mãos dele KKKKK Tomara que esse cd saia aqui no Brasil.. o Riot eu consegui comprar, foi até barato.. mas o Quiet só tem importado, pra lá de 100 reais... foda isso, eu até queria ter os cds originais das minhas bandas favoritas, mas a maioria não é lançado aqui no Brasil... Cara, o cd tá perfeito =O Que loucura.. cd bom do começo ao fim é coisa rara hoje em dia.. Sendo que eu já esperava isso, né.

faixa 13: Riot on an Empty Street

Que bom que essa musica foi incluída no álbum, porque ela é linda... Por que será que ela ficou fora do Riot? Muito estranho...
Bem, o cd tá aprovadíssimo, realmente maravilhoso. Valeu os 5 anos de espera.
Clicando no nome das canções, você pode baixar todas elas.. os créditos de download são pra Raquel Amorim, lá da comunidade do Kings no Orkut.
Agora deixa eu dar uma editada nesse post e tirar esse monte de reticências. Se Marília (minha professora de Leitura e Produção de Texto) pega um texto meu desse jeito, ela me castra, rs.

Até a próxima gente.



"Freedom never greater than its owner
No view is wider than the eyes."